A Enform afirmou que tem ampliado sua atuação no monitoramento de emissões no setor de óleo e gás e prepara a incorporação de novos agentes de inteligência artificial para analisar grandes volumes de dados, identificar inconsistências e apoiar decisões operacionais. A informação foi publicada em 13 de abril de 2026, em entrevista concedida pela diretora de operações da empresa, Maria Fernanda de Carvalho, ao portal setorial. De acordo com informações do Petronotícias, a empresa vê aumento da demanda por esse tipo de tecnologia em meio ao avanço regulatório e ao amadurecimento das estratégias corporativas de descarbonização.
Segundo a executiva, a plataforma da companhia é usada para estruturar e gerenciar continuamente inventários de gases de efeito estufa, com processos automatizados, metodologias auditáveis e rastreabilidade dos dados. A empresa diz que seu sistema combina informações operacionais com recursos de inteligência artificial para melhorar a qualidade dos registros e priorizar oportunidades de redução de emissões sem elevar o esforço das equipes internas.
Como a Enform diz atuar no setor de óleo e gás?
Na entrevista, a empresa descreve sua atuação como a de uma parceira de descarbonização para companhias do setor, conectando dados operacionais ao inventário de emissões de gases de efeito estufa. A proposta, segundo o relato, é transformar o carbono em uma variável de gestão, com impacto sobre decisões operacionais, compliance e planejamento estratégico.
A companhia também informou que possui um módulo de inventário florestal, voltado à mensuração de emissões e de captura de carbono. Ainda de acordo com a entrevista, a plataforma consolida dados de múltiplas fontes operacionais e aplica validações automáticas com apoio de inteligência artificial proprietária para detectar falhas, sugerir melhorias e orientar prioridades.
Quais desafios do monitoramento de emissões foram citados?
Maria Fernanda de Carvalho apontou que os principais obstáculos no setor envolvem qualidade e disponibilidade de dados em campo, integração entre sistemas e necessidade de rastreabilidade para auditorias e relatórios. A executiva também mencionou a complexidade de consolidar diferentes escopos e fontes de emissão com consistência metodológica.
Entre os pontos destacados na entrevista estão fontes como combustão, flaring, venting e emissões fugitivas, além da gestão de combustível. Segundo a executiva, esse último item ganha relevância diante de iniciativas de financiamento e incentivo à descarbonização, como o Programa BNDES Azul, citado como exemplo de mecanismo que exige maior controle, transparência e comprovação de ganhos ambientais.
- Qualidade e disponibilidade de dados em campo
- Integração entre sistemas de medição, manutenção e produção
- Rastreabilidade para auditorias e relatórios
- Consolidação metodológica de diferentes fontes de emissão
- Gestão de combustível com comprovação de ganhos ambientais
O que a empresa projeta para os próximos passos?
Como desdobramento dessa estratégia, a Enform informou que pretende incorporar agentes de IA capazes de analisar grandes volumes de dados de emissões, identificar inconsistências, priorizar oportunidades de abatimento e apoiar a tomada de decisão. A empresa também sinalizou a intenção de avançar em ativos e operações mais complexas, acompanhando o que classifica como amadurecimento do mercado.
“Em breve, também vamos compartilhar novidades relacionadas a parcerias e à expansão da nossa atuação em ativos e operações mais complexas, acompanhando a maturidade crescente do mercado”
No balanço apresentado pela diretora de operações, a demanda do setor tem crescido com a evolução regulatória no Brasil e com pressões internacionais. A entrevista cita a estruturação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, identificado pela sigla SBCE, como um dos fatores que vêm ampliando o interesse por inventários mais robustos, auditáveis e integrados à operação.
No cenário internacional, a executiva também mencionou metas de descarbonização da IMO para operações marítimas e cadeias logísticas associadas. Segundo ela, esse contexto tem levado armadores, operadores offshore e empresas de apoio marítimo a buscar maior controle sobre dados operacionais, consumo de combustível, eficiência energética e conformidade com indicadores de intensidade de carbono.
Por que esse movimento é relevante para o mercado?
De acordo com a entrevista, o avanço regulatório e as exigências de mercado tendem a fazer com que o inventário de emissões deixe de ser apenas um relatório de conformidade e passe a ser tratado como ferramenta de gestão. Nessa lógica, medir emissões com mais precisão, integrar bases de dados e associar carbono a risco, custo e eficiência operacional passa a ter peso maior nas decisões empresariais.
A avaliação da Enform é que o setor de óleo e gás vive um momento decisivo para integrar a gestão de carbono à rotina operacional. No texto original, a companhia relaciona essa transformação a temas como consumo de combustível, eficiência energética, priorização de investimentos e redução de custos, sempre dentro da agenda de descarbonização.