A Nokia informou nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026, que registrou crescimento de receitas e voltou ao lucro no primeiro trimestre, impulsionada pela demanda ligada à inteligência artificial e à nuvem. A empresa finlandesa reportou receita de 4,5 bilhões de euros, alta de 2% na comparação anual, e lucro líquido de 87 milhões de euros, ante prejuízo de 60 milhões de euros no mesmo período do ano passado. De acordo com informações da Teletime, o resultado levou a companhia a revisar para cima suas projeções para 2026.
No balanço, a companhia atribuiu parte do desempenho ao avanço das vendas para clientes de IA e nuvem. Esse segmento cresceu 49% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior e passou a representar 8% da receita total da empresa. No período, a Nokia somou 1 bilhão de euros em pedidos relacionados a esse mercado.
Como a inteligência artificial influenciou o resultado da Nokia?
Segundo a empresa, a expansão da demanda por infraestrutura voltada a IA e nuvem foi um dos principais motores do trimestre. O balanço mostra que as receitas associadas a esse grupo de clientes aumentaram em ritmo bem superior ao da operação total, o que reforçou o peso desse mercado na composição das vendas.
A Nokia também destacou que, a partir deste ano, passou a operar com duas grandes divisões: Infraestrutura de Rede e Infraestrutura Móvel. A reorganização ajuda a evidenciar quais áreas vêm sustentando o crescimento e como a companhia está posicionando seus negócios diante do avanço da IA nas telecomunicações e nos data centers.
Quais áreas da empresa mais cresceram no trimestre?
A unidade de Infraestrutura de Rede registrou receita de 1,8 bilhão de euros, com alta de 6%. Dentro desse segmento, o principal destaque foi o avanço de 20% em redes ópticas. O negócio de redes IP também contribuiu para o resultado, com crescimento de 3%.
Já a divisão de Infraestrutura Móvel somou 2,5 bilhões de euros em receitas, avanço de 3% na comparação anual. O desempenho foi impulsionado pelo crescimento de 5% em softwares de core de rede e de 10% em tecnologias padronizadas, utilizadas em eletroeletrônicos e produtos multimídia. As vendas de redes de acesso via rádio, ou RAN, ficaram estáveis no período.
- Receita total: 4,5 bilhões de euros
- Variação anual da receita: 2%
- Lucro líquido: 87 milhões de euros
- Pedidos ligados a IA e nuvem: 1 bilhão de euros
- Participação de IA e nuvem na receita total: 8%
O que mudou nas projeções da companhia para este ano?
Com os resultados do primeiro trimestre, a Nokia revisou para cima suas estimativas. A empresa passou a projetar que o mercado endereçável de IA e nuvem terá taxa anual composta de crescimento de 27% entre 2025 e 2028, acima da previsão anterior de 16%.
Para a divisão de Infraestrutura de Rede, a expectativa agora é de crescimento entre 12% e 14% em 2026. A companhia também indicou que o lucro operacional comparável deve ficar entre 2 bilhões de euros e 2,5 bilhões de euros ao longo do ano.
O que a empresa disse sobre os próximos passos em IA?
No balanço, o presidente e CEO da Nokia, Justin Hotard, afirmou que o “superciclo da IA” representa uma “oportunidade de mercado para a Nokia”.
“Com a adição da Orange, agora temos 10 clientes publicamente comprometidos a trabalhar conosco”
O executivo também destacou que a solução AI-RAN, descrita pela empresa como uma integração da inteligência artificial com o core de rede móvel, deve ser apresentada em formato de testes com parceiros ainda neste ano. A menção à Orange indica a ampliação da base de clientes anunciados publicamente nesse esforço.
Os números do trimestre mostram que a IA deixou de ser apenas uma aposta estratégica no discurso da companhia e passou a ter impacto mais visível sobre receitas, pedidos e perspectivas de mercado. Ao mesmo tempo, o balanço evidencia que a expansão segue distribuída entre diferentes frentes da operação, com contribuição tanto de infraestrutura fixa quanto móvel.