O Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC), localizado em Belém, promoveu nesta segunda-feira (13) uma iniciativa de conscientização sobre a prevenção e o tratamento da obesidade voltada a pacientes e acompanhantes. A ação ocorreu no Ambulatório Médico da instituição e integra o projeto Sala de Espera Terapêutica, que visa transformar o tempo de espera por atendimento em um momento produtivo para a orientação sobre temas fundamentais de saúde pública.
De acordo com informações da Agência Pará, a programação foi conduzida pela equipe do Serviço de Farmácia do HC (Sefar). Os profissionais ofereceram orientações detalhadas sobre como prevenir o excesso de peso, as formas de tratamento disponíveis e a importância vital de adotar hábitos de vida mais equilibrados para evitar complicações secundárias relacionadas a doenças crônicas.
Como funciona o projeto Sala de Espera Terapêutica?
O projeto utiliza o período em que os usuários aguardam suas consultas para difundir conhecimento técnico em linguagem acessível. No caso desta edição, o foco na obesidade não foi aleatório; o HC é uma unidade de referência em Cardiologia e Nefrologia no estado do Pará, especialidades cujos pacientes frequentemente apresentam quadros de hipertensão e diabetes associados ao excesso de gordura corporal, o que demanda atenção redobrada das equipes multidisciplinares.
A diretora técnica-hospitalar da instituição e endocrinologista, Adriana Lima, explicou que a pauta foi inspirada por campanhas nacionais de sociedades médicas renomadas.
Esse tema vem de uma campanha realizada recentemente pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e pela Sociedade Brasileira de Diabetes. Como faz parte do perfil dos pacientes atendidos no hospital, trouxemos essa discussão pela importância que a obesidade tem em relação aos quadros clínicos que acompanhamos aqui
, afirmou a diretora durante a atividade.
Qual a importância do diagnóstico de obesidade como doença?
Um dos pilares da ação foi desmistificar a condição física dos pacientes, tratando-a sob a ótica clínica rigorosa. A especialista ressaltou que o primeiro passo para a recuperação é a aceitação e o entendimento da patologia. Quando o indivíduo compreende que a obesidade é uma doença crônica e não apenas uma questão estética, ele se torna mais receptivo ao acolhimento e às intervenções necessárias para a melhoria de sua saúde a longo prazo.
Entre os principais pontos abordados durante as palestras e orientações individuais, os profissionais destacaram os seguintes fatores essenciais para o controle da enfermidade:
- Mudanças profundas e graduais no estilo de vida cotidiano;
- Adoção de dietas balanceadas e individualizadas prescritas por nutricionistas;
- Prática regular de atividades físicas adequadas a cada perfil de paciente;
- Tratamento medicamentoso específico quando houver indicação médica criteriosa.
De que maneira o acompanhamento farmacêutico auxilia no tratamento?
A coordenadora da Farmácia Hospitalar, Úrsula Araújo, reforçou que o público atendido no ambulatório já convive com diversas comorbidades relacionadas ao peso. Por isso, a atuação do Sefar é estratégica para garantir que o paciente não apenas receba o diagnóstico, mas saiba como gerenciar sua rotina de cuidados de forma autônoma e segura. A educação continuada é vista como uma ferramenta de empoderamento para o paciente do Sistema Único de Saúde (SUS).
O suporte oferecido pelo Hospital de Clínicas Gaspar Vianna estende-se ao consultório farmacêutico, um espaço onde o paciente recebe orientações personalizadas após a consulta médica. A farmacêutica Jocileide Gomes pontuou que o acompanhamento individualizado permite sanar dúvidas sobre o uso correto de medicamentos e a integração das novas rotinas de saúde ao dia a dia, garantindo a adesão terapêutica necessária.
A farmacêutica Roseane Porfírio complementou que esse fluxo de atendimento garante que o suporte continue mesmo após a saída do consultório médico. O objetivo final das estratégias de humanização da unidade é transformar o ambiente hospitalar em um centro de educação contínua, prevenindo o agravamento de doenças crônicas e reduzindo a pressão sobre o sistema público de saúde por meio da prevenção primária e secundária.