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Google construirá campus de inteligência artificial inédito na Coreia do Sul

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A Coreia do Sul e a gigante de tecnologia Google anunciaram, nesta segunda-feira, um marco histórico para o desenvolvimento tecnológico global. A empresa norte-americana construirá o seu primeiro campus focado inteiramente em inteligência artificial fora do território dos Estados Unidos. A nova instalação ficará sediada na capital sul-coreana, Seul. De acordo com informações do Valor Econômico, a iniciativa visa impulsionar a pesquisa científica e o mercado asiático.

Quais são os objetivos do novo campus de inteligência artificial?

Segundo declarações de Kim Yong-beom, assessor político da presidência sul-coreana, o propósito central deste novo polo tecnológico é fomentar a inovação colaborativa. O objetivo do campus será criar um ambiente de integração e um espaço físico dedicado para que os próprios engenheiros do Google compartilhem conhecimento avançado com pesquisadores locais e diversas startups emergentes na região.

Este movimento representa uma mudança estratégica significativa na forma como a gigante das buscas distribui sua infraestrutura de inovação. Sendo o primeiro campus de inteligência artificial construído além das fronteiras estadunidenses, a escolha de Seul destaca a relevância do país asiático no atual cenário de desenvolvimento de novas tecnologias e soluções computacionais complexas.

Como tem sido a relação histórica entre o Google e as autoridades asiáticas?

Historicamente, os órgãos reguladores sul-coreanos e o Google acumulam um histórico de relações marcadas por tensões e divergências legais. O acordo arquitetado e anunciado nesta segunda-feira ocorre logo após um importante pacto firmado em fevereiro. Naquela ocasião, as autoridades de Seul e a empresa de tecnologia aparentemente encerraram uma longa e complexa disputa envolvendo o serviço de mapas da companhia.

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O embate anterior girava em torno do pedido do Google para armazenar dados de mapas de alta precisão em seus servidores alocados no exterior, com o intuito de aprimorar o serviço de navegação. A plataforma apresentou problemas na Coreia do Sul durante muito tempo, operando com dados incompletos devido às severas restrições impostas pelo governo local.

Os reguladores governamentais sempre argumentaram que era estritamente necessário restringir a exportação de dados geográficos em virtude de graves preocupações de segurança nacional. Tais preocupações estão diretamente relacionadas ao conflito crônico com a Coreia do Norte, nação vizinha que possui acesso a um vasto arsenal de armas nucleares. A maior ressalva sul-coreana envolvia o vazamento de imagens detalhadas de instalações militares e estratégicas de defesa.

Para solucionar a questão dos mapas, o Ministério da Terra da Coreia do Sul emitiu um comunicado na época confirmando que a permissão de armazenamento de dados havia sido finalmente concedida. No entanto, o consentimento ocorreu sob a exigência inegociável de que a empresa cumprisse rigorosas condições de proteção visual estatais.

  • Desfoque obrigatório de todas as instalações militares do país asiático.
  • Ocultação de bases governamentais ligadas à defesa nacional.
  • Submissão contínua aos protocolos locais de segurança de dados territoriais.

Além da disputa de navegação, no ano de 2021, a autoridade de comércio justo da Coreia do Sul aplicou uma multa rigorosa à companhia. O Google foi autuado em US$ 177 milhões sob a acusação de práticas anticompetitivas, especificamente por obrigar a Samsung Electronics e outras fabricantes a utilizar unicamente versões previamente aprovadas do sistema operacional Android.

Qual o papel do Google DeepMind no avanço da inteligência artificial sul-coreana?

Reforçando a aproximação entre as partes, também nesta segunda-feira, o executivo-chefe do Google DeepMind, Demis Hassabis, realizou uma reunião oficial com o líder do país. O encontro ocorreu em Seul, e o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, abriu a conversa destacando o forte reconhecimento público do executivo executivo britânico na Ásia.

O reconhecimento mencionado por Lee remonta ao ano de 2016, quando o programa AlphaGo, desenvolvido pelo Google DeepMind, protagonizou uma competição histórica do jogo de tabuleiro Go. Na ocasião, o software de aprendizado profundo enfrentou o lendário mestre sul-coreano de Go, Lee Sedol, e surpreendeu os observadores globais ao sair vitorioso da partida.

Essa vitória computacional sinalizou um avanço extraordinário e significativo na capacidade de os programas de computador superarem a mente humana. O marco demonstrou que a máquina possuía aptidão para realizar tarefas de altíssima complexidade que exigem níveis elevados de intuição analítica e criatividade lógica.

Durante a reunião em Seul, Hassabis respondeu que não tinha o total conhecimento de seu alto nível de renome entre a população da Coreia do Sul, de acordo com as informações divulgadas pelo gabinete presidencial. Na sequência, os dois líderes trocaram opiniões aprofundadas sobre o crescente e contínuo papel da inteligência artificial em diversas áreas da sociedade moderna.

Enquanto o presidente Lee afirmou reconhecer a grande utilidade prática das novas tecnologias algorítmicas, ele também demonstrou cautela, revelando preocupações pontuais com aplicações potencialmente destrutivas que a automação desenfreada poderia acarretar. Sobre este delicado balanço entre inovação e risco ético, o líder corporativo se pronunciou de forma direta aos presentes no encontro diplomático.

A inteligência artificial também tem um potencial infinito, mas, por outro lado, há claramente muitos riscos e pontos a serem considerados.

A declaração do executivo foi formalmente registrada pelo gabinete governamental de Lee. Hassabis concluiu o diálogo diplomático acrescentando que nutre a esperança de que a inteligência artificial seja majoritariamente utilizada em prol do avanço irrestrito da ciência e da medicina global, pavimentando o caminho conjunto que culminou no anúncio do novo campus asiático.

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