O futebol mundial se despede de um de seus nomes mais duradouros. O técnico e ex-jogador romeno Mircea Lucescu faleceu na terça-feira, dia sete, aos 80 anos, em Bucareste, capital da Romênia, em decorrência de problemas cardíacos. A trajetória do profissional é marcada por uma longevidade incomum no esporte, somando mais de seis décadas ininterruptas de atuação nos gramados e à beira do campo.
De acordo com informações do UOL Notícias, o lendário treinador manteve uma relação diária com a modalidade esportiva desde o ano de 1963 até a atualidade. Sua morte encerra o ciclo de um profissional que não conheceu hiatos relevantes durante toda a sua vida adulta ligada ao esporte.
Como foi a trajetória de Mircea Lucescu como jogador?
A jornada profissional começou no ano de 1963, vestindo as cores do Dínamo de Bucareste. Como ponta-direita de destaque, o atleta defendeu a camisa de seu país natal, embora as severas tensões políticas entre o leste e o oeste europeu limitassem drasticamente as transferências internacionais na época. Consequentemente, ele construiu quase a totalidade de sua carreira como jogador dentro do território romeno.
O ponto alto de sua fase atuando dentro das quatro linhas ocorreu com a seleção nacional, equipe pela qual jogou durante 14 anos e que capitaneou durante a Copa do Mundo de 1970, disputada no México. Naquela ocasião esportiva, ele esteve em campo durante a derrota por três a dois para a seleção do Brasil, que contava com o astro Pelé e que viria a conquistar a taça Jules Rimet dias depois do confronto.
Quais foram as principais conquistas do técnico na Europa?
A transição para a função de treinador começou no ano de 1979, mesmo antes de sua aposentadoria oficial como atleta, que ocorreu de fato em 1982. Na década de 1990, teve a rara oportunidade de comandar a tradicional equipe da Inter de Milão no campeonato da Itália, trabalhando ao lado de estrelas consagradas como o brasileiro Ronaldo Fenômeno e o italiano Roberto Baggio. No entanto, o desempenho inconstante encurtou o trabalho no clube italiano.
O reconhecimento internacional verdadeiro e duradouro veio principalmente no comando do clube Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, onde o técnico permaneceu no cargo principal durante 13 anos. Durante esse longo período, o treinador formou elencos vitoriosos com forte presença de jogadores nascidos no Brasil, como o volante Fernandinho e o atacante Luiz Adriano, além de aprender a falar a língua portuguesa para se comunicar melhor com os atletas sul-americanos.
Entre os diversos troféus levantados sob o seu comando tático, destacam-se os seguintes feitos expressivos:
- Conquista de 21 títulos nacionais em diversas competições ucranianas pelo time do Shakhtar Donetsk;
- A taça da Copa da Uefa no ano de 2009, considerada até hoje o título internacional mais relevante do clube ucraniano;
- Passagens com taças levantadas por outras equipes da periferia europeia, como o Dínamo de Kiev, Galatasaray, Besiktas e Zenit;
- Um total impressionante de 38 taças vencidas apenas na função de treinador principal;
- Soma geral de 47 troféus oficiais ao longo de toda a sua vida profissional dentro das arenas esportivas.
Por que a longevidade de sua carreira é histórica?
A marca exata de 63 anos dedicados de forma contínua ao esporte coloca o profissional em um patamar raro e praticamente inigualável na história da modalidade contemporânea. O nível de respeito alcançado em sua região o equipara a figuras icônicas como Valeriy Lobanovskyi, idealizador do chamado futebol científico que revolucionou a tática esportiva nas décadas passadas no leste europeu.
Para compreender a magnitude absoluta desse feito cronológico, a comparação com o tempo de atividade de outros grandes nomes ilumina a dimensão da marca. O comandante do Brasil Luiz Felipe Scolari encerrou sua carreira somando 58 anos de atuação técnica e como jogador. Já referências icônicas como o escocês Alex Ferguson e o italiano Giovanni Trapattoni acumularam 56 anos de serviços ininterruptos prestados aos gramados antes da aposentadoria definitiva.
Atualmente, avaliando nomes que ainda permanecem na ativa em grandes palcos do esporte mundial, profissionais de elite como o italiano Carlo Ancelotti atingiram a marca de 50 anos de carreira no campo e no banco de reservas. Esse cenário evidencia de maneira clara o quão desafiador e desgastante é igualar ou tentar superar as mais de seis décadas de dedicação do comandante romeno recém-falecido.