Manuela d’Ávila, pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul, afirmou que a derrota da extrema direita é condição para recolocar no centro do debate político temas como projeto nacional, trabalho e qualidade de vida. As declarações foram publicadas neste sábado, 18 de abril de 2026, em entrevista citada pela Revista Fórum, a partir de conversa com o jornalista Juca Kfouri, na TVT. Ao analisar o cenário para as eleições de 2026, ela defendeu a manutenção da frente ampla em torno do governo Lula, mas disse que essa aliança não deve eliminar divergências programáticas.
De acordo com informações da Revista Fórum, a ex-deputada federal relaciona sua volta à disputa eleitoral a uma leitura estratégica sobre o avanço do bolsonarismo, especialmente na corrida pelo Senado. Segundo ela, a oposição trabalha com diferentes cenários para ampliar poder político, inclusive sem vencer a Presidência da República.
“Precisamos derrotar a extrema direita para voltar a falar sobre o que é importante. O que é importante? Um projeto nacional que garanta que as nossas mulheres e homens trabalhadores recebam bem, vivam bem”
Por que Manuela d’Ávila diz que o Senado será central em 2026?
Na entrevista, Manuela afirmou que a disputa pelo Senado terá peso decisivo no próximo ciclo político. Ao justificar sua pré-candidatura, ela disse ver risco de fortalecimento da oposição na Casa e sustentou que esse movimento poderia afetar a governabilidade de um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Eles têm plano A e plano B. Plano A, ganham a eleição presidencial; plano B, perdem, mas ganham maioria no Senado, impedem Lula de governar”
A avaliação apresentada por ela é de que o campo progressista precisa combinar unidade eleitoral com formulação política. Nesse raciocínio, a aliança para enfrentar a extrema direita seria necessária, mas insuficiente se não vier acompanhada de propostas para questões sociais, econômicas e ambientais.
Como ela descreve a articulação eleitoral no Rio Grande do Sul?
Ao tratar do cenário gaúcho, Manuela citou uma composição em construção entre PDT, PT e PSOL para a disputa estadual. Segundo a política, a aliança deve ser liderada por Juliana Brizola, com a possibilidade de Edegar Pretto na vice e de candidaturas ao Senado envolvendo ela própria e Paulo Pimenta. Do outro lado, mencionou a candidatura do PL com Zucco e apontou rearranjos de forças à direita no estado.
Também afirmou que a eleição para o Senado exigirá estratégia conjunta entre candidaturas do mesmo campo político. Na visão dela, por se tratar de uma disputa com dois votos, as campanhas precisam atuar de forma coordenada para ampliar alcance regional e transferir apoio entre diferentes bases eleitorais.
- aliança entre PDT, PT e PSOL no Rio Grande do Sul;
- possível chapa com Juliana Brizola e Edegar Pretto;
- disputa ao Senado com nomes como Manuela d’Ávila e Paulo Pimenta;
- avaliação de maior polarização e vulnerabilidade do centro político.
“Se nós conseguirmos compreender que essa é uma eleição de dois votos, não haverá campanha Manuela sem Pimenta e Pimenta sem Manuela”
O que ela defende sobre a frente ampla e as pautas da esquerda?
Manuela afirmou que a frente ampla deve ser preservada, mas criticou a ideia de que essa aliança precise uniformizar posições. Para ela, a diversidade interna da coalizão é parte de sua força política e eleitoral. Seu argumento é que diferentes setores estão unidos pela defesa da democracia e pela contenção da extrema direita, embora mantenham visões distintas sobre desenvolvimento econômico e prioridades de governo.
Como exemplo, ela citou o debate em torno do arcabouço fiscal. Segundo a ex-deputada, há setores que defendem maior investimento público como motor do desenvolvimento, em contraste com posições atribuídas à equipe econômica do ministro Fernando Haddad. Para Manuela, reconhecer essas diferenças não enfraquece a frente ampla, mas evita o que chamou de “pasteurização” da aliança.
“Se a frente é ampla, ela é diversa. Tem gente de esquerda que acha que a frente ampla deve anular a diversidade da frente. Eu não acho”
Quais temas ela diz que precisam voltar ao centro do debate?
Além da disputa institucional, Manuela defendeu que a política volte a tratar de agendas concretas para o futuro. Entre os temas citados por ela estão a emergência climática e as condições de vida das mulheres trabalhadoras. A ex-deputada também associou representação política à capacidade de traduzir experiências sociais específicas em propostas públicas.
“Tu acha que tem sentido eu, que tenho 44 anos, ter uma candidatura que não aponte agendas para o futuro, que não coloque no centro a emergência climática, que não coloque no centro a luta das mulheres trabalhadoras?”
No mesmo sentido, ela encerrou a argumentação defendendo presença de representantes identificados com o mundo do trabalho e com demandas sociais concretas. A fala reforça a linha central de sua entrevista: enfrentar a extrema direita, manter a frente ampla e, ao mesmo tempo, preservar debate programático sobre os rumos do país.