O Irã afirmou nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, que não aceitará negociar com os Estados Unidos sob ameaça, em meio ao agravamento das tensões entre os dois países e à proximidade do fim de um cessar-fogo temporário previsto para quarta-feira, 22. A declaração foi feita por Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, em mensagem publicada na rede social X. De acordo com informações do DCM, o impasse ocorre no contexto de disputas sobre o programa nuclear iraniano e sobre garantias de segurança exigidas por Teerã.
Na publicação, Ghalibaf declarou que o país rejeita tratativas “sob a sombra da ameaça” e afirmou que, nas últimas duas semanas, houve preparação para apresentar “novas cartas no campo de batalha”. Um dos principais negociadores iranianos, ele também acusou o presidente dos EUA, Donald Trump, de tentar converter a mesa de diálogo em uma “mesa de rendição”.
“Negociação sob a sombra da ameaça não aceitamos e, nas últimas duas semanas, nos preparamos para revelar novas cartas no campo de batalha.”
Segundo o relato, Ghalibaf afirmou ainda que Washington tem atuado por meio de cerco e violações do cessar-fogo e que ações militares estariam sendo usadas para justificar uma nova escalada da guerra. A manifestação ocorre a poucos dias do término da trégua temporária entre os dois países.
O que está em disputa entre Irã e Estados Unidos?
Entre os principais pontos de atrito estão o programa nuclear iraniano e as garantias de segurança exigidas por Teerã para um eventual acordo. O cessar-fogo temporário, citado no texto original, deve terminar nesta quarta-feira, 22, o que amplia a pressão diplomática e militar sobre as negociações.
O cenário se deteriorou ainda mais no domingo, 19, quando Donald Trump afirmou que os Estados Unidos atacaram e apreenderam um navio cargueiro com bandeira do Irã após a embarcação tentar furar o bloqueio naval imposto por Washington no Golfo de Omã. De acordo com o presidente norte-americano, o navio foi identificado como “Touska”.
Como foi descrita a interceptação do navio iraniano?
Em publicação na Truth Social, Trump disse que um destróier de mísseis guiados da Marinha dos Estados Unidos interceptou o “Touska” no Golfo de Omã e ordenou que a embarcação parasse. Segundo ele, a tripulação iraniana se recusou a obedecer, e o navio foi detido na sequência.
Horas depois, ainda segundo o texto de origem, o Irã prometeu uma “resposta rápida”, classificou a ação como “violação do cessar-fogo” e chamou a operação de “pirataria”. A troca de acusações elevou a tensão em uma região estratégica para o transporte global de energia.
- Segunda-feira, 20: Ghalibaf afirmou que o Irã não negociará sob ameaça.
- Quarta-feira, 22: previsão de término do cessar-fogo temporário citado no texto.
- Domingo, 19: Trump disse que os EUA interceptaram e apreenderam o navio “Touska”.
Quais foram os efeitos imediatos no mercado de energia?
No fim da noite de domingo, 19, os preços do petróleo e do gás natural subiram após o episódio envolvendo o cargueiro iraniano. De acordo com o texto original, o barril do tipo Brent avançou até 7,9%, enquanto o gás natural na Europa registrou alta de até 11%, recuperando parte das perdas recentes.
A reação dos mercados indica a sensibilidade internacional a qualquer aumento de tensão no Golfo de Omã, área considerada estratégica para o fluxo de petróleo e gás. No momento, as declarações públicas de autoridades iranianas e do presidente dos EUA reforçam o ambiente de incerteza sobre os próximos passos do conflito diplomático e militar.