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Guerra no Irã expõe risco energético do Brasil, diz ex-chefe da Petrobras

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Plataforma de petróleo em mar aberto sob céu alaranjado, simbolizando exploração e vulnerabilidade energética.
Reprodução / agenciabrasil.ebc.com.br

A guerra no Irã, somada ao novo choque do petróleo e ao fechamento do Estreito de Ormuz, expõe a vulnerabilidade energética do Brasil, segundo avaliação do ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli. Em entrevista publicada neste sábado, 28 de março de 2026, em Brasília, ele afirmou que a falta de capacidade de refino no país, especialmente para diesel, deixa o mercado interno mais exposto às turbulências externas. De acordo com informações da Agência Brasil, a avaliação foi feita no contexto do lançamento do livro Economia do Hidrogênio: paradigma energético do futuro.

Gabrielli, que presidiu a estatal entre 2005 e 2012, afirmou que o cenário internacional deve alterar a geografia do comércio mundial de petróleo e gás. Na leitura dele, a guerra tende a reduzir o peso do Oriente Médio no abastecimento de alguns mercados e ampliar a importância de produtores como Brasil, Canadá e Guiana, sobretudo no atendimento à demanda de China e Índia.

Como a guerra pode mudar o mercado global de petróleo e gás?

Ao comentar os efeitos do conflito, Gabrielli disse que o mundo vive um terceiro grande choque do petróleo, após os episódios de 1973 e 1979. Segundo ele, os impactos não se limitam aos preços e devem produzir mudanças estruturais nas rotas de comercialização, especialmente no mercado de gás, em razão dos ataques a importantes áreas produtoras. O Estreito de Ormuz, citado por ele, é uma das principais rotas marítimas para o escoamento de petróleo do Oriente Médio, o que amplia o peso global de qualquer interrupção na região.

Tivemos dois choques grandes em 1973 e 1979. E agora estamos tendo um terceiro grande choque do petróleo que vai deixar efeitos estruturais, mudando a comercialização do petróleo, mas, mais ainda, do mercado de gás.

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Na entrevista, ele afirmou ainda que os Estados Unidos buscam interferir no mercado mundial do petróleo por meio de ações sobre países como Venezuela e Irã. Também avaliou que o controle do Estreito de Ormuz e as mudanças nas exportações iranianas podem alterar relações comerciais e até o peso do dólar nas negociações do setor.

Por que o Brasil estaria mais exposto a essa crise?

Para Gabrielli, o principal problema brasileiro é a limitação da capacidade de refino. Ele afirmou que o país não consegue atender plenamente a demanda doméstica por diesel, gasolina e gás de cozinha, sendo o diesel o ponto mais sensível. Segundo sua avaliação, essa dependência externa aumenta o risco em momentos de instabilidade internacional.

O ex-presidente da Petrobras relacionou essa situação à interrupção de projetos de expansão do refino no país. Ele disse que, após a Operação Lava Jato, foi inibida a possibilidade de construção de novas refinarias. Na entrevista, lembrou que a Petrobras planejava erguer cinco unidades, mas concluiu apenas uma, inaugurada em Pernambuco em 2014.

  • O Brasil não teria capacidade de refino suficiente para toda a demanda interna.
  • O diesel foi apontado como principal foco de dependência externa.
  • Novas refinarias não seriam solução de curto prazo, porque levam anos para ficar prontas.
  • Medidas imediatas, segundo ele, passam pela política de preços.

Qual foi a avaliação sobre importadoras e operação das refinarias?

Gabrielli também comentou o papel das importadoras de combustíveis no mercado brasileiro. Segundo ele, a abertura para esses agentes ocorreu a partir do governo Michel Temer, ao mesmo tempo em que refinarias da Petrobras teriam operado com menor carga durante os governos Temer e Jair Bolsonaro. Na avaliação dele, isso abriu espaço para importações.

Ele afirmou que, a partir de 2023, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, as refinarias voltaram a operar com até 93% da capacidade, mas ainda assim sem atender toda a demanda nacional. Para o ex-presidente da estatal, os importadores atuam de forma oportunista, importando apenas quando o preço internacional compensa frente ao mercado doméstico.

Que efeitos esse cenário pode ter sobre a transição energética?

Na entrevista, Gabrielli disse que o atual choque do petróleo não elimina a dependência imediata de combustíveis fósseis, mas pode acelerar mudanças no longo prazo. Segundo ele, uma alta de preços tende a provocar contração de demanda no curto prazo e, mais adiante, alteração de comportamento econômico e energético.

Dessa vez, a transição energética vai aumentar no longo prazo por conta desse novo choque.

Ao tratar do hidrogênio verde, tema de seu novo livro, ele afirmou que a tecnologia ainda depende da criação de mercado para se viabilizar em escala. Segundo Gabrielli, o combustível pode ter papel relevante na descarbonização da indústria, do transporte pesado, da aviação, da siderurgia e da produção de cimento, mas ainda está associado a uma transição mais ampla do setor produtivo.

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