A Meta planeja demitir cerca de 10% de sua força de trabalho em 2026, com uma primeira leva prevista para começar em 20 de maio, segundo reportagem publicada pelo Mundo Conectado com base em apuração da Reuters. A empresa deve iniciar os desligamentos nos Estados Unidos e em outras unidades, em meio a uma reestruturação que atinge áreas como Reality Labs, Facebook, recrutamento, vendas e operações globais. O movimento ocorre enquanto a companhia amplia investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, redirecionando recursos para data centers, GPUs e sistemas ligados aos modelos Llama.
De acordo com informações do Mundo Conectado, a primeira fase deve atingir cerca de oito mil trabalhadores, número equivalente a 10% dos 78.865 colaboradores registrados pela companhia no fim do ano passado. Uma segunda rodada de cortes está prevista para o segundo semestre, mas ainda sem data definida nem volume confirmado.
Como será a primeira fase dos cortes na Meta?
Segundo o texto original, notificações registradas sob a lei WARN Act na Califórnia já confirmaram 124 dispensas no escritório de Burlingame, com efeito a partir de 22 de maio, e outras 74 no campus de Sunnyvale, válidas em 29 de maio. O restante dos cortes deve ser distribuído por outras unidades da empresa nos Estados Unidos e no exterior.
Essa não é a primeira redução de pessoal da companhia em 2026. Em janeiro, a Meta já havia desligado entre 1.000 e 1.500 funcionários da Reality Labs, divisão responsável por produtos de realidade virtual e aumentada, além de encerrar vários estúdios voltados a jogos em VR. Em março, mais 700 pessoas foram dispensadas em ao menos cinco áreas. Ainda de acordo com a reportagem, desde 2022, Mark Zuckerberg já eliminou em torno de 25 mil postos de trabalho.
Por que a empresa está cortando funcionários?
O texto destaca que a Meta fechou 2025 com receita acima de US$ 200 bilhões e lucro líquido de US$ 60 bilhões, o que afasta a hipótese de uma crise financeira como causa principal da reestruturação. A justificativa apontada na reportagem é o redirecionamento de capital para a expansão da infraestrutura de inteligência artificial.
A previsão de investimentos de capital para 2026 fica entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões, quase o dobro dos US$ 72,2 bilhões gastos em 2025. Esses recursos devem ser destinados a:
- data centers;
- GPUs;
- estrutura de suporte aos modelos Llama;
- sistemas de recomendação das redes sociais.
Entre os compromissos citados está uma joint venture de US$ 27 bilhões com a Nebius para construir um campus de data center em escala gigawatt no estado da Louisiana. A diretora financeira Susan Li afirmou, segundo o texto original:
“Devemos ver aceleração significativa no crescimento das despesas com infraestrutura à medida que os custos operacionais e de depreciação dos novos data centers entrem no balanço.”
O que muda na gestão interna da Meta?
A reorganização também alcança a estrutura técnica da companhia. Engenheiros estão sendo realocados para grupos focados em inteligência artificial sob o comando do Superintelligence Labs, unidade liderada por Alexandr Wang, fundador da Scale AI, contratado pela Meta em 2025 como Chief AI Officer.
Ao mesmo tempo, a área de recursos humanos reformulou o sistema de avaliação de desempenho. Os funcionários passaram a ser classificados em quatro faixas, com maior vulnerabilidade aos desligamentos entre os grupos de menor avaliação. O texto também informa que profissionais considerados de elite podem receber bônus de até 300% sobre o salário-base, enquanto executivos seniores receberam pacotes de stock options atrelados a metas de valorização de mercado.
Esse movimento se limita à Meta?
Não. A reportagem afirma que o setor de tecnologia acumula mais de 95 mil demissões em 2026, distribuídas por 247 eventos de layoff. O texto cita ainda cortes promovidos por Amazon e Oracle, também associados à liberação de caixa para investimentos em inteligência artificial.
Segundo a publicação, o cenário indica uma mudança mais ampla no Vale do Silício: empresas lucrativas estariam reduzindo equipes para financiar a infraestrutura necessária ao próximo ciclo de desenvolvimento em IA. Nesse contexto, a Meta aparece como um dos casos mais emblemáticos dessa transição, ao combinar demissões em larga escala com expansão bilionária em tecnologia.