
O cenário corporativo global voltado para os critérios de Ambiental, Social e Governança (ESG) registrou movimentações contundentes durante a semana encerrada no dia 5 de abril de 2026. Essas dinâmicas internacionais impactam diretamente o Brasil, que precisa adaptar seus setores exportadores às novas exigências e busca consolidar seu papel na transição energética global. Diversas corporações multinacionais, ao lado de órgãos reguladores internacionais, anunciaram novos aportes financeiros, parcerias estratégicas e, em alguns casos, o recuo em compromissos climáticos anteriormente estabelecidos, refletindo os desafios práticos da transição energética em diferentes setores da economia.
De acordo com informações do ESG Today, os acontecimentos da semana englobam desde mudanças no mercado de carbono do continente europeu até investimentos milionários em infraestrutura de inteligência artificial e tecnologias de armazenamento de energia livre de lítio, demonstrando a diversificação das frentes de atuação sustentável no mercado global.
Quais foram as principais decisões corporativas sobre sustentabilidade?
No setor de alimentos e bebidas, a Nestlé lançou um projeto em conjunto com a Organização Internacional do Trabalho focado na melhoria e garantia dos direitos humanos dentro da cadeia de suprimentos de café. A iniciativa é de especial interesse para o Brasil, atual maior produtor e exportador mundial do grão. Paralelamente, no segmento de recuperação de materiais, o Departamento de Energia dos Estados Unidos formou uma parceria com a Amazon para recuperar materiais críticos provenientes de resíduos tecnológicos e de vestuário.
A indústria automobilística também apresentou avanços significativos. A montadora japonesa Toyota revelou seus planos para ingressar na joint venture de células de combustível a hidrogênio, atualmente composta pela Volvo e pela Daimler. Enquanto isso, a bolsa de valores Nasdaq e a empresa de pagamentos Adyen adquiriram os primeiros créditos de carbono alinhados com a nova padronização estabelecida pela União Europeia.
No entanto, a semana também foi marcada por reavaliações de compromissos. A companhia de energia TotalEnergies, que possui forte atuação nos setores de exploração de petróleo e de energias renováveis no mercado brasileiro, emitiu um comunicado afirmando que não pode formular metas de emissões líquidas zero. A empresa justificou a decisão alegando que o limite de aquecimento global de 1,5°C está fora de alcance devido ao ritmo mais lento do que o necessário na transição energética mundial.
Como as gigantes da tecnologia e as entidades reguladoras estão atuando?
Três grandes corporações do mercado global — Google, Meta e McKinsey — assinaram novos acordos focados na remoção de emissões de carbono, baseados exclusivamente em projetos de reflorestamento localizados nos Estados Unidos. Além disso, o Google firmou um contrato de longo prazo com a American Express Global Business Travel e a plataforma de Combustível Sustentável de Aviação da Shell, visando reduzir as emissões atreladas a viagens corporativas.
No âmbito governamental e regulatório, a Comissão Europeia deu início à primeira etapa de suas reformas planejadas para o Sistema de Comércio de Emissões (ETS, na sigla em inglês). A medida regulatória, que pode refletir indiretamente nos custos de exportadores brasileiros que comercializam com o bloco, foi implementada em meio a fortes pressões vindas da indústria continental. Na área de relatórios de sustentabilidade, a Global Reporting Initiative (GRI) publicou novas propostas de padrões para a divulgação de dados referentes à poluição empresarial, diretrizes que frequentemente balizam os balanços das empresas listadas na bolsa brasileira (B3).
Quais ferramentas e investimentos movimentaram o capital de risco?
O mercado de ferramentas e serviços focados em ESG também registrou aquisições e lançamentos. A empresa Novisto concluiu a compra da fornecedora de software de contabilidade de carbono Minimum. Por sua vez, a Kayrros lançou uma nova plataforma de avaliação de riscos voltada para a biodiversidade, destinada a auxiliar investidores em suas análises de portfólio.
Por fim, o setor de capital de risco e private equity realizou expressivas captações financeiras para impulsionar o desenvolvimento de soluções ecológicas e tecnológicas em diversas verticais da indústria sustentável:
- A empresa Emerald AI levantou US$ 25 milhões para alinhar o uso de energia em data centers com a capacidade das redes elétricas.
- A EnerVenue captou US$ 300 milhões com o objetivo de escalar suas soluções de armazenamento de energia que não utilizam lítio.
- A startup TerraSpark conseguiu arrecadar 5,4 milhões de euros para desenvolver o fornecimento de energia solar gerada diretamente do espaço.
- A empresa Fairglow levantou três milhões de euros com a finalidade de descarbonizar a cadeia de suprimentos da indústria da beleza.