O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca na quinta-feira, 16 de abril de 2026, para uma viagem de seis dias pela Europa, com compromissos na Espanha, na Alemanha e em Portugal. A agenda inclui uma cúpula com o premiê espanhol Pedro Sánchez, participação em um fórum sobre democracia, presença na Hannover Messe e reuniões bilaterais em Lisboa. Segundo o texto, a comitiva reúne ao menos 14 ministros e presidentes de estatais, e o governo estima mais de 30 acordos e anúncios, sobretudo com Espanha e Alemanha. De acordo com informações do Poder360, a viagem é a maior agenda diplomática do ano para o presidente.
De acordo com a reportagem, a viagem tem três objetivos centrais: aprofundar laços com aliados que ajudaram a viabilizar o acordo Mercosul-União Europeia, posicionar o Brasil na defesa da democracia com vistas ao cenário político de 2026 e buscar abertura de mercado para a agenda de reindustrialização do país.
O que Lula vai fazer na Espanha?
A primeira etapa da viagem será em Barcelona. O principal compromisso é a cúpula bilateral com Pedro Sánchez, marcada para sexta-feira, 17 de abril. A reunião deve resultar na assinatura de atos nas áreas de igualdade de gênero, ciência e tecnologia, saúde, cultura, empreendedorismo e serviços aéreos. Um memorando sobre minerais críticos, segundo a reportagem, também está em negociação.
O contexto comercial dá peso à visita. O texto informa que, em 2024, a Espanha foi o quinto maior destino global das exportações brasileiras e mantinha estoque de cerca de US$ 50 bilhões em investimentos no Brasil, com mais de mil empresas operando no país. A entrada provisória em vigor do acordo Mercosul-União Europeia em primeiro de maio também aparece como pano de fundo da agenda. Após a cúpula, Lula deve se reunir com empresários brasileiros e espanhóis dos setores de transporte, seguros, finanças e energia.
Qual será o foco do Fórum de Defesa da Democracia?
No sábado, 18 de abril, Lula participa do Fórum de Defesa da Democracia, criado em parceria com Sánchez em 2024 e que chega à quarta edição. Segundo a reportagem, o encontro deve reunir líderes de ao menos 16 países, entre eles Claudia Sheinbaum, do México, e Gustavo Petro, da Colômbia. Os eixos previstos são multilateralismo, desigualdades e combate à desinformação.
Ainda conforme o texto original, o Brasil deve defender a candidatura de Michelle Bachelet para a sucessão de António Guterres na Organização das Nações Unidas. Também é estimada a criação de uma mesa de democracia digital, coordenada pela Secretaria de Políticas Digitais do Planalto, com foco na articulação de agendas regulatórias entre os países participantes. Entre os temas em discussão está uma possível declaração política sobre o combate à violência contra a mulher em ambientes digitais.
O que está previsto na passagem de Lula pela Alemanha?
Em Hannover, a agenda é voltada principalmente à economia. O Brasil participa como país parceiro oficial da Hannover Messe, apresentada pela reportagem como a maior feira industrial do mundo. O texto diz que o país terá 140 empresas com estande próprio e outras 300 representadas indiretamente, distribuídas em seis pavilhões temáticos.
O encontro com o chanceler Friedrich Merz deve concentrar uma parte relevante dos atos bilaterais. Segundo a reportagem, os governos devem assinar dez acordos e fazer pelo menos mais dez anúncios. Entre os itens citados no texto estão:
- cooperação em produtos de defesa;
- carta de intenções sobre novo lote de fragatas da classe Tamandaré;
- declarações conjuntas sobre infraestrutura de qualidade e inteligência artificial;
- missão espacial CO2 e criação de centro de inovação energética;
- pesquisas sobre clima, Cerrado e oceano;
- diálogo bilateral sobre bioeconomia;
- plano de ação sobre economia circular e eficiência de recursos;
- apoio financeiro ao Fundo Nacional do Clima;
- parceria em mobilidade sustentável;
- desenvolvimento de aplicativo de prevenção de acidentes de trabalho com inteligência artificial.
A reportagem afirma ainda que esses compromissos estão enquadrados na terceira Reunião de Consultas Intergovernamentais Brasil-Alemanha, estabelecida em 2013. O texto acrescenta que a corrente de comércio bilateral somou US$ 20,9 bilhões em 2025, com a Alemanha como quarta maior parceira comercial do Brasil.
Quais temas entram na agenda de Portugal?
Na etapa final, em Lisboa, a agenda combina cooperação bilateral e um tema sensível para a comunidade brasileira: a nova lei de nacionalidade portuguesa, descrita na reportagem como restritiva ao acesso à cidadania. O Itamaraty considera o assunto delicado, mas reconhece interesse brasileiro em debatê-lo, segundo o texto.
A reportagem informa que há cerca de 500 mil brasileiros registrados em Portugal, formando a segunda maior comunidade brasileira no exterior. Lula também deverá se reunir oficialmente pela primeira vez com o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, com pauta voltada a paz, segurança e meio ambiente. O texto registra ainda que a corrente de comércio bilateral entre Brasil e Portugal foi de US$ 4,5 bilhões em 2025. O retorno de Lula ao Brasil está previsto para 21 de abril.