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Lula defende estoque de petróleo para Brasil não ficar ‘chupando dedo’

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Presidente em evento sobre energia apontando para gráficos de petróleo.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, que o Brasil tenha o próprio estoque de combustíveis e uma distribuidora na Petrobras para não se tornar refém durante crises mundiais. A declaração foi feita durante visita à refinaria da estatal em Betim, Minas Gerais, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em meio à alta do diesel que pressiona o governo federal.

Durante o evento, Lula criticou os efeitos da privatização da BR Distribuidora e afirmou que, no cenário atual, “o consumidor fica chupando o dedo”. O presidente apontou que a ausência da distribuidora sob controle estatal compromete a capacidade de garantir que reduções ou aumentos definidos pela Petrobras cheguem ao consumidor final. A BR Distribuidora, antiga subsidiária da Petrobras no segmento de distribuição, passou por privatização e hoje opera sob a marca Vibra Energia.

“A Petrobras determina um preço, esse preço sai no jornal, ganha o distribuidor, e o consumidor fica chupando o dedo”

Por que Lula defende estoques reguladores?

De acordo com informações do Metrópoles, o presidente argumentou que a soberania nacional depende de estoques estratégicos para enfrentar crises internacionais. “Se o Brasil quer ser um país soberano, ele precisa de estoque para enfrentar crises, para quando tiver essa especulação no mercado, o governo ter condição de abaixar o preço”, afirmou.

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Atualmente, a Petrobras não mantém um estoque regulador formal de diesel ou gasolina com finalidade de política pública. A estatal opera apenas com estoques operacionais, voltados à logística e ao funcionamento contínuo de refinarias. A Petrobras é a principal empresa do setor no país e tem papel central no refino e no abastecimento de combustíveis no mercado brasileiro.

Qual o impacto das crises internacionais nos preços?

Durante o evento, Lula também criticou o impacto das guerras nos preços dos combustíveis, especialmente para a população mais vulnerável. “Os pobres acabam sempre sendo atingidos pelas altas dos preços durante as crises”, disse o presidente, questionando por que trabalhadores devem pagar mais pelo combustível devido aos conflitos internacionais.

“Qual a razão que um trabalhador tem que pagar a mais no preço do óleo por conta dessa maldita guerra? O que o mundo fez? Por que o pobre da América Latina tem que pagar?”

Como o governo pretende aliviar os preços do diesel?

A visita à refinaria ocorre em meio à pressão sobre o governo federal diante da alta do diesel, que tem impactado diretamente o custo do transporte e gerado preocupação no setor produtivo, inclusive com ameaças de greve por parte dos caminhoneiros. O combustível acumula reajustes recentes, impulsionados pelo cenário internacional e pela política de preços da Petrobras.

Na quinta-feira, 19 de março de 2026, Lula voltou a pedir aos governadores que reduzam alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para ajudar a evitar que o impacto dos conflitos internacionais chegue “ao prato de comida dos brasileiros”. O ICMS é um tributo estadual que incide sobre combustíveis e tem peso relevante na composição do preço final pago pelo consumidor. Em contrapartida, a União propôs bancar metade da renúncia fiscal, estimada em R$ 3 bilhões por mês no total.

A agenda em Minas Gerais funciona como oportunidade para o Planalto sinalizar ações de estabilidade no abastecimento e nos preços, buscando acalmar o setor produtivo e evitar maiores impactos na economia nacional diante da volatilidade do mercado internacional de combustíveis.

Fontes consultadas

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