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MPRS denuncia quatro investigados por lavagem de dinheiro na Operação Descuidado II

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Logotipo do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) sobre fundo azul, com marca d'água da operação policial.
Reprodução / www.mprs.mp.br

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio da Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre, formalizou uma denúncia contra quatro investigados acusados de lavagem de dinheiro. O caso é um desdobramento direto da Operação Descuidado II, que apura um esquema de fraude no repasse de verbas da saúde destinadas a prefeituras gaúchas. Segundo a acusação apresentada pelo promotor de Justiça José Eduardo Corsini na última sexta-feira, 20 de março de 2026, o grupo utilizava mecanismos sofisticados para ocultar valores obtidos por meio de crimes contra a administração pública.

De acordo com informações do MP-RS, a investigação contou com o suporte técnico do Departamento de Auditoria e Informações Estratégicas da Secretaria da Saúde (DEASUS/SES). As diligências avançaram após a homologação de um acordo de colaboração premiada, firmado ainda na primeira fase da operação, que permitiu desvendar a estrutura montada para burlar decisões judiciais e manter as atividades ilícitas no estado.

Como funcionava o esquema de fraude na saúde pública gaúcha?

A investigação revelou que os envolvidos criaram uma nova empresa de forma fraudulenta para contornar uma suspensão judicial anterior. Essa decisão impedia que a organização original atuasse em contratos de saúde pública, mas o grupo utilizou o novo CNPJ para retomar a prestação de serviços e a gestão de verbas em diversas localidades. O esquema, desarticulado em fevereiro com o apoio do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), permitiu que o grupo operasse nos seguintes municípios:

  • Três Palmeiras;
  • Campinas do Sul;
  • Faxinalzinho;
  • Eugênio de Castro;
  • Ronda Alta;
  • Vitória das Missões;
  • Bom Princípio;
  • Morro Reuter;
  • Balneário Pinhal.

Embora a apuração trate de contratos em cidades do Rio Grande do Sul, casos desse tipo atingem uma área sensível para todo o país: o uso de recursos públicos da saúde. Fraudes em verbas vinculadas ao SUS e a programas estaduais de atendimento podem comprometer a execução de serviços locais e servem de alerta para mecanismos de controle adotados por prefeituras e órgãos de fiscalização em outras regiões do Brasil.

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Quais foram os crimes de lavagem de dinheiro identificados pelo MPRS?

A denúncia atual foca especificamente na lavagem de capitais, na qual os investigados teriam estruturado um sistema para ocultar bens e conferir aparência de legalidade ao capital desviado. Em um período de apenas três meses, o Ministério Público identificou a movimentação de mais de R$ 107 mil em operações destinadas a mascarar a origem real do dinheiro. O MPRS esclareceu que não há qualquer indício de envolvimento das prefeituras citadas nas práticas criminosas investigadas.

Quem são os denunciados e quais os próximos passos da investigação?

Entre os quatro denunciados pela Promotoria de Justiça Especializada Criminal, estão três empresários que comandavam as operações financeiras e contratuais. A fraude envolvia especificamente recursos do Programa Rede Bem Cuidar, da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul. A apuração apontou que houve a falsificação de documentos diversos para simular o cumprimento de exigências legais do programa estadual. O prejuízo total causado ao erário ainda passa por um processo de contabilização pelos órgãos de controle, enquanto o processo segue para análise do Poder Judiciário.

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