A guerra no Oriente Médio tem provocado reflexos no Brasil ao pressionar os preços de combustíveis, fertilizantes e alimentos, segundo artigo publicado em 15 de abril de 2026. De acordo com informações do Greenpeace Brasil, as restrições no Estreito de Ormuz e a alta nas cotações de insumos fósseis afetam a agricultura, o transporte e o custo de vida das famílias brasileiras, em um contexto de dependência de diesel, gás natural e fertilizantes importados.
No texto, a organização afirma que os efeitos do conflito ultrapassam a região da guerra e chegam ao mercado brasileiro por meio do encarecimento de itens centrais para a produção e a logística. Entre os fatores citados estão a circulação de petróleo pelo Estreito de Ormuz, a participação de países do Oriente Médio no mercado de insumos nitrogenados e o impacto do diesel no frete rodoviário.
Como a guerra afeta os preços no Brasil?
O artigo destaca que o Brasil importa cerca de 87% dos fertilizantes que consome, o equivalente a aproximadamente 45 milhões de toneladas por ano. A maior parte desses insumos é do tipo NPK, e, no caso dos fertilizantes nitrogenados, como a ureia, países do Oriente Médio têm participação relevante no fornecimento.
Segundo o texto, o aumento dos custos atinge diferentes cadeias produtivas. O óleo de soja registrou alta em março, impulsionado pela demanda por biodiesel, de acordo com dados do Cepea da USP citados pela publicação. Milho, arroz, feijão e açúcar aparecem entre os produtos impactados pelo encarecimento dos fertilizantes, enquanto carnes e ovos sofrem pressão com a alta da ração e do transporte.
A publicação também informa que dados da ANP apontam aumento no diesel e que análises do Cepea/USP indicam possibilidade de alta do frete superior a 50% na comparação anual. Como o fluxo de caminhões nesta época do ano já é maior, a elevação dos custos logísticos tende a ampliar a pressão sobre os preços dos alimentos.
Qual é a relação entre fertilizantes, diesel e comida mais cara?
O artigo sustenta que a ligação entre guerra e preço da comida passa pela dependência da agricultura em relação aos combustíveis fósseis. A produção de fertilizantes nitrogenados, amplamente usados no Brasil e no mundo, depende diretamente do gás natural. Já o diesel influencia o custo do plantio, da colheita e do transporte da produção.
Nesse cenário, a alta desses insumos afeta de forma encadeada várias etapas da produção agrícola. O texto resume esse movimento em três pontos principais:
- encarecimento dos fertilizantes usados na nova safra;
- aumento do diesel empregado em máquinas e no frete;
- repasses graduais ao preço final dos alimentos.
A coordenadora de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Leilane Reis, é citada no texto original ao comentar os efeitos econômicos e sociais desse quadro.
“Os conflitos geopolíticos em curso estão ceifando milhares de vidas e aprofundando desigualdades em todo o mundo”
“O Brasil sente esse impacto diretamente, afinal nossa dependência de combustíveis fósseis nos deixa reféns de crises que não controlamos e que custam bilhões aos cofres públicos. Precisamos ir além de medidas emergenciais e investir em soberania alimentar e energética de forma segura e local. Não é só uma questão ambiental, é responsabilidade econômica e social.”
Quais medidas do governo foram citadas?
O texto informa que o governo federal adotou medidas emergenciais para reduzir a pressão sobre os preços ligados à cadeia de combustíveis fósseis. Entre elas, aparecem as Medidas Provisórias 1340 e 1349, publicadas em março e abril, que, segundo a publicação, mobilizam cerca de R$ 40 bilhões.
De acordo com o artigo, essas ações incluem subsídios ao diesel e ao gás de cozinha, além de fiscalização de preços abusivos em postos de combustíveis. A avaliação apresentada é que as medidas ajudam a amortecer o impacto imediato, especialmente para famílias de baixa renda, mas não resolvem a dependência estrutural do país em relação a combustíveis e insumos fósseis.
Que soluções são apontadas no texto?
A publicação defende a redução gradual da dependência de combustíveis fósseis por meio de práticas locais de produção e do fortalecimento de fontes renováveis. Entre os caminhos mencionados estão rotação de culturas, uso de biofertilizantes naturais, agroecologia, expansão de bioinsumos e apoio à agricultura familiar, povos indígenas e comunidades tradicionais.
O artigo também menciona o cessar-fogo no Irã previsto até 21 de abril, mas afirma que o conflito não foi interrompido e cita novos ataques no Líbano e a continuidade das restrições no Estreito de Ormuz. Nesse contexto, o texto relaciona ajuda humanitária, pressões diplomáticas e transição energética a uma estratégia mais ampla para reduzir vulnerabilidades econômicas e sociais no Brasil.