O CEO do grupo Latam, Roberto Alvo, manifestou preocupação com as discussões sobre a reforma tributária no Brasil, sinalizando que a implementação de um novo imposto com alíquota de 27% pode provocar um aumento significativo no preço das passagens aéreas. De acordo com informações do UOL Economia, o executivo defende a necessidade de políticas públicas mais assertivas para fomentar o setor de turismo e garantir a competitividade das companhias que operam no território nacional.
A declaração ocorre em um momento em que o governo federal e o Congresso Nacional ajustam os detalhes da unificação de tributos federais e estaduais. Segundo Alvo, a carga tributária projetada para o setor de aviação civil é uma das maiores do mundo, o que limita o acesso de novos passageiros ao transporte aéreo. O executivo destacou que o equilíbrio fiscal é necessário, mas não deve ocorrer às custas da conectividade do país, que ainda busca recuperar e expandir os níveis de tráfego aéreo observados antes da crise sanitária.
Como o novo imposto de 27% impactará o valor das passagens?
O impacto direto de uma alíquota de 27% reflete na composição de custos operacionais das companhias. Atualmente, os bilhetes já sofrem pressão de variáveis como o preço do combustível de aviação (QAV) e a variação cambial do dólar. Com a adição de uma carga tributária elevada sobre o consumo, a tendência natural é o repasse desses valores ao consumidor final. A Latam argumenta que o Brasil precisa de um regime que reconheça a aviação como um serviço essencial para a integração regional e o desenvolvimento econômico.
Além da questão tributária, Roberto Alvo enfatizou que o setor demanda uma infraestrutura mais eficiente e custos regulatórios reduzidos. O CEO ponderou que, sem uma estratégia clara de incentivo, o país corre o risco de estagnar o crescimento do fluxo turístico, tanto doméstico quanto internacional.
Mudanças tributárias em discussão no Brasil podem elevar o preço das passagens aéreas
, afirmou o executivo, reforçando o alerta sobre a perda de competitividade frente a outros destinos na América Latina.
Quais são as principais defesas da Latam para o setor de turismo?
A empresa defende a criação de uma agenda nacional de turismo que contemple pontos estratégicos para o fortalecimento da malha aérea nacional. Entre os principais fatores defendidos pela companhia para evitar o encarecimento excessivo do serviço, destacam-se:
- Redução estrutural do custo do combustível de aviação no mercado interno;
- Manutenção de alíquotas diferenciadas para o transporte aéreo na reforma tributária;
- Melhoria da infraestrutura aeroportuária em cidades de médio porte para expandir rotas;
- Políticas de incentivo para atrair passageiros de primeira viagem;
- Garantia de segurança jurídica para investimentos de longo prazo em frotas.
Atualmente, a aviação civil brasileira opera com margens financeiras estreitas e desafios logísticos complexos. A Latam, como uma das líderes de mercado, monitora de perto as votações no Legislativo que podem definir o futuro do Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Se a alíquota padrão for aplicada sem exceções ou compensações ao setor, o Brasil poderá figurar entre os países com o transporte aéreo mais custoso para os cidadãos no cenário global.
Qual a importância de políticas públicas para a malha aérea?
O desenvolvimento de políticas públicas é visto por especialistas e pela diretoria da companhia aérea como o único caminho viável para baratear a operação de longo curso. Roberto Alvo aponta que o crescimento do potencial turístico brasileiro depende de uma visão governamental que não enxergue o setor apenas como uma fonte de arrecadação imediata. A conectividade aérea é responsável por movimentar bilhões de reais na economia real, gerando empregos diretos e indiretos em hotéis, restaurantes e serviços de lazer.
Em conclusão, o alerta da Latam serve como um chamado à reflexão para os formuladores de políticas econômicas. O desafio reside em equilibrar a necessidade de arrecadação do Estado com a viabilidade financeira de um setor que é vital para o turismo e para os negócios. Sem um consenso sobre o teto da carga tributária, o valor dos bilhetes pode atingir patamares impeditivos para a classe média, restringindo o mercado e prejudicando o desenvolvimento de diversas regiões do interior do país.