O novo CEO da Disney, Josh D’Amaro, teve sua primeira semana à frente da empresa marcada por três crises distintas: o colapso de um acordo bilionário com a OpenAI, demissões em massa na Epic Games — parceira estratégica da Disney — e o cancelamento emergencial de uma temporada do reality show The Bachelorette após um escândalo de violência doméstica envolvendo sua protagonista. Os eventos ocorreram entre 18 e 24 de março de 2026, logo após D’Amaro assumir o comando da gigante do entretenimento.
De acordo com informações do UOL Notícias, a sequência de reveses expõe os desafios enfrentados pela Disney ao tentar se reposicionar em meio à transformação digital acelerada, à queda da TV tradicional e à ascensão de plataformas tecnológicas que disputam o controle sobre seu conteúdo icônico. Para o público brasileiro, os movimentos da empresa têm reflexos potenciais sobre negócios como streaming, licenciamento e publicidade, áreas em que a Disney também atua no país.
Quais foram as três crises simultâneas?
A primeira crise surgiu quando a OpenAI anunciou, em 24 de março, o encerramento de seu projeto Sora, ferramenta de geração de vídeos por inteligência artificial. Com isso, foi cancelado um acordo avaliado em US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões), firmado apenas três meses antes, que permitiria aos usuários criarem histórias com personagens da Disney, como Mickey Mouse e Luke Skywalker. Apesar do alarde inicial, nenhum pagamento havia sido feito até a rescisão.
No mesmo dia, a Epic Games, desenvolvedora do Fortnite, demitiu mais de mil funcionários — cerca de um quinto de sua equipe — devido à queda no engajamento do jogo. A Disney havia investido US$ 1,5 bilhão (R$ 8 bilhões) na empresa em 2024 para construir um universo virtual interativo com seus personagens dentro do Fortnite. O CEO da Epic, Tim Sweeney, admitiu dificuldades em manter a “magia consistente” do jogo.
Paralelamente, a Disney foi forçada a cancelar toda a nova temporada de The Bachelorette após a divulgação de um vídeo mostrando a estrela escolhida, Taylor Frankie Paul, agredindo fisicamente o pai de seus filhos. A produção, licenciada da Warner Bros. por entre US$ 50 milhões e US$ 60 milhões (R$ 262 milhões a R$ 314 milhões), foi arquivada horas após o vazamento. A influenciadora já enfrentava acusações anteriores de violência doméstica.
Por que essas crises importam para a Disney?
Esses episódios revelam a vulnerabilidade da Disney diante de tendências tecnológicas voláteis e da erosão de seus negócios tradicionais. Analistas apontam que a empresa está correndo atrás de inovações sem uma estratégia clara, especialmente no campo da inteligência artificial. Um ex-executivo criticou a abordagem da companhia como reativa e desconectada de seus pontos fortes criativos.
A Enders Analysis classificou o fracasso do acordo com o Sora como “uma lição brutal sobre os perigos do licenciamento em um setor de tecnologia emergente com clara ‘febre de negócios’”. Enquanto isso, o fiasco de The Bachelorette reacendeu debates internos sobre o futuro da ABC, emissora de TV aberta da Disney, cuja relevância tem caído nos últimos anos. Em 2023, o ex-CEO Bob Iger chegou a sugerir vender a rede, considerando-a “não essencial”.
No Brasil, a relevância do caso também passa pelo peso da Disney em distribuição digital e exploração de marcas, com serviços como o Disney+ e franquias amplamente licenciadas no mercado local. Mudanças na estratégia global da companhia podem afetar a forma como a empresa prioriza investimentos em conteúdo, tecnologia e parcerias em diferentes países.
- Colapso do acordo de US$ 1 bilhão com a OpenAI
- Corte de mais de mil vagas na Epic Games, parceira do Fortnite
- Cancelamento emergencial de temporada de The Bachelorette por escândalo de violência


