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Glifosato em Cornwall gera protestos e pressiona conselho a rever plano

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Um plano do conselho de Cornwall, no sudoeste da Inglaterra, para reintroduzir de forma limitada o uso do herbicida glifosato no controle de ervas daninhas em calçadas e meios-fios provocou protestos, petições e um debate público na terça-feira, em Truro. A proposta foi contestada por moradores, apicultores, profissionais de saúde e vereadores, que alegam riscos potenciais à saúde humana, à fauna e aos ecossistemas locais, enquanto a administração sustenta que a medida seria necessária por razões de segurança pública e manutenção urbana.

De acordo com informações do Guardian Environment, dezenas de manifestantes se reuniram em frente ao county hall, em Truro, antes de uma reunião do conselho na qual o tema foi discutido. Duas petições contra o plano somaram mais de 10 mil assinaturas, e 200 profissionais de saúde assinaram uma carta manifestando preocupação com o uso do herbicida perto de escolas e unidades de saúde.

Por que o uso de glifosato em Cornwall provocou reação?

A controvérsia surgiu porque Cornwall havia reduzido amplamente o uso do glifosato ao longo da última década, em meio a preocupações sobre possíveis impactos em pessoas e na biodiversidade da península. Agora, a proposta de retomar o produto para limpar pavimentos e bordas de ruas foi vista por críticos como um retrocesso.

Manifestantes argumentaram que a aplicação do herbicida pode afetar pessoas, animais e especialmente abelhas, além de comprometer áreas naturais valorizadas da região. Parte das críticas também se concentrou na ideia de que muitas plantas tratadas como ervas daninhas têm valor ambiental, incluindo flores silvestres comuns que servem de alimento para polinizadores.

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“It’s a retrograde step. I’m furious,” said Nichola Andersen, a beekeeper, who turned up in her protective suit and held up a sign reading “Bees need weeds”.

“Other places across the country are moving away from glyphosate. We’re going the opposite way. Anyway, they aren’t weeds – they are wildflowers and the bees love them.”

Entre os participantes do protesto estavam apicultores e outros moradores que recorreram a símbolos visuais para reforçar suas críticas. Segundo o relato original, houve quem usasse máscara de gás para protestar contra os riscos atribuídos ao produto e quem destacasse possíveis impactos sobre mamíferos, como coelhos e ouriços.

Quais argumentos foram apresentados contra a proposta?

Durante a reunião do conselho, o vereador verde Drew Creek, de Newquay, classificou o plano como uma “significant policy reversal” e pediu sua suspensão. Ele afirmou que a Organização Mundial da Saúde classifica o glifosato como provável carcinógeno humano desde 2015 e alertou para a possibilidade de escoamento superficial da água de áreas tratadas até cursos d’água que desembocam no mar.

“I don’t want my children splashing around in this,” he said.

Além das críticas ambientais e sanitárias, conselhos locais menores em Cornwall afirmaram que podem adotar caminhos próprios para lidar com a vegetação. Em Penryn, perto de Falmouth, o conselho municipal pretende organizar grupos de voluntários para manter as calçadas sem recorrer ao glifosato. Redruth busca esforço semelhante de base comunitária.

  • Mais de 10 mil assinaturas foram reunidas em duas petições contra o plano.
  • 200 profissionais de saúde assinaram carta com preocupações sobre o uso perto de escolas e serviços de saúde.
  • Conselhos locais menores estudam alternativas não químicas.

O que disse o conselho de Cornwall em defesa do plano?

Na reunião, Dan Rogerson, responsável pela área de transportes no gabinete do conselho, afirmou que uma “limited reintroduction” do glifosato seria necessária porque a capina rotineira não vinha sendo realizada havia anos. Segundo ele, a administração reconhece as preocupações com saúde pública e meio ambiente, mas sustenta que a retirada da vegetação também está ligada à segurança pública, e não apenas à aparência urbana.

Rogerson afirmou que seria usada uma solução diluída, aplicada por “targeted droplets”, e não por pulverização ampla. Segundo ele, o produto não seria empregado em margens de estrada nem em áreas verdes. Já o líder do conselho, Leigh Frost, declarou que outras autoridades locais na Inglaterra e no País de Gales testaram um método misto, combinando glifosato diluído com capina mecânica e manual.

Em relatório citado na discussão, técnicos do conselho afirmaram que diversos métodos não químicos foram testados, mas não se mostraram suficientes, sozinhos, para manter os cerca de 1.000 miles de vias urbanas de Cornwall. O documento também defendeu uma fase de recuperação de três anos, sob controle rigoroso, e disse que o impacto sobre habitats de polinizadores seria negligenciável.

Qual foi a decisão tomada e o que pode acontecer agora?

Ao final da sessão, os vereadores aprovaram a moção de Drew Creek para pedir uma pausa no plano. No entanto, a decisão tem caráter apenas consultivo. Isso significa que caberá ao gabinete do conselho decidir se prosseguirá com o programa ou se interromperá a proposta.

Loic Rich, responsável por meio ambiente e mudança climática no gabinete, indicou que a administração pode reconsiderar o caminho adotado após a forte reação pública. Assim, o impasse permanece aberto: de um lado, estão os argumentos ligados à manutenção urbana e à segurança; de outro, as preocupações com saúde, polinizadores e recursos hídricos em uma das regiões ambientalmente mais valorizadas do país.

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