A ilha Moyenne, no arquipélago das Seychelles, foi comprada em 1962 pelo jornalista britânico Brendon Grimshaw, que decidiu recuperar a área abandonada ao lado de René Antoine Lafortune. Ao longo de décadas, os dois abriram trilhas, plantaram 16 mil árvores e arbustos e contribuíram para o retorno de aves e tartarugas gigantes ao local. De acordo com informações do O Antagonista, a transformação resultou no reconhecimento da ilha como parque nacional em 2009.
Segundo o relato publicado pelo veículo, Grimshaw chegou à ilha durante férias nas Seychelles, quando trabalhava como editor de jornais no Quênia e na Tanzânia. A área, descrita como pequena e abandonada, media cerca de 400 metros de comprimento por 300 de largura. Sem moradores desde 1915, a ilha apresentava vegetação tomada por ervas daninhas, presença de ratos e ausência de pássaros.
Como Brendon Grimshaw decidiu comprar a ilha Moyenne?
O texto informa que, na penúltima manhã de sua estadia nas Seychelles, Grimshaw foi abordado por um homem que lhe ofereceu a ilha por £8 mil. Ele visitou Moyenne no mesmo dia e decidiu comprá-la. Na época, o jornalista avaliava mudanças em sua própria vida profissional, em meio ao cenário de transformações políticas no continente africano.
Depois da compra, ele passou a se dedicar à recuperação ambiental da ilha. A reportagem afirma que Grimshaw não tinha formação em biologia nem em agricultura, mas assumiu o projeto de reverter o abandono da área. Pouco depois, conheceu René Antoine Lafortune, trabalhador local que se tornaria seu principal parceiro nessa iniciativa por quase quatro décadas.
O que foi feito para recuperar a vegetação e a fauna?
De acordo com o artigo original, Grimshaw e Lafortune abriram trilhas manualmente, identificaram espécies nativas e estudaram as características do solo e do microclima da ilha. Ao longo dos anos, plantaram 16 mil árvores e arbustos, além de construir 4,8 quilômetros de trilhas e instalar um sistema de captação de água da chuva para irrigação.
O texto também relata que, com o crescimento da vegetação e a oferta de frutos, aves começaram a voltar para a ilha. Grimshaw chegou a levar dez pássaros de uma ilha vizinha, embora eles tenham ido embora no mesmo dia. Depois de novas tentativas, algumas aves passaram a permanecer na área, e outras espécies se juntaram gradualmente.
- Plantio de 16 mil árvores e arbustos
- Construção de 4,8 quilômetros de trilhas
- Captação de água da chuva para irrigação
- Reintrodução de tartarugas gigantes de Aldabra
Como a ilha passou a abrigar aves e tartarugas gigantes?
Segundo a publicação, hoje a ilha abriga cerca de 2 mil pássaros, incluindo espécies endêmicas das Seychelles. As tartarugas gigantes de Aldabra, mencionadas como nativas do arquipélago, também foram reintroduzidas por Grimshaw. O texto diz que ele numerava os cascos para identificar os animais e mantinha filhotes no próprio quarto.
A reportagem afirma ainda que Moyenne passou a abrigar cerca de 50 tartarugas, algumas com mais de um metro de comprimento e 200 quilos. A recuperação da fauna teria acompanhado a regeneração da vegetação e a reorganização do ambiente natural da ilha.
O que aconteceu com a ilha após a valorização turística das Seychelles?
Com o aumento do interesse internacional pelas Seychelles, o texto diz que incorporadores apresentaram propostas para comprar a ilha. Segundo o relato reproduzido por O Antagonista, Grimshaw recusou todas as ofertas, inclusive uma proposta documentada de US$ 50 milhões. A justificativa atribuída a ele era evitar que o local fosse transformado por empreendimentos imobiliários.
Após a morte de Lafortune, em 2007, Grimshaw teria buscado uma forma de garantir proteção institucional para a área. Em 2009, conforme a reportagem, foi firmado um acordo com o Ministério do Meio Ambiente das Seychelles, e Moyenne se tornou oficialmente um parque nacional.
Qual legado Brendon Grimshaw deixou na ilha Moyenne?
Grimshaw morreu em 3 de julho de 2012, aos 86 anos, e foi enterrado na ilha, segundo o texto original. Hoje, o local recebe visitantes em grupos de até 50 pessoas por vez, sem hotel, resort ou novas construções. A matéria também informa que, em 1996, ele publicou o livro A Grain of Sand, sobre sua experiência em Moyenne.
“Era o lugar que eu estava procurando.”
O caso ficou marcado pela transformação de uma ilha abandonada em uma área protegida, resultado de um trabalho de longo prazo voltado à restauração ambiental e à preservação da fauna e da flora locais.