Empresas do setor de gás estão investindo milhões em uma campanha publicitária na Austrália contra um novo imposto sobre exportações. Entre essas empresas, a Shell Australia é uma das várias que estão financiando a campanha com cerca de um milhão de dólares. De acordo com informações do Guardian Environment, essa iniciativa busca justificar o montante de impostos pagos pela indústria do gás, enquanto o parlamentar do Partido Trabalhista, Ed Husic, critica a tentativa, chamando-a de uma defesa do indefensável.
A campanha publicitária é uma resposta da indústria ao crescente apoio público que o governo de Albanese tem recebido para substituir o imposto atual sobre a renda de recursos petrolíferos por uma alíquota de 25% sobre a receita de exportação de gás. Defensores do imposto, incluindo o senador independente David Pocock e o instituto de pesquisa Australia Institute, afirmam que as empresas de gás estariam prejudicando os contribuintes.
Qual é a posição da Shell Australia?
Durante uma audiência parlamentar realizada na quarta-feira, Cecile Wake, presidente da Shell Australia, defendeu a campanha justificando que era necessária para contrabalançar as alegações muito seletivas feitas pelos defensores do imposto. Ela afirmou que o objetivo é apresentar fatos pertinentes ao público australiano. Wake também mencionou que o orçamento da campanha é significativamente inferior ao dos opositores da indústria de gás.
Quanto está sendo investido em publicações nas redes sociais?
Dados recentes da Meta revelam que a Australian Energy Producers (AEP) investiu R$ 170.500 em mensagens pró-gás no Facebook e Instagram durante 30 dias até 19 de abril, tornando-se o maior investidor em anúncios políticos nesse período. O instituto Australia Institute gastou quase R$ 100.000 no mesmo período.
Executivos da indústria de gás, incluindo representantes da Shell, usaram a audiência para argumentar contra ajustes nos impostos, alegando que isso poderia congelar investimentos. Ed Husic, que apoia uma alíquota de 25% sobre o gás, aconselhou a indústria a não desperdiçar milhões em campanhas publicitárias e, em vez disso, pagar seus impostos como deveriam.
O que o governo australiano está considerando?
Embora o governo de Albanese tenha considerado ajustes na legislação fiscal, parece inclinado a não impor uma alíquota de 25% sobre as exportações de gás, evitando assim alienar parceiros comerciais asiáticos. O orçamento a ser apresentado em 12 de maio não deve abordar diretamente um novo imposto sobre exportação de gás. A investigação liderada pelos Verdes continuará com audiências públicas até o dia 7 de maio.