Governança florestal no Peru enfraquece e favorece uso de “permissões fantasmas” - Brasileira.News
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Governança florestal no Peru enfraquece e favorece uso de “permissões fantasmas”

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Área de floresta tropical densa e verde com clareiras e troncos cortados, evidenciando desmatamento sob céu nublado.
Foto: Astro_Alex / flickr (by)

Publicado em 30 de março de 2026, o relato sobre o enfraquecimento da governança tradicional das florestas na Amazônia peruana descreve como esse processo tem aberto espaço para o uso de “florestas de papel fantasmas”, um esquema em que permissões florestais são alugadas ou vendidas e usadas para dar aparência legal à madeira extraída de áreas não autorizadas ou protegidas. O tema foi relatado em Honoria, no Peru, e em áreas próximas ao Rio Fervente, com base em documentos e relatos reunidos pela reportagem. De acordo com informações da Mongabay Global, promotores e órgãos de fiscalização apontam que a erosão da autoridade comunitária indígena tem facilitado corrupção, desmatamento e lavagem de madeira.

Embora o foco esteja no Peru, o tema tem relevância para o Brasil porque os dois países compartilham a Amazônia e desafios de fiscalização ambiental na região. Dinâmicas de extração ilegal e lavagem de madeira em um país amazônico têm impacto sobre a preservação do bioma como um todo e interessam ao debate regional sobre rastreabilidade e controle florestal.

A reportagem relaciona esse processo a mudanças internas nas comunidades e a pressões econômicas, políticas e territoriais. Na região do Peru, especialmente no entorno do Rio Fervente e da floresta de produção permanente local, a disputa pelo controle da floresta também estaria sendo influenciada pelo ecoturismo e por empreendimentos espirituais. Segundo o texto original, curandeiros mestiços alertam que rituais, uso da língua, autoridade dos mais velhos e segurança territorial vêm sendo deixados de lado.

Como a perda de governança tradicional afeta a floresta?

A matéria afirma que a transformação da floresta não decorre apenas de pressões externas, mas também da perda de mecanismos internos de organização. Com o enfraquecimento da autoridade baseada nos anciãos, dos rituais e da liderança de longo prazo, decisões coletivas passam a ser substituídas por um controle centrado em documentos, certificados e permissões.

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Nesse contexto, a antropóloga Glenn Shepard, citada pela reportagem, avalia que o apagamento cultural, a perda de línguas e a fragmentação da orientação comunitária podem caminhar lado a lado com a corrupção interna e com o avanço do desmatamento. A mesma reportagem também menciona a avaliação de Enrique Ortiz, do Andes Amazon Fund, de que a degradação cultural e o desmatamento se retroalimentam.

O texto traz ainda o relato de Jacqueline Flores, apresentada em uma maloca Asháninka. Ela diz que seu trabalho de fortalecer o próprio centro de cura, recuperar sua língua e se reconectar com o território responde a perdas vividas por sua família desde o deslocamento forçado nos anos 1980, durante a violência do grupo Sendero Luminoso, guerrilha que atuou no Peru no período.

“Sou estudante das plantas”, diz ela, “para ajudar a humanidade e as pessoas que precisam ‘curar-se’.”

O que são as “florestas de papel fantasmas”?

Segundo a reportagem, o esquema funciona por meio do uso fraudulento de permissões florestais. Toda operação de extração autorizada gera uma guia de transporte florestal, documento que permite o transporte legal da madeira. O promotor ambiental Eduardo Nina Cruz, do departamento de Ucayali, afirmou à Mongabay que, em vários casos, inspeções posteriores constataram que a área autorizada jamais havia sido explorada, embora os documentos de transporte tivessem sido revendidos a terceiros.

“Essa guia de transporte vale muito dinheiro”, explica. “É como um cheque em branco.”

Na prática, de acordo com a matéria, isso cria uma estrutura legal apenas no papel, usada para emitir documentação regular para madeira retirada de outros locais. O texto sustenta que o mecanismo pode se conectar diretamente aos sistemas de governança de comunidades indígenas quando há vazio de autoridade ou fragilidade institucional.

Que caso concreto foi citado pela reportagem?

A Mongabay menciona relatórios da OSINFOR, órgão peruano de supervisão de recursos florestais e de fauna, sobre a Comunidade Nativa de Santa Rosa de Sarayacu, na Amazônia peruana. Conforme o texto, a comunidade possuía um plano intermediário de manejo florestal e, no papel, realizava a gestão de sua floresta. Segundo a apuração, porém, o nome da comunidade e sua permissão teriam sido usados como mecanismo de lavagem de madeira.

Uma supervisão urgente da OSINFOR, em dezembro de 2023, apontou que 635 toras e 500.047 metros cúbicos de capinurí teriam sido extraídos sob o plano comunitário. Ao confrontar as guias de transporte e as listas de toras com as árvores autorizadas, os fiscais concluíram, segundo a reportagem, que nenhum dos códigos correspondia. Em campo, os inspetores encontraram evidências de que apenas duas árvores da espécie haviam sido efetivamente cortadas e removidas.

O texto acrescenta que outros 15.609 metros cúbicos de capinurí apareciam no livro de operações como extraídos de árvores que ainda estavam de pé. No total, 515.656 metros cúbicos de madeira foram considerados sem justificativa e classificados como extração não autorizada, de acordo com a reportagem.

Quais fatores adicionais aparecem no relato?

Além das permissões florestais, a matéria descreve outras tensões ligadas ao controle da terra e da floresta. Entre os pontos citados estão:

  • venda de terras comunitárias por algumas lideranças;
  • concessões florestais fraudulentas;
  • acordos com madeireiros ilegais e empresas extrativas;
  • uso de certificados de posse e permissões sobrepostas para reivindicar áreas florestais;
  • pressões sociais que contribuem para a perda de línguas indígenas.

A reportagem também reúne avaliações de especialistas como Mark Plotkin e Roberto Zariquiey. Eles associam a mudança cultural à morte de anciãos e à pressão enfrentada por jovens indígenas nas cidades, onde discriminação e necessidade de adaptação podem acelerar o abandono da língua e de práticas tradicionais.

Ao final, o texto indica que o sistema florestal peruano tem buscado reformas institucionais para envolver formalmente as comunidades no controle do território, mas o trecho disponível da reportagem termina de forma incompleta e não detalha quais medidas foram adotadas.

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