A inflação na Argentina acelerou para 3,4% em março de 2026, segundo dado divulgado na terça-feira, 14 de abril, pelo Indec, o instituto de estatísticas do país. O resultado interrompe a estabilidade observada em janeiro e fevereiro, quando o índice mensal ficou em 2,9%, e elevou o acumulado do primeiro trimestre para 9,4%. Apesar da alta no mês, o acumulado em 12 meses recuou de 33,1% para 32,6%.
De acordo com informações do Poder360, com base em relatório do Indec, a aceleração foi influenciada por fatores sazonais e pelo reajuste de tarifas públicas. O cenário foi registrado em meio à condução da economia argentina pelo ministro Luis Caputo, no governo do presidente Javier Milei.
O que puxou a inflação argentina em março?
Entre os grupos que mais pressionaram o índice, Educação liderou as altas com 12,1%, em movimento associado ao início do ano letivo. Transporte teve avanço de 4,1%, impulsionado por combustíveis, transporte público e passagens aéreas. Já o grupo Habitação, água, eletricidade e gás subiu 3,7% no período.
O relatório também apontou alta de 5,1% nos preços regulados, definidos ou autorizados pelo governo, com impacto de tarifas e transportes. O núcleo da inflação, que exclui itens mais voláteis, como alimentos e energia, avançou 3,2% em março.
- Inflação mensal: 3,4%
- Acumulado no primeiro trimestre: 9,4%
- Acumulado em 12 meses: 32,6%
- Educação: 12,1%
- Preços regulados: 5,1%
- Núcleo da inflação: 3,2%
Como o Indec explicou a alta dos preços?
Segundo o relatório técnico do Indec, a elevação do nível geral de preços em março foi influenciada por fatores sazonais e pelo ajuste de tarifas públicas. O instituto também destacou diferenças entre categorias e regiões do país.
Na divisão de Alimentos e bebidas não alcoólicas, a alta ficou em 3,4%, em linha com a média nacional. Ainda assim, o item Carnes e derivados teve avanço de 6,9% na região da Grande Buenos Aires, sendo apontado como o principal componente de incidência regional. Por outro lado, os itens estacionais registraram a menor alta, de 1,0%, com alívio em frutas e verduras.
O comportamento dos preços também foi distinto entre serviços e bens. Em março, os serviços subiram 4,2%, enquanto os bens tiveram variação de 3,0%. Regionalmente, o Nordeste argentino registrou inflação de 4,1%, a maior entre as áreas analisadas, enquanto a Patagônia teve o menor índice, de 2,5%.
Como março se compara com fevereiro?
O resultado de março marcou uma mudança em relação aos dois primeiros meses do ano. Em janeiro e fevereiro, a inflação mensal havia permanecido em 2,9%. Em fevereiro, esse desempenho foi interpretado como um sinal de desaceleração depois de cinco meses consecutivos de alta.
Na comparação com o mês anterior, houve também mudança na composição das pressões inflacionárias. Em fevereiro, Educação havia registrado uma das menores variações, com 1,2%. Já Habitação e serviços básicos mostravam pressão mais forte, com alta de 6,8% naquele mês.
O avanço de março ocorre em um contexto de aumento dos preços internacionais do petróleo, citado no texto original como um fator de pressão sobre os custos dos combustíveis e, por consequência, sobre as tarifas de transporte. Com isso, o índice mensal voltou a subir, embora o acumulado em 12 meses tenha mostrado leve recuo.