Modernização da rede elétrica depende de dados íntegros, aponta análise setorial - Brasileira.News
Início Energia & Clima Modernização da rede elétrica depende de dados íntegros, aponta análise setorial

Modernização da rede elétrica depende de dados íntegros, aponta análise setorial

0
1

A modernização da rede elétrica enfrenta um obstáculo central ligado à qualidade e à integração de dados, segundo análise publicada em 27 de abril de 2026 pela Utility Dive, em conteúdo patrocinado pela envelio, Inc.. O texto afirma que concessionárias de energia, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, lidam com crescimento de carga, expansão de recursos energéticos distribuídos e novas exigências regulatórias, mas que o principal entrave para ampliar iniciativas de digitalização não é a tecnologia em si, e sim a consistência das informações usadas no planejamento e na operação. De acordo com informações da Utility Dive, empresas europeias já enfrentaram quadro semelhante e passaram a tratar os dados como ativo estratégico para a transformação da rede.

O artigo descreve que as distribuidoras operam com múltiplos sistemas, como GIS, gestão de ativos, MDM, SCADA, ERP e ferramentas de engenharia. Separadamente, esses sistemas funcionam, mas ao longo do tempo surgem divergências entre eles, como potências de transformadores desatualizadas ou projetos aprovados, mas ainda não instalados, fora dos modelos de planejamento. Na prática, isso afeta análises de conexão, cálculos de capacidade de hospedagem, simulações de fluxo de carga, planejamento da distribuição e preparação de processos tarifários.

Por que a qualidade dos dados passou a ser tratada como questão estrutural?

Segundo o texto, concessionárias de referência concluíram que o problema não decorre apenas de falta de pessoal, mas de uma questão estrutural de dados. A resposta adotada por essas empresas foi consolidar sistemas isolados em um modelo único e validado da rede, com sincronização contínua e identificação de inconsistências. O conteúdo cita a chamada Intelligent Grid Platform (IGP) como camada de integração e validação sobre sistemas já existentes.

A publicação relaciona esse cenário a mudanças mais amplas no setor, como o avanço da eletrificação, o aumento de recursos energéticos distribuídos e maior pressão regulatória por prazos de conexão, transparência na capacidade da rede e planejamento tecnicamente defensável. Nesse contexto, medidores avançados, portais digitais de conexão, ADMS e sistemas de gestão de DER aparecem como parte da modernização, mas dependentes de uma base de dados confiável.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

Quais resultados foram relatados por distribuidoras europeias?

Um dos casos citados é o da distribuidora alemã E.DIS, que atua em Brandemburgo e Mecklenburg-Vorpommern. Segundo o artigo, a empresa enfrentava cerca de 2.500 pedidos de conexão por ano, com crescimento em torno de 25% anuais. Antes, a avaliação técnica exigia localização manual em GIS, preparação manual da rede e exportações individuais para software de cálculo. Um único pedido podia levar de vários dias a algumas semanas, dependendo da complexidade.

Após implementar um modelo unificado e digitalizar o fluxo de conexão com a IGP, a duração da avaliação técnica caiu de dias para minutos, e a carga de trabalho interna dos planejadores de rede foi reduzida em 20%, de acordo com o texto. A publicação afirma que isso permitiu processar mais solicitações com maior eficiência, mantendo conformidade com prazos regulatórios.

Outro exemplo apresentado é o da Syna GmbH, que atende aproximadamente 940 mil consumidores de energia. Com o aumento de usinas solares, pontos de recarga para veículos elétricos e bombas de calor, o trabalho dos planejadores cresceu. Antes da adoção de um modelo digital da rede, testes de compatibilidade para instalações maiores podiam levar até oito horas por solicitação. Depois da implantação do chamado gêmeo digital e da automação dos estudos de conexão, o mesmo processo passou a ser concluído em cerca de 10 a 15 minutos, segundo o artigo.

“After the rollout of the IGP, we are now able to refer to specific KPIs, such as [areas of the grid] with high utilization rates. As a positive side effect, there is now significantly increased awareness of the importance of data quality.”

A declaração acima é atribuída no texto a Dennis Theis, chefe de Tecnologias Digitais de Rede da Syna. A publicação também informa que a modelagem automatizada da rede passou a contar com atualizações diárias e que a qualidade dos dados nos sistemas de origem melhorou de forma significativa.

Como a transparência dos dados influencia o planejamento da rede?

O artigo também menciona a FairNetz, responsável por mais de 120 mil consumidores de energia. Segundo o conteúdo, a empresa buscava digitalizar e automatizar processos em massa relacionados a estudos de conexão, ao mesmo tempo em que reforçava a qualidade dos dados. Nos primeiros meses após a implementação de um modelo unificado e computável da rede, cerca de 1.000 solicitações de conexão foram executadas em produção.

  • 99% dos pedidos ligados a usinas solares foram parcial ou totalmente automatizados
  • 90% das solicitações referentes a estações de recarga de veículos elétricos foram parcial ou totalmente automatizadas
  • Exportações regulares e automatizadas de dados processuais passaram a alimentar sistemas posteriores

O texto diz ainda que a maior transparência revelou inconsistências relevantes. Em um caso, a análise identificou aproximadamente 25 MW de capacidade de aquecimento por armazenamento representados de forma incorreta no sistema, o equivalente a cerca de 6% da capacidade de subestação, permitindo correções nas premissas de planejamento.

“It was only after we introduced the IGP that we were able to identify the grid segments that showed unsatisfactory data quality. After that, we were able to swiftly determine the data inconsistencies and gaps and subsequently clean up the data.”

Essa fala é atribuída a Mona Keller, chefe de Gestão de Ativos e Planejamento Estratégico da FairNetz.

Já a Helen Electricity Network, que atende cerca de 410 mil clientes na região de Helsinque, usou a plataforma para desenvolver um gêmeo digital completo em alimentadores e subestações e modelar cenários de eletrificação em horizontes de cinco, dez e 15 anos. Segundo o texto, isso permitiu identificar gargalos futuros e necessidades de reforço com antecedência.

“Customers’ new solutions – heat pumps and electric car charging – can challenge the limits of the grid. We need to explore, in different scenarios, how customers’ electricity use may evolve and affect the grid in the future. This will allow us to target investments more efficiently.”

A declaração é atribuída a Juhani Lepistö, analista de rede da Helen Electricity Network.

Qual é a conclusão central da análise?

De acordo com o artigo, o ponto comum entre os casos apresentados não foi apenas a automação, mas a criação de uma base de dados validada e continuamente sincronizada da rede. A análise sustenta que, diante da crescente complexidade operacional, a qualidade dos dados deixou de ser apenas uma iniciativa de tecnologia da informação e passou a ser tratada como infraestrutura.

O texto conclui que concessionárias que pretendem escalar a modernização da rede precisarão garantir, antes de tudo, que seus modelos representem a realidade operacional. Em síntese, a avaliação publicada afirma que a modernização não começa na automação, mas na integridade dos dados.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here