O governo do Líbano acusou oficialmente as Forças de Defesa de Israel de cometerem um ato de ecocídio contra os recursos naturais do país durante a invasão ocorrida entre os anos de 2023 e 2024. A denúncia foi formalizada em um novo relatório de 106 páginas, que detalha a profunda modificação da paisagem física e ecológica na região sul do território libanês.
De acordo com informações do Guardian Environment, o documento científico foi preparado pelo Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano. A análise abrange o período de outubro de 2023 a dezembro de 2024, destacando a perda de serviços ecossistêmicos essenciais. O relatório foi publicado em meio a um cessar-fogo fragmentado, momento em que os refugiados da mais recente invasão militar de Israel tentam retornar para as suas comunidades e lares destruídos.
Quais foram os principais danos ambientais no Líbano?
A ministra do Meio Ambiente do Líbano, Tamara el Zein, assina o prefácio do documento. Ela ressaltou que os ataques militares ultrapassam a destruição imediata da infraestrutura e afetam diretamente a capacidade de sobrevivência da população local e a soberania do país asiático.
A escala e a intencionalidade dos danos a florestas, terras agrícolas, ecossistemas marinhos, recursos hídricos e qualidade atmosférica constituem o que deve ser reconhecido como um ato de ecocídio, com consequências que se estendem muito além da destruição imediata. O dano ambiental que enfrentamos não é simplesmente ecológico – é uma questão de saúde pública, segurança alimentar, meios de subsistência, tecido social e resiliência nacional.
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O relatório oficial detalha métricas específicas da devastação causada pelas tropas israelenses. Entre os impactos mais severos listados pelas autoridades, destacam-se os seguintes fatores:
- Danos a 5 mil hectares de cobertura florestal, incluindo pinheiros, o que destruiu habitats naturais, desregulou o clima local e provocou erosão do solo.
- Destruição de US$ 118 milhões em ativos físicos da agricultura, abrangendo plantações, instalações pecuárias, recursos florestais e infraestrutura de pesca.
- Perdas adicionais estimadas em US$ 586 milhões na produção agrícola, decorrentes da interrupção forçada das colheitas e da redução no rendimento das terras.
- Devastação de 2.154 hectares de pomares, que incluem 814 hectares de olivais e 637 hectares de plantações de frutas cítricas, além de danos extensos a plantações de banana.
- Contaminação dos solos com concentrações de fósforo que atingem até 1.858 partes por milhão, com focos críticos mapeados no sul libanês e no vale de Bekaa.
- Poluição generalizada do ar, com a liberação de material particulado, óxidos de enxofre e nitrogênio, além de compostos tóxicos como dioxinas.
Como o custo financeiro da destruição é avaliado?
O custo monetário total para o país atinge a marca de US$ 25 bilhões. Esse montante é composto por US$ 6,8 bilhões referentes a danos físicos diretos, US$ 7,2 bilhões em perdas econômicas gerais e outros US$ 11 bilhões que serão necessários para as futuras operações de recuperação e reconstrução do território afetado pela guerra.
Diante desse cenário alarmante, a ministra Tamara el Zein declarou que o país não possui capacidade para arcar com esse fardo de maneira isolada. A representante governamental fez um apelo urgente por solidariedade internacional e apoio financeiro global, argumentando que a escala do desastre exige a formação de parcerias de longo prazo para viabilizar a restauração do meio ambiente.
Especialistas internacionais também demonstraram preocupação com o método militar empregado na região de fronteira. Críticos das ações israelenses argumentam que as forças militares estão repetindo no Líbano as mesmas táticas extremas utilizadas na Faixa de Gaza. Essas ações sistemáticas incluem ordens de expulsão de civis, ataques contra hospitais, demolição de aldeias inteiras e a destruição da infraestrutura de abastecimento de água. Nos primeiros meses da ofensiva em Gaza no ano de 2023, as tropas israelenses destruíram de 38% a 48% da cobertura arbórea e das terras agrícolas locais.
Qual é a posição de Israel sobre as acusações?
O impacto contínuo do conflito armado atrai o escrutínio constante de organizações independentes de monitoramento. O diretor do Observatório de Conflitos e Meio Ambiente, Doug Weir, elogiou o foco do relatório libanês na construção de capacidades nacionais de monitoramento ecológico. No entanto, o especialista alertou que partes do estudo já se encontram desatualizadas em virtude da devastação adicional promovida pelas forças militares, especialmente nas áreas situadas ao sul do rio Litani.
Em resposta oficial aos apontamentos do levantamento científico, um porta-voz das Forças de Defesa de Israel emitiu um posicionamento formal sobre a condução das operações bélicas. A instituição militar defendeu a legalidade das missões e os procedimentos estratégicos adotados durante os combates em solo libanês nas últimas semanas.
As Forças de Defesa de Israel estão cientes dos potenciais impactos ambientais de suas operações na região. O exército opera para proteger os cidadãos de Israel e para garantir a segurança e a proteção das áreas vizinhas. Todas as ações são realizadas com precauções tomadas para minimizar os danos aos civis e ao meio ambiente.