
Os aportes financeiros globais no setor de conectividade devem registrar uma retração de 2% ao longo do ano de 2026. A estimativa foca no planejamento financeiro das principais operadoras de rede do mundo, que ajustam seus orçamentos diante de novos cenários tecnológicos após um período inicial de grandes despesas. No Brasil, essa tendência reflete a fase atual do mercado nacional, que também modera seus gastos após o pico de investimentos estruturais para a implantação inicial do 5G, movimento encabeçado por operadoras como Claro, TIM e Vivo desde o leilão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em 2021.
De acordo com informações do Teletime, a projeção detalhada foi elaborada pela consultoria especializada Dell’Oro. O levantamento mapeia o comportamento do mercado corporativo internacional, indicando como as grandes companhias estão dosando a alocação de recursos em infraestrutura digital.
Quais são as projeções de longo prazo para o setor de conectividade?
Apesar da queda pontual esperada para 2026, o cenário para os próximos anos apresenta uma tendência de estabilização e leve recuperação. O relatório técnico aponta que a projeção para as despesas de capital (capex) mundiais é de um crescimento de 1% até 2030. Esta métrica de mercado é calculada com base na taxa de crescimento anual composta, conhecida no setor financeiro pela sigla em inglês CAGR.
No mesmo período analisado pela consultoria, o faturamento das empresas de telecomunicações também deve apresentar números positivos. A expectativa é que as receitas das operadoras cresçam cerca de 2% em termos de CAGR. Consequentemente, a Dell’Oro calcula que a relação direta entre as despesas de capital e a receita das corporações deve se estabilizar próxima à marca de 14% até o ano de 2029.
Como o 5G e a Inteligência Artificial afetam os aportes financeiros?
A infraestrutura de telefonia móvel passa por ajustes após o período de forte expansão de sinal recente. A consultoria indica que a intensidade de capital voltada para redes sem fio deve girar em torno de 11% em 2029. Este percentual representa uma queda expressiva de sete pontos percentuais quando comparado ao pico histórico de investimentos exigidos para a implantação inicial do 5G em todo o globo.
O vice-presidente da Dell’Oro, Stefan Pongratz, explica a estratégia atual das empresas de telecomunicações diante das inovações digitais emergentes e das pressões de custos.
“As operadoras continuam otimistas em relação à visão de longo prazo para a rede, principalmente porque a IA [Inteligência Artificial] impulsiona a nova demanda, mas, no curto prazo, estão adotando uma postura mais cautelosa, com muitas planejando moderar os investimentos de capital.”
O que o balanço financeiro de 2025 revelou sobre o mercado global?
Ao analisar o retrospecto imediato, o documento mostra que os investimentos no setor de telecomunicações ficaram completamente estáveis em 2025. Para chegar a esta conclusão macroeconômica, o estudo monitorou de perto os balanços de cerca de 50 grandes grupos econômicos. Em conjunto, essas companhias representam aproximadamente 80% de todas as despesas de capital globais da indústria.
A relação entre as despesas gerais e as receitas geradas especificamente pela venda de equipamentos de infraestrutura também não sofreu alterações drásticas no ano passado. O levantamento de mercado divide a tecnologia em diferentes categorias para realizar este monitoramento preciso.
O acompanhamento financeiro do setor é estruturado com base nas seguintes linhas de equipamentos fundamentais para as operações das redes:
- Sistemas de acesso de banda larga fixa e comercial;
- Redes de transporte por micro-ondas e estruturas de fibra óptica;
- Arquiteturas de core (núcleo) para rede móvel de dados;
- Infraestrutura de rede de acesso via rádio (conhecida pela sigla técnica RAN);
- Equipamentos de roteador e switch utilizados diariamente por provedores de serviços.
Qual o papel dos provedores de nuvem no faturamento dos fabricantes?
Um fator determinante para sustentar o ecossistema de infraestrutura tecnológica tem sido a atuação constante de empresas externas ao núcleo tradicional de telefonia móvel e fixa. A pesquisa constata que a receita geral dos fabricantes de equipamentos de rede obteve uma alta de 4% ao longo de 2025, superando a estabilidade conservadora vista nas operadoras.
A consultoria avalia que esta expansão mais robusta na venda de equipamentos industriais possui uma justificativa clara. O avanço mercadológico foi diretamente impulsionado pela alta demanda dos grandes provedores de serviços em nuvem. Segundo o levantamento oficial, essas companhias de computação descentralizada e armazenamento de dados foram as responsáveis por absorver metade de todo o crescimento registrado nas receitas dos fabricantes de equipamentos no último ano.