A guerra no Irã iniciada por Estados Unidos e Israel completa um mês neste domingo, 29 de março de 2026, sem perspectiva clara de desfecho, em meio a uma condução marcada por mensagens contraditórias do presidente Donald Trump. Segundo o relato, o conflito entrou em uma nova fase com risco de mais violência, pressão sobre o estreito de Hormuz e indefinição sobre os objetivos estratégicos de Washington e de Tel Aviv. De acordo com informações da Folha de S.Paulo, o vaivém de declarações públicas do presidente americano passou a ser um dos traços centrais da guerra.
Para o Brasil, a crise tem potencial de impacto sobretudo por afetar o mercado internacional de petróleo e combustíveis, além de pressionar cadeias logísticas globais. O estreito de Hormuz é uma das principais rotas marítimas de energia do mundo, e oscilações na região costumam repercutir nos preços internacionais acompanhados também pelo mercado brasileiro.
O texto informa que Trump concedeu dezenas de entrevistas e fez cerca de cem postagens na rede Truth sobre o conflito ou temas relacionados. Nesse contexto, a principal regularidade observada seria a declaração antecipada de vitória e a produção deliberada de confusão informativa. A avaliação apresentada é a de que esse comportamento busca confundir adversários, mas também expõe falta de rumo estratégico.
Como o vaivém de Trump apareceu na condução da guerra?
A semana anterior ao fechamento da reportagem é apontada como exemplo dessa oscilação. Na segunda-feira, 23 de março, venceria o prazo de dois dias dado por Trump para que Teerã reabrisse o estreito de Hormuz. A ameaça, segundo o texto, era devastar usinas de energia iranianas caso isso não ocorresse. O Irã respondeu afirmando que faria o mesmo na região, sustentado por sua campanha de retaliação com drones e mísseis em diferentes pontos do Oriente Médio.
Depois disso, Trump teria recuado, transferindo o prazo para sábado, 28 de março. Na quinta-feira, 26, voltou a mudar de posição e adiou qualquer definição para depois da Páscoa, em 6 de abril. Paralelamente, havia negociações para o fim do conflito, embora Israel e o secretário de Estado, Marco Rubio, tenham indicado que a guerra ainda duraria mais algumas semanas.
Trump afirmou ter sido procurado por iranianos que pediriam o fim da guerra, mas Teerã negou essa versão. Ainda segundo a reportagem, o governo iraniano disse ter recebido por emissários paquistaneses um plano de 15 pontos considerado inaceitável e devolveu outra proposta, também rejeitada, na qual reivindicava, entre outros pontos, o direito de cobrar pedágio em Hormuz.
Quais são os objetivos em disputa no conflito?
A matéria afirma que o programa nuclear iraniano foi o motivo inicial alegado por Trump e por Binyamin Netanyahu para a guerra. Ao mesmo tempo, descreve que Israel conduz uma campanha própria, chamada Operação Leão Rugindo, enquanto os EUA nomearam sua ofensiva de Operação Fúria Épica. Tel Aviv, segundo o texto, teria apostado em uma ação total contra o Irã, aceitando absorver retaliações espalhadas por toda a região.
O conteúdo também sustenta que, antes e depois da decapitação da teocracia no início do conflito, Trump sinalizava a intenção de instalar um governo alinhado em Teerã. Essa tentativa, porém, teria fracassado. A estrutura de poder iraniana, descrita como mais próxima de uma ditadura militar sob a Guarda Revolucionária, reagiu rapidamente, preservou estabilidade institucional e manteve controle do país.
Em termos militares, o texto afirma que os EUA promoveram 10 mil ataques até o fim da semana passada. Israel, em sua última contagem pública, no dia 19, estaria em 8.500 ações, incluindo operações contra o Hezbollah no Líbano. A destruição de infraestrutura militar e industrial iraniana é descrita como extensa, ainda que o regime tenha sobrevivido.
Por que o estreito de Hormuz segue no centro da crise?
O estreito de Hormuz permanece como ponto central da guerra por escoar 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, segundo a reportagem. O bloqueio de mais de 90% do tráfego na região é apresentado como sinal de que o Irã mantém vantagem estratégica nesse gargalo marítimo, o que amplia a pressão sobre Trump.
Para o Brasil, qualquer restrição prolongada em Hormuz é relevante porque o país, mesmo sendo produtor de petróleo, segue exposto à formação de preços no mercado internacional. Além do efeito potencial sobre combustíveis, crises no Oriente Médio também costumam mobilizar a diplomacia brasileira em fóruns multilaterais.
Inicialmente, o presidente americano convidou aliados e até a China a enviar navios para garantir o trânsito de petroleiros. A justificativa, segundo o texto, era que os EUA não dependem diretamente dessas commodities, mas precisam de estabilidade no mercado global e nas cadeias de suprimento. Sem obter resposta, Trump teria passado a atacar aliados, especialmente europeus, chamando-os de covardes.
Depois, voltou a dizer que não precisava de ajuda, embora prometesse não esquecer o comportamento dos parceiros. Para a reportagem, essa sequência reforça o ambiente de desordem política e diplomática em torno da guerra.
O que pode acontecer na próxima fase da guerra?
A próxima etapa pode incluir uma ação terrestre, classificada como de altíssimo risco para os EUA. De acordo com o texto, os americanos perderam oficialmente 13 militares até aqui, enquanto os mortos no Irã passam de 1.900, com 1.200 no Líbano e 53 em países árabes. Marco Rubio negou necessidade de tropas em solo, mas a reportagem diz que os EUA deslocam 5.000 fuzileiros navais e talvez número semelhante de soldados aerotransportados para a região até o começo da semana após a Páscoa.
- O novo prazo diplomático mencionado é 6 de abril.
- Os alvos em análise incluem posições no estreito de Hormuz.
- A ilha de Kharg aparece como ponto sensível por concentrar exportações de petróleo iraniano no golfo Pérsico.
- A tomada dessas áreas é descrita como provável, mas sua manutenção como incerta.
A avaliação final do texto é que a nova fase do conflito tende a ser marcada por mais violência em campo. Também indica que Trump deverá continuar apresentando versões diferentes dos fatos, tanto para confundir adversários quanto para influenciar o público doméstico.