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Hidrelétrica nos Grandes Lagos ganha força após corte a incentivos limpos nos EUA

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Picturesque view of a coastal wind farm with turbines and waves under a clear blue sky.
Picturesque view of a coastal wind farm with turbines and waves under a clear blue sky. Foto: lange x — Pexels License (livre para uso)

A demanda por tecnologias hidrelétricas submersíveis e de energia marinha está crescendo na região dos Grandes Lagos, na América do Norte, em meio ao aumento do consumo de eletricidade, da alta nas tarifas e das mudanças na política energética dos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump. Projetos no rio São Lourenço, em Montreal, e no rio Niágara, em Buffalo, devem começar a operar ainda em 2026, enquanto empresas e pesquisadores defendem que esses sistemas podem ampliar a oferta de energia contínua em áreas urbanas e industriais.

De acordo com informações do Guardian Environment, companhias como a Ocean Renewable Power Company (ORPC) e a Orbital Marine Power anunciaram novas iniciativas na região, ao mesmo tempo em que incentivos federais para energia solar e eólica estão sendo eliminados nos EUA. O movimento ocorre em um contexto de maior interesse por fontes capazes de operar de forma constante, inclusive como apoio em situações de falha da rede elétrica. Para o Brasil, o tema é relevante porque o debate sobre segurança energética e diversificação da matriz também envolve fontes renováveis com geração contínua, em um sistema no qual a hidreletricidade já tem peso estrutural.

Por que a hidreletricidade submersível avança na região dos Grandes Lagos?

A região dos Grandes Lagos reúne algumas das maiores cidades da América do Norte, como Chicago, Toronto, Montreal e Detroit, onde a demanda por eletricidade está em crescimento. Embora os cinco lagos não tenham marés ou correntes expressivas para esse tipo de geração, vários rios e canais que os conectam apresentam fluxo suficiente para movimentar turbinas submersas.

Em fevereiro de 2026, a ORPC anunciou seu primeiro empreendimento urbano no rio São Lourenço, em Montreal, com previsão de iniciar a operação de dois dispositivos hidrelétricos ainda em 2026. Segundo Stuart Davies, diretor-executivo da empresa, o rio é uma das melhores oportunidades para a tecnologia na América do Norte por ter água com velocidade alta e constante por centenas de quilômetros.

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“O rio São Lourenço é uma das melhores oportunidades na América do Norte para a nossa tecnologia porque tem água com velocidade alta e constante por centenas de quilômetros. Só na área de Montreal, há um potencial de recurso de 60 a 90 megawatts.”

Davies também citou o rio Niágara e o próprio São Lourenço como cursos d’água de grande força, impulsionados pela hidrologia do escoamento dos lagos. Os equipamentos da empresa usam turbinas de fibra de carbono com aparência semelhante à lâmina helicoidal de um cortador de grama manual, girando com a força da corrente. O avanço desse tipo de projeto na América do Norte também é acompanhado por outros países com tradição hidrelétrica, como o Brasil, onde novas tecnologias de geração em cursos d’água costumam ser observadas à luz de custos, licenciamento e impactos ambientais.

Quais projetos estão previstos no Canadá e nos Estados Unidos?

Além da iniciativa em Montreal, a ORPC deve começar ainda em 2026 um segundo projeto na região dos Grandes Lagos, em um trecho do rio Niágara, na cidade de Buffalo, no estado de Nova York. Já a Orbital Marine Power anunciou em novembro de 2025 que pretende instalar até três dispositivos de maré O2-X na passagem de Minas, na baía de Fundy, na província canadense da Nova Escócia.

O avanço dessa geração ocorre enquanto consumidores residenciais e industriais enfrentam contas de energia mais altas em vários pontos da região. Em setembro de 2025, a comissão de serviços públicos de Nova York aprovou reajustes tarifários e de entrega que elevaram significativamente as contas no oeste do estado, incluindo Buffalo. Novos aumentos estão programados para 2026 e para 2027.

O texto também cita situações semelhantes em Michigan e Ohio, onde disputas entre gestores públicos e comunidades ligadas à presença de datacenters têm aprofundado tensões em áreas rurais. Para Davies, embora a demanda energética desses centros de dados seja muito superior à capacidade individual dos equipamentos da ORPC, que variam de meio megawatt a cinco megawatts, a tecnologia pode atender aplicações empresariais específicas.

“Se você é um cliente industrial e está pensando no crescimento da IA… podemos ser esse recurso de eletricidade 24 horas por dia, 7 dias por semana, que faz parte de uma carga de base em tempos normais e, se a rede cair por algum motivo, aquele rio continua correndo.”

“Você vai ter esse nível de energia de emergência.”

Quais obstáculos ambientais e regulatórios ainda limitam essa expansão?

Apesar do avanço, a expansão não ocorre sem controvérsia. Nos Estados Unidos, cidades e estados da região dos Grandes Lagos não têm a mesma tradição de uso hidrelétrico observada em Montreal e em Quebec, onde a geração desse tipo já está consolidada e associada a eletricidade de menor custo. Além disso, o processo de licenciamento para uma instalação hidrelétrica nos EUA leva, em média, oito anos até a aprovação completa.

Outro ponto de preocupação é o impacto de turbinas giratórias em rios e canais que abrigam dezenas de espécies de peixes e outros animais. Anne KC McCooey, da Black Rock Riverside Alliance, em Buffalo, afirmou que a entidade não se opõe à energia hidrocinética em geral, mas defende que sua adoção precisa ser responsável.

“No que diz respeito à energia hidrocinética em geral, não somos contrários a ela de forma alguma. Fontes de energia responsáveis e sustentáveis precisam ser incentivadas.”

“No entanto, a palavra-chave é responsabilidade. Não se pode instalar algo apenas para aproveitar a energia e, ao mesmo tempo, causar danos ao meio ambiente e à vida humana e não humana que depende desse ambiente.”

A ORPC afirmou que, em um local no Alasca onde suas turbinas operam desde 2019 para abastecer uma pequena comunidade, não houve registro de lesões em peixes causadas pelos dispositivos, apesar da passagem anual de dezenas de milhões de salmões sockeye adultos e juvenis.

  • Licenciamento hidrelétrico nos EUA leva, em média, oito anos.

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