O julgamento entre Elon Musk e Sam Altman começou nesta segunda-feira em Oakland, Califórnia, e promete expor detalhes polêmicos sobre a mudança da OpenAI de organização sem fins lucrativos para empresa com fins lucrativos em 2019. De acordo com informações do portal Mashable, a seleção de jurados iniciou-se no tribunal federal, marcando o começo do que promete ser um dos casos mais controversos do mundo tecnológico.
Musk apresentou a ação judicial há dois anos, acusando Altman de fraude relacionada à transformação da empresa. Se os 12 jurados concordarem com as acusações de fraude, isso poderia impactar significativamente o esperado IPO da OpenAI em 2026, quando a empresa está avaliada em mais de 850 bilhões de dólares. Os advogados de Musk afirmam que a OpenAI deve a seu cliente até 138 bilhões de dólares.
O advogado especializado em litígios corporativos Andrew Staltman descreveu o caso de forma memorável: “Estamos prestes a testemunhar o pouso do Hindenburg no convés do Titanic. Vai ser louco e desagradável.” O julgamento já começou a revelar detalhes surpreendentes extraídos dos documentos do tribunal, que o juiz federal Yvonne Gonzalez Rogers considerou centrais para o caso.
O que Musk fez em Burning Man 2017?
Um dos pontos mais curiosos do julgamento envolve o festival anual Burning Man de 2017, realizado no deserto do norte de Nevada. Os advogados de Altman questionaram Musk durante seu depoimento sobre se ele havia ingerido “rhino ket” — uma mistura de anfetaminas e cetamina — durante o evento, quando supostamente estavam ocorrendo negociações sobre o futuro da OpenAI.
Musk respondeu que não sabia o que era “rhino ket”. Os advogados de Altman argumentaram que o consumo de substâncias por Musk no festival era relevante para demonstrar a falta de atenção que ele dava às negociações. A juíza Rogers determinou que mencionar o uso de cetamina em si seria “indevidamente prejudicial”, mas que a questão de possíveis “lapsos de memória” durante o período poderia ser relevante no julgamento.
Musk declarou que toma cetamina prescrita para tratar depressão. A participação dele em Burning Man permanecerá relevante como indicação da atenção que dedicava às negociações da OpenAI que supostamente ocorreram durante o mesmo período.
Shivon Zilis era uma “espiã” da OpenAI?
Shivon Zilis, descrita por Altman em seu depoimento como uma “sussurradora do Elon”, desempenha papel central no julgamento. Zilis é uma executiva de capital de risco e especialista em inteligência artificial que colaborou com Musk na Tesla e Neuralink, além de ser mãe de quatro filhos seus. Ela ingressou na OpenAI em 2016 e foi a membro mais jovem do conselho da empresa antes de se desligar em 2023.
Uma troca de mensagens de texto de 2018 revelada nos documentos do tribunal mostra Zilis perguntando a Musk se deveria “manter-se próxima e amigável com a OpenAI para manter o fluxo de informações” ou “começar a se dissociar” da empresa. Musk respondeu: “próxima e amigável”. Os advogados de Musk utilizam seu testemunho para provar que um investimento crucial da Microsoft na OpenAI violou a estrutura sem fins lucrativos da empresa.
A juíza Rogers determinou que o relacionamento entre Musk e Zilis é “altamente relevante para a credibilidade de Zilis”. Durante seu depoimento, Zilis afirmou que seu relacionamento com Musk é atualmente romântico, embora os advogados de Altman possam argumentar que isso remonta a 2016 e não foi divulgado na época.
Qual é o impacto real deste julgamento?
Embora o aspecto financeiro seja significativo, o conflito entre esses dois bilionários vai além do dinheiro. Musk processou Altman e seus colegas pessoalmente, não a empresa OpenAI. O relacionamento entre Musk e Altman é complicado: ambos fundaram a OpenAI juntos e agora são adversários em tribunal, enquanto Mark Zuckerberg, amigo mútuo e fundador do Meta, aparece nos documentos do processo.
A dinâmica revelada durante o julgamento pode estabelecer precedentes significativos para litígios envolvendo startups de tecnologia e questões sobre governança corporativa em empresas que transitam de estruturas sem fins lucrativos para modelos comerciais. Cada revelação do tribunal amplifica o interesse público neste caso que une drama pessoal, questões corporativas complexas e bilionários da tecnologia.