Indígenas contrários ao plano de hidrovias na Amazônia ocuparam a parte interna da Cargill em Santarém, Pará, no sábado (21). O ato é uma resposta à ordem judicial de desocupação concedida a pedido da empresa. De acordo com informações da Folha Ambiente, os manifestantes ocupavam a entrada da Cargill desde 22 de janeiro, protestando contra o projeto assinado pelo presidente Lula, que inclui dragagem nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins.
Por que os indígenas protestam?
O projeto de hidrovias, que já foi alvo de protestos na COP30, é visto como uma ameaça aos direitos indígenas e ao meio ambiente.
“Quando ferem nossos direitos, a gente avança”, disse Alessandra Korap Munduruku, líder indígena.
O governo federal afirma que o decreto não autoriza obras, mas apenas estudos técnicos. No entanto, os indígenas exigem a revogação do decreto 12.600.
Qual é a posição da Cargill?
A Cargill declarou que “duas ações violentas” resultaram em vandalismo e que está em contato com as autoridades para uma desocupação segura. A empresa afirma respeitar as manifestações, mas suas operações estão impactadas e interrompidas.
Quais são os impactos ambientais?
Documentos da Semas, ICMBio e Ibama apontam impactos significativos da dragagem no Tapajós, incluindo alteração da qualidade da água e prejuízo à pesca. O Ministério dos Povos Indígenas reafirma que nenhuma iniciativa pode avançar sem o consentimento dos povos, conforme a convenção nº 169 da OIT.
Fonte original: Folha Ambiente.