Um inusitado museu de aviação começa a tomar forma na cidade de Campinas, no interior de São Paulo, onde um tradicional depósito de materiais reaproveitáveis está convertendo carcaças de aeronaves em atração turística. A iniciativa, liderada pelo empresário Vitório Bim, de 73 anos, prevê a abertura do espaço para visitação do público ainda no mês de abril de 2026. O acervo inicial conta com cerca de 20 aeronaves comerciais e militares resgatadas do descarte após anos de operação.
De acordo com informações da Folha S.Paulo, o chamado Supermercado Sucatas Bim já abriga modelos históricos na entrada de seu terreno, como a fuselagem de um Boeing 737-300. O espaço, que há sete décadas comercializa de incubadoras a viaturas policiais, agora organiza sua área de 110 mil metros quadrados para receber os entusiastas da aeronáutica civil e militar de todo o país.
Como funcionará a visitação ao novo museu de aviação?
A previsão é que os ingressos para acessar o pátio de aviões custem entre R$ 20 e R$ 30. Na fase inicial do projeto, os visitantes precisarão caminhar por dentro do galpão principal do depósito de sucatas, onde já é possível encontrar um monomotor Aero Boero AB-115 vermelho, tradicionalmente utilizado na instrução de novos pilotos no Brasil, dividindo espaço com balanças industriais e peças automobilísticas.
O planejamento estrutural indica que, no prazo de um ano, o complexo ganhará uma entrada exclusiva pela rodovia Lix da Cunha, a SP-073, via que interliga a região. Além da bilheteria própria, o ambiente terá uma infraestrutura completa de alvenaria e contará com uma lanchonete instalada dentro da fuselagem de um Fokker 100, que ainda ostenta a pintura da antiga companhia aérea Avianca Brasil, que encerrou suas operações em 2019, já posicionado no terreno.
Quais modelos de aeronaves compõem o acervo em Campinas?
A coleção reunida no terreno de chão batido inclui ícones importantes da história da aviação. Entre as peças mais notáveis, destaca-se um Boeing 727 que pertenceu à Varig Log, antiga subsidiária de cargas da histórica Viação Aérea Rio-Grandense, adquirido no ano de 2010. Este cargueiro trijato remete ao período de ouro compreendido entre as décadas de 1960 e 1980, quando a companhia dominava o mercado aéreo nacional e as rotas internacionais.
O local também preserva a estrutura de um cargueiro militar canadense C-115, conhecido como Buffalo, operado no passado pela Força Aérea Brasileira (FAB). A lista de preciosidades aeronáuticas em diferentes estados de conservação abrange:
- Modelos turboélice Let 410, de fabricação tcheca.
- Aeronaves de pequeno porte como Piper Cherokee e modelos da Cessna.
- Um Boeing 727-200 da extinta empresa Fly, mantido com o cockpit e áreas de tripulação originais em um salão de festas anexo.
- Um planador posicionado sobre contêineres metálicos para fins estritamente decorativos.
Os aviões expostos no ferro-velho também estão à venda?
Apesar de integrar o acervo cultural em formação, as peças seguem disponíveis para negociação comercial no mercado. O proprietário do estabelecimento reforça a vocação original do espaço de sucatas. “É o meu negócio, tudo pode ser comercializado”, afirma Vitório Bim, destacando que o Boeing 727 pode ser vendido caso surja uma oferta superior a R$ 700 mil, enquanto um Boeing 737, que é herança da Varig, está avaliado em R$ 1,2 milhão.
Outras vendas expressivas já foram concretizadas recentemente pela empresa paulista. Um Airbus A318, antes operado pela Avianca, teve sua estrutura arrematada por R$ 500 mil por um comprador do estado do Paraná. “Ele está preparando a estrutura”, relata o empresário sobre o avião que vai virar uma casa. O cargueiro militar Buffalo também foi negociado nos últimos meses e será transformado em um estabelecimento comercial na cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo.
É possível alugar peças ou comprar partes menores das aeronaves?
O complexo diversifica sua receita financeira através da locação e da venda de componentes específicos de painéis. O depósito possui uma sala dedicada exclusivamente a painéis e instrumentos de voo. Altímetros, bússolas e relógios de aviação estão catalogados e podem ser adquiridos por valores a partir de R$ 500. Futuramente, esses itens farão parte de uma loja de suvenires oficial do museu aeronáutico.
As estruturas maiores também geram renda por meio de aluguéis temporários para eventos, além do uso por produtoras de TV e cinema. O Boeing 727 da Varig, por exemplo, foi locado por R$ 150 mil para sediar um evento corporativo de final de ano nas imediações do Aeroporto Internacional de Viracopos, um dos principais polos logísticos de carga do país. Além disso, fileiras de poltronas originais são comercializadas por R$ 3.000, no caso da classe econômica com três lugares, e R$ 6.000 para as duas poltronas da primeira classe.
A iniciativa reflete a visão empreendedora do fundador, que atualmente frequenta aulas teóricas e práticas em simuladores para obter o brevê de piloto civil. “O que para você é o fim, para nós é apenas o começo”, costuma declarar o dono do ferro-velho sobre a transformação de carcaças descartadas em polos de memória, entretenimento e novos negócios no interior paulista.