Indígenas ocuparam as instalações da Cargill em Santarém, no Pará, em protesto contra a dragagem do rio Tapajós e o Decreto nº 12.600/25 do governo federal, que inclui empreendimentos hidroviários no Programa Nacional de Desestatização. A ocupação começou em 21 de fevereiro, e a Justiça negou o pedido de desocupação feito pela empresa. De acordo com informações do ClimaInfo, o juiz federal Eneias Alexandre Gonçalves Torres considerou que a desocupação não seria adequada durante o plantão judicial, devido à presença de mulheres, crianças e idosos entre os manifestantes.
Qual é o motivo da ocupação?
Os manifestantes, cerca de 1.200 pessoas, decidiram pela ocupação pacífica das instalações após a Justiça dar 48 horas para a liberação das vias de acesso ao terminal da Cargill. A liderança indígena Auricelia Arapiun declarou:
“Hoje, neste um mês, retomamos nosso território sagrado de Vera Paz, que foi invadido pela Cargill anos atrás. Não estamos mexendo nem depredando, é um ato pacífico dos Povos Indígenas. Foi uma resposta ao governo federal, que não nos deu nenhuma posição sobre a revogação do decreto, e também à Justiça, que nos deu 48 horas para sair.”
Como os indígenas estão se organizando?
Alessandra Korap Munduruku, uma das organizadoras do ato, destacou que a mobilização tem ganhado força com a chegada de mais Povos Indígenas de outras regiões, como os Kayapó de Mato Grosso. Ela afirmou:
“Quando ferem nossos direitos, a gente avança. Enquanto eles invadem nossas terras, nós ocupamos a Cargill. E agora chamamos aqui de aldeia Tapajós.”
O Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA) divulgou uma carta aberta afirmando que a decisão de ocupar a Cargill foi tomada após um mês de silêncio institucional e ausência de respostas concretas.
Quais são as reivindicações dos manifestantes?
A carta aberta critica o Decreto nº 12.600, afirmando que os projetos do governo atravessam territórios vivos e que os rios são fonte de vida, não canais de exportação. Os indígenas exigem um posicionamento claro da Presidência da República e diálogo efetivo antes de qualquer decisão sobre os territórios. Na noite de sexta-feira, protestos também ocorreram em frente ao escritório da Cargill em São Paulo, onde manifestantes bloquearam vias de acesso e pintaram portas com as mãos, simbolizando o sangue indígena derramado.
Fonte original: ClimaInfo