O CEO do iFood, Diego Barreto, afirmou em entrevista publicada nesta terça-feira, 14 de abril de 2026, que a regulamentação do trabalho por aplicativo no Brasil depende de concessões entre os envolvidos para avançar. Segundo ele, a empresa apoia o PLP 152 de 2025, que trata do tema, por considerar que o texto pode ampliar a proteção social dos trabalhadores e dar viabilidade econômica e segurança jurídica ao setor. De acordo com informações do Poder360, Barreto também disse que a proposta impõe custo elevado à companhia, mas que a ausência de regulamentação traria prejuízos maiores.
Na entrevista, o executivo declarou que a implementação do projeto deve gerar uma despesa de cerca de R$ 500 milhões para o iFood só no próximo ano. Ainda assim, afirmou que esse seria, nas palavras dele, o preço para construir um setor mais maduro. Barreto sustentou que o texto em discussão não é perfeito e avaliou que o ideal seria uma redação mais simples, moderna e com menos burocracia.
O que o iFood apoia no projeto de regulamentação?
De acordo com Barreto, o iFood apoia integralmente quatro pontos do PLP 152 de 2025. O executivo citou medidas que, segundo ele, podem combinar proteção social aos entregadores com condições de funcionamento para as plataformas.
- previdência social;
- seguros obrigatórios;
- transparência algorítmica;
- pagamento mínimo por hora trabalhada.
Sobre esse último item, o texto atual mencionado na reportagem estabelece um patamar equivalente ao dobro do salário mínimo por hora. Para o CEO, a proposta representa uma possibilidade concreta de ampliar a inclusão previdenciária no país, ao mesmo tempo em que preserva a operação econômica das empresas do setor.
Quais pontos do texto recebem críticas da empresa?
Apesar do apoio ao projeto, Barreto fez ressalvas. Ele disse que o iFood rejeita o modelo de pagamento por taxa mínima. Segundo o executivo, esse formato poderia elevar o preço final dos pedidos, a depender da região, afetando pequenos comércios que vendem refeições mais baratas e, por consequência, reduzindo a demanda e o volume de trabalho dos entregadores.
“Um custo alto, mas o prejuízo social e a insegurança jurídica de não ter uma regulamentação são muito maiores do que os investimentos necessários. Em um projeto dessa complexidade, todo mundo precisa ceder um pouco para conseguirmos avançar”.
O CEO também afirmou que considera fundamental a manutenção do enquadramento dos trabalhadores como autônomos, sem vínculo empregatício. Na avaliação dele, esse ponto dá segurança jurídica às plataformas e preserva a flexibilidade e a autonomia da atividade. Ao mesmo tempo, criticou o fato de o texto atribuir à Justiça do Trabalho a competência para resolver disputas, mesmo sem reconhecer vínculo trabalhista entre plataformas e entregadores.
“Se a relação das plataformas com os entregadores não é de vínculo trabalhista, por que a competência para resolver problemas ficou com a Justiça do Trabalho?”.
O que aconteceu com a tramitação do PLP 152 de 2025?
A tramitação da proposta sofreu alteração nesta semana. Depois de pedido do líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), o relator do projeto, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), informou na segunda-feira, 13 de abril de 2026, que pediria ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), a retirada de pauta do texto. A votação estava prevista para esta terça-feira, 14 de abril de 2026, na comissão especial responsável pela análise.
Coutinho afirmou que a decisão buscava preservar o mérito técnico da proposta. Segundo ele, o relatório propõe a criação de uma nova categoria e reúne direitos reivindicados há anos pelos profissionais, como transparência algorítmica, seguridade social, repasses integrais de gorjeta, seguro de vida e acidentes, valor mínimo de remuneração, retenção máxima da plataforma e isenção de imposto para aquisição de veículos.
Qual foi a divergência sobre o piso de remuneração?
O parecer do relator manteve em R$ 8,50 o piso para corridas de curta distância realizadas por entregadores. Esse ponto contrariou a posição do governo federal, que defendia pagamento mínimo de R$ 10, com adicional de R$ 2,50 por quilômetro excedente. A divergência ajuda a explicar a retirada temporária do projeto da pauta e indica que ainda há negociação sobre os parâmetros finais da regulamentação.
No centro do debate, segundo os relatos reunidos na reportagem, estão o equilíbrio entre proteção social, modelo de remuneração, natureza jurídica da atividade e impacto econômico sobre plataformas, restaurantes, consumidores e entregadores. A discussão sobre o PLP 152 de 2025 segue aberta na Câmara.