Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), principal representante do setor industrial no país, revela que 56% das indústrias brasileiras planejam investir em 2026 com o objetivo de expandir seus negócios. No entanto, as altas taxas de juros representam um obstáculo significativo, elevando o custo do crédito e impactando negativamente o setor. A pesquisa foi divulgada às vésperas de mais uma decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a taxa básica de juros, a Selic.
De acordo com informações do portal Poder360, os dados constam no estudo “Investimentos na Indústria 2025-2026”, divulgado pela CNI nesta terça-feira (17). O estudo aponta que 23% do setor industrial não pretendem realizar investimentos no mesmo período. A CNI ressalta a importância do investimento como motor para o aumento da produtividade e para o crescimento sustentável da economia nacional.
Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, expressou preocupação com o percentual de empresas que não pretendem investir. Segundo ele, esse número reflete um cenário adverso herdado do ano anterior, principalmente devido aos juros elevados. Azevedo enfatizou que os investimentos são a base de um crescimento sustentável e a fonte do aumento da produtividade da economia brasileira.
Quais são os principais entraves para o investimento industrial?
A CNI destaca que o alto custo dos empréstimos bancários e a exigência de garantias são entraves que forçam a concentração do financiamento em recursos próprios, utilizados por 62% das empresas. Além disso, 38% dos empresários que não investirão em 2026 decidiram adiar ou cancelar projetos que já estavam em andamento.
Em que as empresas pretendem investir em 2026?
Para 2026, os investimentos visam principalmente a melhoria do processo produtivo, com 48% das empresas indicando essa prioridade. Outros 34% afirmam que concentrarão recursos na ampliação da capacidade produtiva. O mercado interno continua sendo o principal alvo, com 67% das indústrias declarando que o consumidor brasileiro é o único ou o foco predominante dos novos aportes. Apenas 4% indicam que o foco será o mercado externo.
Qual o impacto das incertezas econômicas nos investimentos?
Em 2025, 72% das empresas realizaram investimentos, mas somente 36% conseguiram executar o que havia sido planejado. O principal obstáculo, citado por 63% dos empresários, foram as incertezas econômicas. A queda das receitas foi o segundo fator mais relevante, mencionado por 51% das fontes consultadas.
A pesquisa também revela que 79% das indústrias que investiram no ano passado buscaram o desenvolvimento do capital humano, focando na qualificação da mão de obra e em ganhos de produtividade.
