A extração de látex na Amazônia, antes sinônimo de exploração, está sendo ressignificada por cooperativas indígenas que buscam modelos sustentáveis. O povo indígena Gavião, em parceria com empresas, alia formas tradicionais de coleta à proteção da natureza. De acordo com informações do Mongabay Brasil, enquanto coletam o látex, os serigueiros protegem trilhas na floresta e observam o avanço do garimpo ilegal e da extração de madeira.
Como a extração de látex beneficia as comunidades indígenas?
Na Terra Indígena Igarapé Lourdes, em Rondônia, a comunidade busca ressignificar a extração de látex, gerando renda e protegendo a floresta. José Palahv Gavião, líder da cooperativa local, destaca a importância de valorizar os produtos da Amazônia para evitar sua destruição.
“Em todas as reuniões de que participo, sempre destaco esse ponto: se a gente não colocar valor nos produtos da Amazônia, não vai demorar muito para ela desaparecer.”
Quais são os desafios e oportunidades da bioeconomia na Amazônia?
A rede Origens Brasil conecta comunidades a empresas que buscam processos éticos. A Mercur, por exemplo, compra látex de territórios indígenas, oferecendo contratos de longo prazo e preços justos. No entanto, a produção de látex nativo enfrenta desafios como a imprevisibilidade de entrega e custos elevados.
“Existe um desafio inicial: trabalhar no tempo dos povos [indígenas] da Amazônia. Eles têm o próprio ritmo e a própria forma de viver e trabalhar — e a gente não quer interferir.”
Qual é o impacto da extração de látex na conservação ambiental?
A extração de látex desempenha um papel importante na conservação do bioma. Durante a coleta, os seringueiros preservam trilhas florestais e monitoram atividades ilegais. O modelo de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) remunera os seringueiros não apenas pelo látex, mas também pelos serviços ecológicos prestados.
“Nosso povo quer manter a floresta em pé. Eles querem explorar, mas com o maior cuidado, sem agredir a floresta.”
Como a bioeconomia pode ser impulsionada na Amazônia?
O desenvolvimento da bioeconomia na Amazônia é visto como uma forma de garantir a subsistência de modelos tradicionais e evitar a substituição pela economia industrial. Iniciativas como o Programa Prioritário de Bioeconomia e o Plano Estadual de Bioeconomia buscam impulsionar o crescimento econômico e a inclusão social, protegendo a biodiversidade.
“Quando falamos da Amazônia, de protegê-la, temos que pensar na sociedade que vive lá dentro.”
Fonte original: Mongabay Brasil.