CFOs de empresas ouvidos pela Bain & Company pretendem ampliar os investimentos em inteligência artificial nos próximos dois anos, com 42% deles prevendo alta superior a 30% nesse período. O dado foi divulgado em 13 de abril de 2026, em Boston, com base em uma pesquisa global com mais de 100 diretores financeiros, e indica avanço do uso da tecnologia especialmente nas áreas de planejamento financeiro, análise e relatórios. De acordo com informações do AI Journal, o levantamento aponta que a IA vem sendo tratada cada vez mais como parte central das operações financeiras.
Segundo a consultoria, 83% dos CFOs planejam elevar os gastos corporativos com IA em mais de 15% nos próximos dois anos. No curto prazo, esse movimento já aparece: mais da metade dos entrevistados afirma que aumentará o orçamento para IA em mais de 15% ainda neste ano, enquanto quase 21% projetam expansão superior a 30%. A maior fatia desses recursos, dentro das funções financeiras, deve ser direcionada a planejamento financeiro, análise e elaboração de relatórios.
O que a pesquisa da Bain mostra sobre o avanço da IA nas finanças?
O estudo indica uma aceleração do compromisso de capital com inteligência artificial entre líderes financeiros. Metade dos CFOs entrevistados atua em empresas com receita de US$ 5 bilhões ou mais, e 26 deles representam organizações com faturamento anual acima de US$ 10 bilhões. Ainda assim, a pesquisa sugere que a adoção em escala segue limitada em boa parte das companhias.
De acordo com a Bain, apenas entre 15% e 25% dos CFOs conseguiram escalar o uso de IA em diferentes funções da área financeira. Isso significa que, embora o investimento esteja aumentando, muitas organizações ainda permanecem em fase de testes ou implantação inicial.
“CFOs are entering a decisive moment. AI is no longer a side experiment sitting outside the core of finance departments. Real capital commitment in AI is now a must for finance leaders to drive productivity, govern risk, and shape organizational performance.”
A declaração é de Michael Heric, sócio da Bain & Company e líder global das soluções de suporte corporativo e operações de serviços da prática de melhoria de desempenho da consultoria.
Qual é a relação entre escala de uso e retorno dos investimentos em IA?
A pesquisa identifica uma associação entre maior maturidade no uso de IA e melhor avaliação dos resultados. Entre os CFOs que já utilizam alguma forma de IA em escala, incluindo aprendizado de máquina, IA generativa ou sistemas agênticos, mais de 40% dizem estar altamente satisfeitos com os resultados. Entre empresas que ainda mantêm a tecnologia em fase piloto, esse índice cai para 25%.
Nos grupos considerados mais maduros em IA, a satisfação dos CFOs supera 60%. Ainda assim, o levantamento mostra que, no total da amostra, apenas 31% dos entrevistados se declaram satisfeitos com os resultados obtidos com inteligência artificial até agora.
Quais objetivos levam CFOs a investir mais em inteligência artificial?
Segundo a Bain, corte de custos e ganho de eficiência continuam entre os principais objetivos de investimento em IA. No entanto, os diretores financeiros apontam a velocidade como o maior benefício percebido. Em um ambiente de incerteza macroeconômica e de interrupções em cadeias de suprimento, a tecnologia pode ajudar a identificar riscos com mais rapidez, refazer projeções e realocar capital de maneira mais ágil.
Para a consultoria, essa capacidade de resposta pode criar vantagem competitiva em relação a concorrentes. O relatório também lista quatro prioridades para transformar o investimento em IA em vantagem estrutural de desempenho:
- tratar velocidade como resultado estratégico;
- construir uma estrutura de escala, e não apenas um portfólio de projetos-piloto;
- reduzir a chamada “dívida de fluxo de trabalho” antes de implantar agentes;
- não permitir que pilotos antigos limitem ambições futuras.
Os dados apresentados mostram um cenário de expansão dos aportes em inteligência artificial, mas também revelam que a consolidação do uso em larga escala ainda é um desafio para muitas áreas financeiras. O avanço do investimento, nesse contexto, aparece menos como experimento e mais como tentativa de integrar a tecnologia ao núcleo da gestão corporativa.