A governadora de Nova York, Kathy Hochul, anunciou em 23 de março de 2026 uma proposta para revisar a legislação climática do estado e adiar exigências ligadas à meta de redução de emissões até 2030. A mudança foi apresentada em um artigo de opinião republicado no site do governo estadual e, segundo a governadora, busca responder a custos elevados, inflação, problemas na cadeia de suprimentos e mudanças no cenário federal dos Estados Unidos. De acordo com informações do ESG Today, a meta final de 2050 seria mantida.
O tema tem alcance além dos Estados Unidos porque Nova York é um dos principais centros financeiros do mundo, e mudanças em regras climáticas locais costumam ser acompanhadas por empresas, investidores e formuladores de políticas em outros países, inclusive no Brasil. O debate também dialoga com discussões brasileiras sobre o ritmo da transição energética e o peso de custos regulatórios sobre consumidores e setores produtivos.
A lei climática de Nova York, sancionada em 2019 pelo então governador Andrew Cuomo, determina uma redução de pelo menos 85% das emissões de gases de efeito estufa até 2050, com emissões residuais compensadas por remoção de carbono e offsets. O texto também estabeleceu uma meta intermediária de corte de 40% nas emissões em toda a economia até 2030 e obrigou o Departamento de Conservação Ambiental de Nova York, o DEC, a adotar até 2024 regulações para fazer cumprir esses objetivos.
O que a governadora quer mudar na lei climática?
Na proposta divulgada por Hochul, a obrigação de editar regulações para reduzir as emissões de gases de efeito estufa seria empurrada para o fim de 2030. Essas novas regras passariam a estar vinculadas a uma nova meta de redução de emissões para 2040, enquanto o objetivo final de 2050 permaneceria em vigor.
O debate ocorre também porque o estado ainda não havia editado as regulações exigidas pela legislação. No fim de 2025, a Suprema Corte de Nova York determinou que o DEC emitisse essas regras no início de 2026, a menos que a lei fosse alterada.
Por que Hochul afirma que a meta de 2030 se tornou inviável?
Ao justificar a proposta, a governadora afirmou que muita coisa mudou desde a aprovação da lei e que seriam necessários ajustes que classificou como de bom senso. Entre os fatores citados por ela estão a inflação no período pós-Covid e as disrupções nas cadeias de suprimentos.
Hochul também atribuiu parte do problema a mudanças em Washington. No texto, ela criticou o governo Trump e políticos republicanos, afirmando que houve um ataque às energias renováveis e aos incentivos tributários que, segundo ela, estimulavam empresas a investir e moradores a migrar para soluções de menor emissão.
“Sem um parceiro federal, há um limite para o que os estados podem fazer por conta própria.”
A governadora argumentou ainda que, nas condições atuais, cumprir as metas de 2030 exigiria impor novos custos a empresas e moradores de Nova York. Segundo ela, esse peso econômico precisa ser levado em conta na formulação da política climática estadual.
Quais pontos centrais estão em discussão?
- adiamento da exigência de regulações climáticas para o fim de 2030;
- substituição do foco imediato da meta intermediária por um novo objetivo para 2040;
- manutenção da meta final de 2050 prevista na lei;
- impacto de inflação e gargalos de suprimentos sobre a transição climática;
- efeitos de mudanças na política federal dos Estados Unidos.
Em outra passagem reproduzida no artigo, Hochul disse que não pretende abandonar os objetivos climáticos do estado, mas indicou que a acessibilidade econômica deve orientar as decisões do governo. A posição expõe uma disputa entre prazos legais já estabelecidos e a avaliação política de que o cronograma atual se tornou difícil de executar sem aumento de custos.
“Como governadora, não posso deixar que isso aconteça. Embora eu continue comprometida em trabalhar para alcançar nossas metas, com toda a pressão que nossos moradores enfrentam, os nova-iorquinos esperam que seus representantes eleitos priorizem a acessibilidade econômica.”
A proposta ainda recoloca no centro do debate a implementação da Lei Climática de Nova York, especialmente em relação ao equilíbrio entre metas ambientais obrigatórias, capacidade regulatória do estado e custos para a economia local. Para o leitor brasileiro, a discussão ajuda a ilustrar como metas climáticas legais podem esbarrar em pressões inflacionárias, disputas judiciais e mudanças de orientação política, temas que também aparecem em debates sobre infraestrutura, energia e descarbonização no Brasil. Até o momento, o que foi apresentado é a intenção de alterar a legislação para postergar etapas da política climática, preservando a meta de longo prazo para 2050.
