O Google está expandindo seus esforços para alimentar seus data centers com energia limpa, com um novo plano que envolve a construção de novas fontes de energia renovável. De acordo com informações do TechCrunch, a empresa firmou um acordo com a concessionária de Michigan, DTE, para adicionar 2,7 gigawatts de “novos recursos” na região metropolitana de Detroit (EUA), visando alimentar um novo data center na área. O anúncio foi feito na quinta-feira (12 de março). Este plano se assemelha a um acordo assinado em fevereiro de 2026 com a Xcel Energy para a construção de um data center em Minnesota. A busca por autonomia sustentável por gigantes da tecnologia é uma tendência global que se reflete também no Brasil, país que tem se consolidado como principal polo de atração de data centers na América Latina, impulsionado por sua matriz elétrica predominantemente renovável.
O novo plano inclui 1,6 gigawatts de energia solar, 400 megawatts de armazenamento de energia de quatro horas, 50 megawatts de armazenamento de energia de longa duração e 300 megawatts de “recursos limpos adicionais”, que podem incluir desde energia eólica e hidrelétrica até nuclear e geotérmica. A empresa está investindo em projetos de energia que serão anunciados juntamente com os novos data centers.
O restante, 350 megawatts, do acordo de 2,7 GW será coberto pela resposta à demanda, que ocorre quando grandes usuários de eletricidade reduzem seu uso por breves períodos. O Google pode estar buscando empresas dispostas a reduzir suas necessidades de eletricidade em determinados momentos, ou desligar seus próprios data centers quando a rede estiver sobrecarregada.
Como o Google pretende usar a ‘Tarifa de Transição Limpa’?
O acordo com a DTE também utilizará a Clean Transition Tariff (Tarifa de Transição Limpa, em tradução livre) do Google, que tem sido aprimorada ao longo do último ano. O modelo tarifário foi usado anteriormente no acordo do Google com a Xcel Energy. A ferramenta permite que o Google pague um valor adicional para especificar os tipos de energia que deseja implantar, incentivando as concessionárias a incorporar essas tecnologias em seu planejamento de longo prazo. Instrumentos anteriores, como os acordos de compra de energia, eram frequentemente tratados pelas concessionárias como casos isolados.
Qual o impacto do fundo de energia de US$ 10 milhões?
O Google também anunciou a criação de um Energy Impact Fund (Fundo de Impacto Energético) de R$ 51,2 milhões (US$ 10 milhões) destinado a reduzir as contas de serviços públicos, inclusive através do isolamento de residências. O fundo se assemelha a programas de eficiência energética executados por concessionárias, porém com o nome do Google. Resta saber se R$ 51,2 milhões (US$ 10 milhões) serão suficientes para atenuar as preocupações das pessoas sobre o aumento dos preços da eletricidade.
Qual a estratégia do Google com esses acordos de energia?
Este é o segundo pacote “traga sua própria energia” que o Google divulgou, embora seja improvável que seja o último. Em muitos aspectos, não é tão diferente da forma como a empresa tem operado no passado. O modelo tarifário é relativamente novo, mas o Google tem investido ou desenvolvido nova capacidade de geração desde que prometeu, há sete anos, usar energia 100% livre de carbono.
A diferença é que esses projetos costumavam ser anunciados em seus próprios prazos. Agora, estamos vendo o inverso: projetos de energia em andamento são anunciados juntamente com o novo data center. Marketing inteligente ou algo mais? Saberemos em alguns anos.