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Guerra no Irã: Governo do Brasil teme proliferação nuclear e avanço de Israel

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Vista aérea de uma cidade iraniana com fumaça ao fundo e silhueta de jatos militares cruzando o céu ao entardecer.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

Em 29 de março de 2026, o governo brasileiro, por meio do Itamaraty e do Palácio do Planalto, expressou profunda preocupação com os desdobramentos de longo prazo da guerra no Irã. Avaliações diplomáticas apontam que o conflito no Oriente Médio pode criar um ambiente propício para uma nova corrida por armamentos atômicos e fortalecer políticas de expansão territorial na região.

De acordo com informações da Folha de S.Paulo, além dos impactos imediatos nos preços de energia e insumos agrícolas, autoridades do Itamaraty e do Palácio do Planalto temem que o cenário leve países aliados aos Estados Unidos a buscarem capacidade própria de dissuasão militar. O Itamaraty é o ministério responsável pela política externa brasileira e pela atuação diplomática do país.

Como a guerra no Irã afeta a segurança do Golfo Pérsico?

Nações como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos inicialmente se opunham aos ataques coordenados por Israel e por Washington, temendo que a retaliação iraniana fosse direcionada aos seus territórios. Embora não tenham sido consultados sobre a ofensiva, o líder saudita, Mohammed bin Salman, passou a apoiar a ação militar após pressões de Donald Trump. O temor dessas nações, em março de 2026, é que o término do conflito deixe um regime hostil e ressentido no poder.

Essa fragilidade no guarda-chuva de segurança oferecido pelos americanos pode estimular uma escalada armamentista. O Brasil avalia que, caso a gestão linha-dura de Teerã sobreviva aos bombardeios, governos vizinhos podem investir em alternativas nucleares. Cabe destacar que os sauditas mantêm forte aliança com o Paquistão, um país que já possui arsenal atômico. Simultaneamente, a própria liderança iraniana pode consolidar a percepção de que necessita de armamento pesado para garantir sua sobrevivência política.

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Quais são os riscos de uma expansão territorial de Israel?

O cenário de uma eventual derrota total do regime islâmico iraniano também gera alertas na diplomacia brasileira. Existe a leitura de que o enfraquecimento de Teerã estimularia o governo de Binyamin Netanyahu a adotar uma postura ainda mais agressiva e expansiva no Oriente Médio. Entre as possíveis consequências, destacam-se:

  • A manutenção e consolidação da ocupação militar no território do Líbano.
  • Novos avanços e o aprofundamento das operações de controle na Cisjordânia.
  • Ações estratégicas voltadas para o enfraquecimento regional da Turquia.

O prolongamento da presença militar em solo libanês é visto como uma ameaça contínua, com a possibilidade de as tropas permanecerem no país árabe mesmo após uma eventual retirada americana da região. Em fevereiro de 2026, ao celebrar os primeiros bombardeios, o primeiro-ministro israelense foi explícito sobre seus objetivos estratégicos no conflito.

A aliança com os EUA nos permite fazer o que queríamos fazer nos últimos 40 anos.

Por que os objetivos dos Estados Unidos e de Israel divergem?

As autoridades em Brasília observam que a estratégia em relação ao Irã causa atritos crescentes entre os governos aliados. Enquanto Israel busca a destruição máxima da infraestrutura de Teerã, sendo menos sensível às pressões comerciais e ao isolamento internacional, a administração americana sofre com a vulnerabilidade da economia global. O preço da energia no Oriente Médio tem impacto internacional e pode afetar também o Brasil, dada a influência da região sobre o mercado global de petróleo. O preço médio da gasolina nos Estados Unidos registrou um aumento de trinta por cento apenas no mês de março, gerando forte desgaste político interno.

Pesquisas recentes apontam que quase sessenta por cento dos eleitores americanos desaprovam a intensidade das ações militares. O conflito provocou até mesmo a renúncia de Joe Kent, diretor do centro de contraterrorismo dos Estados Unidos. Ao deixar o cargo, Kent afirmou que os iranianos não representavam uma ameaça iminente à nação e que a guerra foi iniciada devido à forte pressão do lobby pró-Israel em Washington.

Qual é o posicionamento oficial da diplomacia brasileira?

Apesar da intensa instabilidade no Oriente Médio, o Brasil decidiu manter sua embaixada operando normalmente em Teerã, contando com a presença do embaixador e de dois diplomatas de carreira no local. Desde o início das hostilidades, o Itamaraty publicou notas oficiais condenando tanto os bombardeios iniciais americano-israelenses — que ocorreram em meio a tentativas de negociação — quanto as ações retaliatórias contra as nações do Golfo.

A diplomacia brasileira exigiu publicamente o respeito rigoroso ao Direito Internacional e pediu máxima contenção para proteger as populações e a infraestrutura civil. Em uma demonstração de independência política, a representação do Brasil nas Nações Unidas optou por não patrocinar a resolução 2817 do Conselho de Segurança. O texto em debate condenava exclusivamente as retaliações iranianas, ignorando por completo os ataques prévios iniciados por Washington e Tel Aviv.

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