O escritor e criador da aclamada franquia Metro, Dmitry Glukhovsky, afirmou recentemente que o próximo capítulo da saga, intitulado Metro 2039, transcende o conceito de um simples videogame. Para o autor, a obra funcionará como uma representação crítica e profunda da guerra em curso entre a Rússia e a Ucrânia, que impacta a região desde 2022.
Metro 2039 vai ser um grande espelho da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
De acordo com informações do Adrenaline, Glukhovsky vê no novo projeto uma oportunidade de utilizar a narrativa pós-apocalíptica para processar os traumas e as divisões causadas pela invasão militar. O autor, conhecido por suas críticas abertas ao governo russo, tem utilizado suas plataformas para denunciar as ações do Kremlin, o que confere ao desenvolvimento de Metro 2039 uma camada adicional de relevância política e social no cenário do entretenimento digital.
Como Metro 2039 aborda a realidade do conflito?
Dmitry Glukhovsky argumenta que a essência da série Metro sempre esteve ligada à sobrevivência da humanidade em condições extremas e às falhas das ideologias políticas. No contexto de Metro 2039, essa premissa é intensificada para refletir os horrores da invasão em solo ucraniano e as consequências internas na sociedade russa. A narrativa busca explorar como a propaganda e a agressão militar moldam a percepção da realidade e o futuro das gerações envolvidas diretamente no embate.
A franquia, que nasceu na literatura e ganhou fama global com os jogos desenvolvidos pela 4A Games, tradicionalmente utiliza os túneis do metrô de Moscou como um microcosmo da sociedade. Em Metro 2039, espera-se que essa metáfora seja expandida para incluir elementos que remetam aos eventos contemporâneos, transformando a experiência do jogador em uma forma de reflexão sobre a atualidade geopolítica do Leste Europeu e a fragilidade da paz mundial.
Qual a posição de Dmitry Glukhovsky perante a justiça?
É importante ressaltar que Glukhovsky vive atualmente em exílio e foi condenado à revelia pela justiça russa devido às suas postagens e críticas contundentes contra as forças armadas de seu país de origem. Essa condição pessoal do autor influencia diretamente o tom de suas obras recentes. Ele defende que o papel do artista é não se calar diante de injustiças, utilizando a ficção científica e o gênero distópico como ferramentas de denúncia e conscientização.
O desenvolvimento de novos projetos da marca ocorre em um período em que muitos integrantes da equipe original da desenvolvedora, que possui raízes em Kiev, foram forçados a se deslocar ou vivenciaram os bombardeios de perto. Esse fator humano contribui para que o jogo possua uma autenticidade emocional que, segundo o criador, o separa de outros títulos do gênero de tiro em primeira pessoa.
- Uso da distopia como crítica social direta à invasão na Ucrânia;
- Foco na desumanização causada por conflitos ideológicos prolongados;
- Parceria contínua entre o autor e desenvolvedores impactados pela guerra;
- Exploração de temas como exílio, resistência e a busca pela verdade em tempos de censura estatal.
O que esperar da narrativa em comparação aos jogos anteriores?
Diferente de Metro 2033 ou Metro Exodus, que focavam prioritariamente na exploração e na descoberta de um mundo devastado, Metro 2039 deve carregar um peso moral mais acentuado. O objetivo é confrontar o público com as escolhas difíceis que surgem quando o nacionalismo é levado ao extremo. Glukhovsky sugere que o projeto não visa apenas o entretenimento comercial, mas a preservação de uma memória histórica e cultural em meio ao caos político.
A expectativa é que o título utilize tecnologias de ponta para imergir o jogador em cenários que, embora fictícios, guardam semelhanças perturbadoras com centros urbanos afetados por ataques recentes. A declaração de que a obra vai além de um mero game reforça o compromisso da franquia com a profundidade literária e a responsabilidade social, marcas registradas do trabalho de Glukhovsky desde o lançamento de seu primeiro livro, que deu origem a todo o universo Metro.