A Universidade Federal da Bahia abriu inscrições para um curso de letramento digital voltado a pessoas idosas em Salvador, com foco no uso de celular, acesso a serviços e prevenção de golpes. A iniciativa foi divulgada nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026, e busca ampliar a autonomia, a segurança e a integração social desse público no ambiente digital. De acordo com informações da Radioagência Nacional, o curso integra as ações da Universidade Aberta à Pessoa Idosa da UFBA.
A proposta atende a uma demanda crescente entre pessoas com 60 anos ou mais, que passaram a usar internet, smartphones e tablets com mais frequência para tarefas do cotidiano, como pagamentos, compras, comunicação e acesso a serviços públicos. O baiano Jerônimo Martins, citado na reportagem, relata que a internet já faz parte de sua rotina diária.
“Ah, 100%. No computador e no celular. O dia inteiro. Tudo resolvo com ele: pago, compro. Tudo é com o celular.”
Por que a UFBA oferece letramento digital para idosos?
Segundo a reportagem, a abertura das inscrições reflete a necessidade de incluir a população idosa no mundo digital em um contexto de envelhecimento populacional na Bahia. A supervisora de disseminação de informações do IBGE, Mariana Viveiros, afirmou que esse movimento já pode ser observado nos dados sobre uso da internet no estado.
De acordo com Mariana Viveiros, quase metade dos usuários de internet na Bahia têm mais de 60 anos. Ela explicou que esse avanço está ligado tanto ao aumento da longevidade quanto à necessidade prática e social de estar conectado, seja para acessar bancos e serviços, seja para manter contato com outras pessoas.
“A gente vê que eles são as pessoas de 60 anos ou mais de idade que vêm puxando seguidamente o aumento do número de internautas na Bahia. E isso aí também é um reflexo, por um lado, né, da longevidade e dessa necessidade de estar no mundo digital não só para fins práticos — bancos, compras, serviços, acesso a serviços públicos muitas vezes — mas também conexão: ligar, falar por vídeo, mandar mensagem.”
O que o curso ensina na prática?
Conforme o coordenador da Universidade Aberta da Terceira Idade da UFBA, o projeto não se limita ao aprendizado técnico do aparelho. As atividades incluem desde funções básicas do smartphone até conteúdos voltados à segurança digital, especialmente para reduzir o risco de fraudes.
Entre os pontos trabalhados no letramento digital estão:
- uso básico do celular;
- envio de mensagens;
- realização de chamadas de vídeo;
- acesso a portais de serviços públicos;
- cuidados em transações financeiras;
- orientação para não cair em golpes.
“UNAPI é Universidade Aberta à Pessoa Idosa da UFBA. A UNAPI tem diversas atividades. Dentre elas, temos a oficina de inclusão digital, o letramento digital, que visa basicamente fazer com que pessoas idosas não caiam em golpes. E as atividades que são trabalhadas, elas sempre estarão em cima do conhecimento tecnológico, no uso do celular especificamente.”
Qual é o impacto esperado da inclusão digital nesse público?
A reportagem destaca que a inclusão digital pode produzir efeitos diretos na qualidade de vida das pessoas idosas. Entre os resultados apontados estão maior autonomia nas tarefas do dia a dia, facilidade no acesso a serviços, ampliação das formas de comunicação e estímulo à socialização.
Além disso, o curso se insere em um cenário em que a conexão digital deixou de ser apenas um recurso complementar e passou a integrar atividades essenciais da rotina. Para esse público, aprender a usar ferramentas digitais com mais segurança pode representar mais independência e menor vulnerabilidade a fraudes.
A iniciativa da UFBA, portanto, combina formação prática com orientação preventiva, em um momento em que o uso da internet entre idosos cresce e exige ações de apoio específicas. O foco no celular, citado na reportagem, concentra o ensino em um dispositivo já presente no cotidiano de muitos participantes.