A senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina defendeu, em evento realizado em São Paulo na semana de 23 de março de 2026, a necessidade urgente de um reposicionamento estratégico do agronegócio brasileiro diante das transformações na ordem política mundial. Durante sua apresentação, a parlamentar, que representa Mato Grosso do Sul no Senado, afirmou que o setor produtivo nacional precisa se adaptar a um cenário de instabilidade geopolítica e novas exigências de mercado. Segundo ela, esse movimento é necessário para preservar a competitividade do país e sua relevância no abastecimento global de alimentos.
De acordo com informações do Canal Rural, o debate focou na reconfiguração das relações internacionais e em como essas mudanças afetam diretamente as exportações brasileiras. Tereza Cristina pontuou que o Brasil, como um dos maiores fornecedores de proteína e grãos do mundo, ocupa uma posição central, mas que a manutenção dessa liderança depende de uma postura diplomática e comercial mais assertiva.
Qual o impacto das mudanças globais no agronegócio?
O cenário internacional contemporâneo é caracterizado por uma redistribuição de poder e pela criação de novas barreiras comerciais fundamentadas em critérios ambientais. Para a ex-ministra, o agronegócio brasileiro não pode ignorar essas movimentações. Ela destacou que a imagem do país no exterior está vinculada à capacidade de unir produtividade com preservação, sendo necessário que o setor comunique de forma mais eficiente as práticas sustentáveis que já são realidade em diversas regiões do território nacional.
Além da questão ambiental, a segurança jurídica e a modernização da infraestrutura logística foram citadas como elementos cruciais para o sucesso do reposicionamento. A senadora argumentou que o Brasil precisa oferecer previsibilidade aos investidores e garantir que o escoamento da safra ocorra de maneira eficiente, reduzindo os custos operacionais que ainda pesam sobre o produtor rural brasileiro.
Como o Brasil deve se reposicionar no mercado mundial?
A estratégia sugerida envolve a diversificação de parceiros e a abertura de novos mercados consumidores, especialmente na Ásia e no Oriente Médio. Como o agronegócio tem peso relevante na pauta exportadora brasileira, a dependência excessiva de poucos compradores é vista pelo setor como um ponto de atenção. A parlamentar defendeu que o fortalecimento de acordos bilaterais e a participação ativa em fóruns multilaterais são fundamentais para proteger os interesses nacionais.
Outro pilar desse reposicionamento é a inovação tecnológica. O uso de agricultura de precisão e biotecnologia permite que o país aumente a produção sem a necessidade de expansão de área, respondendo à pressão internacional por conservação florestal. Segundo a senadora, a tecnologia é a chave para transformar desafios climáticos em oportunidades de liderança tecnológica no campo.
Quais os principais desafios para o setor em 2024?
Durante o evento em São Paulo, foram elencados pontos fundamentais que exigem atenção imediata do governo e da iniciativa privada para assegurar o crescimento do agronegócio. Entre os fatores de maior relevância, destacam-se:
- A adaptação às legislações ambientais internacionais, como as exigências da União Europeia.
- O investimento em biocombustíveis e energias renováveis no campo.
- A melhoria do acesso ao crédito rural com taxas mais acessíveis para pequenos produtores.
- A consolidação de uma diplomacia comercial focada na abertura de novos mercados sanitários.
- O fortalecimento da defesa agropecuária para prevenir crises que afetem as exportações.
Por fim, a parlamentar reiterou que o agronegócio é um ativo estratégico de segurança nacional e internacional. Ela concluiu afirmando que o diálogo entre os diferentes poderes e a transparência nas ações governamentais serão os diferenciais para que o Brasil consiga navegar com sucesso nas incertezas da nova ordem global, mantendo seu papel de protagonista na alimentação da população mundial.
