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Nojima planeja comprar unidade de eletrodomésticos da Hitachi por US$ 630 milhões

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A varejista japonesa Nojima planeja adquirir a unidade de eletrodomésticos da Hitachi por um valor que deve superar 100 bilhões de ienes, o equivalente a US$ 630 milhões, segundo apuração divulgada nesta terça-feira, 21 de abril de 2026. O negócio envolve a compra de ao menos a maioria das ações da Hitachi Global Life Solutions, responsável pelas operações de eletrodomésticos da companhia no Japão, e deve ser anunciado em breve. De acordo com informações do Valor Empresas, com base em apuração do Nikkei Asia, a operação busca reforçar a capacidade de desenvolvimento de produtos da Nojima em um mercado marcado por forte competição de preços.

Se confirmada, a aquisição será a maior da história da Nojima. A empresa já havia ampliado sua presença em outros segmentos no ano passado, quando comprou a Vaio, antiga fabricante de computadores pessoais da Sony. No caso da Hitachi Global Life Solutions, a operação também ocorre em um contexto de reorganização do grupo Hitachi, que tem reduzido exposição a negócios considerados menos alinhados à sua plataforma digital Lumada, tratada pela empresa como um dos pilares de crescimento.

O que está em negociação entre Nojima e Hitachi?

O acordo em preparação prevê que a Nojima compre pelo menos o controle da Hitachi Global Life Solutions, subsidiária que administra os negócios de eletrodomésticos da Hitachi no mercado japonês. A expectativa é que a Hitachi mantenha uma participação acionária na unidade, mesmo após a conclusão da transação.

A subsidiária registrou receita de 367,6 bilhões de ienes no ano fiscal encerrado em março de 2025. Entre os principais produtos da operação estão máquinas de lavar e refrigeradores, apontados como pontos fortes da empresa no setor.

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Por que a operação é estratégica para a Nojima?

Segundo a reportagem original, a Nojima avalia que a aquisição pode fortalecer sua capacidade de desenvolver produtos e reduzir sua exposição a uma disputa baseada apenas em preços baixos. O varejo japonês de eletrodomésticos e eletrônicos de consumo enfrenta há décadas um ambiente de margens pressionadas, cenário agravado pela expansão das compras on-line.

A empresa projeta vendas líquidas consolidadas de 930 bilhões de ienes para o ano fiscal encerrado em março. Um dos diferenciais da Nojima no mercado japonês é manter equipes próprias de vendas em todas as lojas, em vez de depender de representantes enviados pelos fabricantes.

  • A compra pode se tornar a maior da história da Nojima
  • O foco é ampliar capacidade de desenvolvimento de produtos
  • A operação ocorre em um mercado japonês maduro e com baixo crescimento
  • A Hitachi deve manter parte das ações da unidade

Como o setor de eletrodomésticos no Japão chegou a esse cenário?

O mercado varejista de eletrodomésticos do Japão é descrito como maduro, com pouco ou nenhum crescimento ao longo de mais de uma década. O país, que já foi uma referência global no setor, perdeu espaço para concorrentes asiáticos desde os anos 2010.

Nos últimos anos, grupos estrangeiros compraram ativos relevantes de fabricantes japoneses. Em 2012, o grupo chinês Haier adquiriu as operações de eletrodomésticos da extinta Sanyo Electric. Em 2016, o Grupo Midea, da China, comprou a divisão de eletrodomésticos da Toshiba, enquanto a taiwanesa Foxconn adquiriu a Sharp no mesmo ano. Mais recentemente, no fim de março deste ano, o Grupo Sony anunciou a transferência de 51% de sua unidade de televisores e de sua unidade de produção na Malásia para a TCL Electronics, da China.

Quem mais demonstrou interesse na unidade da Hitachi?

Além da Nojima, outras empresas teriam demonstrado interesse na unidade de eletrodomésticos da Hitachi. Entre os potenciais compradores citados estão as sul-coreanas Samsung Electronics e LG Electronics, além da gestora americana de private equity KKR.

No movimento mais amplo de reestruturação, a Hitachi também vem se desfazendo de negócios nas áreas de logística, química e outros segmentos considerados menos relevantes para sua estratégia atual. Ainda assim, a companhia deve permanecer acionista da Hitachi Global Life Solutions, caso o acordo com a Nojima seja concluído nos termos esperados.

Entre os grupos japoneses que seguem atuando no setor de eletrodomésticos, a reportagem cita Panasonic e Mitsubishi Electric como alguns dos poucos remanescentes em um mercado cada vez mais pressionado por concorrência regional e transformação estrutural no varejo.

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