Três anos após prever uma revolução no aprendizado com um tutor baseado em inteligência artificial, o fundador da Khan Academy, Sal Khan, reconhece que a transformação ainda não aconteceu nas escolas dos Estados Unidos. A constatação ocorre após estudantes demonstrarem baixo engajamento com o chatbot educacional Khanmigo, que se provou ineficaz para alunos sem motivação prévia ou conhecimento básico para formular perguntas.
De acordo com informações do Chalkbeat, a promessa de um supertutor esbarrou nas limitações práticas da tecnologia dentro das salas de aula, mostrando que a ferramenta não impulsiona ganhos massivos de conhecimento de forma autônoma.
Por que a inteligência artificial não revolucionou o ensino?
O principal obstáculo encontrado foi a falta de interesse espontâneo dos alunos. Sal Khan utiliza uma analogia simples para explicar a situação: é como se ele entrasse em uma sala de aula, sentasse no fundo e esperasse que os estudantes o procurassem para tirar dúvidas. O criador da Khan Academy relata que poucos tomam essa iniciativa.
“Para muitos estudantes, foi um não evento. Eles simplesmente não usaram muito”,
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afirmou o executivo sobre o uso do chatbot. A experiência prática revelou que a inteligência artificial, por si só, não é capaz de gerar motivação ou preencher as lacunas cognitivas necessárias para que o aluno saiba o que perguntar ao sistema.
Como surgiu a parceria entre a Khan Academy e a OpenAI?
No verão de 2022, líderes da OpenAI, incluindo Sam Altman e Greg Brockman, entraram em contato com a instituição educacional. Meses antes do lançamento oficial do ChatGPT, a empresa de tecnologia forneceu acesso antecipado ao modelo avançado GPT-4. O objetivo era demonstrar os benefícios potenciais da ferramenta em escala nacional.
A partir dessa colaboração inicial, a equipe desenvolveu o Khanmigo, um assistente virtual projetado estritamente para orientar o aprendizado em vez de simplesmente fornecer respostas prontas. Na época, a expectativa era alta, com o fundador discursando sobre a possibilidade de oferecer um tutor pessoal incrível para cada estudante do planeta.
Qual é a percepção dos professores sobre o uso de chatbots?
A aplicação prática nas escolas gerou frustração entre docentes e alunos. Educadores que testaram a tecnologia relataram que o tom encorajador do sistema não foi suficiente para engajar os jovens. Como o robô se recusa a dar respostas diretas e ocasionalmente comete erros, muitos estudantes perderam o interesse rapidamente.
Além disso, o uso da tecnologia para burlar regras escolares tornou-se uma preocupação crescente. De acordo com pesquisas recentes, uma maioria de adolescentes admite que a trapaça facilitada pela inteligência artificial é prevalente em suas instituições. Diante desse cenário, especialistas educacionais notaram os seguintes desafios:
- Estudantes não possuem a habilidade inata de formular perguntas complexas e assertivas;
- A personalização instrucional esperada pelas empresas de tecnologia não se materializou;
- Alunos com menor desempenho acadêmico não apresentaram melhorias significativas com a plataforma;
- A busca por atalhos e respostas fáceis superou amplamente o desejo pelo aprendizado guiado.
Quais são os próximos passos para a plataforma educacional?
Após compreender as limitações do modelo inicial, a organização anunciou uma reestruturação em seu produto para garantir maior tempo de prática acadêmica. Em vez de funcionar como uma ferramenta de busca isolada, o assistente virtual agora está incorporado diretamente aos exercícios. A mudança ocorreu porque os alunos não buscavam a ajuda do bot de forma autônoma conforme o esperado.
A diretora de aprendizado da instituição, Kristen DiCerbo, pontua que a inteligência artificial só pode responder adequadamente com base no que é questionado, e os estudantes ainda têm profunda dificuldade nessa formulação. Apesar dos percalços, o criador do projeto mantém o otimismo, mas com uma nova perspectiva pragmática sobre o papel da inovação.
“Eu apenas vejo isso como parte da solução; não vejo como o princípio e o fim de tudo”,
concluiu, ressaltando que o maior foco de investimento para o futuro deve continuar sendo a estruturação dos sistemas humanos e o apoio irrestrito ao trabalho dos professores em sala de aula.