O Parque da Cidade, localizado em Belém, sediou neste sábado (18) a abertura oficial dos Jogos Indígenas, evento que mobiliza cerca de 600 integrantes de oito etnorregiões do Pará. A iniciativa faz parte da programação da III Semana dos Povos Indígenas e tem como objetivo central celebrar as tradições ancestrais e fortalecer o protagonismo das comunidades originárias na capital paraense.
De acordo com informações da Agência Pará, as atividades são promovidas pelo Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi). A articulação conta com o apoio da Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (Fepipa), do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e do Núcleo de Esporte e Lazer da Secretaria de Estado de Educação (Seduc).
Quais são os principais objetivos dos Jogos Indígenas no Pará?
A secretária da Sepi, Roseli Pantajo, enfatizou que a programação busca ir além do entretenimento, consolidando-se como um ato de afirmação política e cultural. A proposta é integrar os diferentes povos, permitindo que compartilhem seus costumes e reforcem a resistência histórica frente aos desafios contemporâneos enfrentados pelas populações indígenas.
Este é um momento de celebração, mas também de resistência e valorização das culturas indígenas. Os jogos promovem o encontro entre os povos e reforçam o respeito à diversidade.
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A presença de estudantes da rede pública de ensino, levados pelo Núcleo de Esporte e Lazer, permite um intercâmbio cultural direto entre o público não indígena e os representantes das aldeias, promovendo educação e combate ao preconceito por meio da vivência prática.
Quais modalidades esportivas fazem parte da programação oficial?
A estrutura do evento foi planejada para contemplar tanto as práticas esportivas tradicionais quanto modalidades populares no cenário global. A diversidade de atividades reflete a adaptação e a vitalidade das culturas indígenas, que mantêm suas raízes ao mesmo tempo em que se apropriam de novos elementos sociais. Entre as provas disputadas, destacam-se:
- Cabo de força e tiro de flecha;
- Arremesso de lança e kaipã (peteca indígena);
- Corridas tradicionais;
- Futebol society (masculino e feminino), futsal e voleibol;
- Tênis de quadra, skate e slackline.
O jovem Jokrepoire Rikpàrti, de 23 anos, da etnia Gavião, ressaltou que a participação é uma forma de demonstrar a união entre os povos. Da mesma forma, Darlei Mendes Ramos, de 17 anos, da etnia Amanayé, pontuou que o evento gera um sentimento de valorização e pertencimento fundamental para as novas gerações.
Como a integração entre diferentes povos e estudantes acontece?
Além das arenas esportivas, a III Semana dos Povos Indígenas oferece um ambiente formativo com feiras, oficinas e seminários estratégicos. Um dos pontos centrais da agenda é o debate sobre o Sistema Jurisdicional de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (SJREDD+), focado na capacitação de lideranças para a gestão territorial e ambiental.
A programação encerra-se neste domingo (19) com as finais das competições e a entrega de premiações. O encerramento também prevê atos institucionais importantes, como a posse dos membros do Conselho Estadual de Política Indigenista (Consepi), o lançamento de ações de leitura da Seduc e a assinatura de acordos para o fortalecimento das políticas públicas voltadas aos povos originários do Estado.