Geração sanduíche pressiona adultos que cuidam de filhos e idosos no Brasil - Brasileira.News
Início Saúde & Bem-Estar Geração sanduíche pressiona adultos que cuidam de filhos e idosos no Brasil

Geração sanduíche pressiona adultos que cuidam de filhos e idosos no Brasil

0
7

Adultos brasileiros, predominantemente mulheres, encontram-se atualmente em uma posição de vulnerabilidade social e emocional conhecida como a geração sanduíche. Esse fenômeno ocorre quando indivíduos em idade produtiva precisam dividir sua rotina entre a criação dos filhos e a assistência direta aos pais ou parentes idosos. De acordo com informações da Radioagência Nacional, essa pressão é resultado direto de uma transição demográfica que o Brasil atravessa nas últimas décadas, com o aumento da longevidade e a diminuição das taxas de natalidade.

A terminologia, embora pareça moderna, foi estabelecida há décadas para ilustrar o aperto financeiro e psicológico de quem sustenta duas frentes de dependência. Segundo a psicóloga Letícia Figueiredo, o termo representa fielmente a pressão exercida sobre o cuidador intermediário. A especialista explica que a estrutura familiar contemporânea, com menos membros disponíveis para dividir as tarefas, acaba centralizando a carga de trabalho em uma única pessoa, geralmente a figura feminina da casa, o que gera um desgaste físico e mental significativo.

O que caracteriza o fenômeno da geração sanduíche?

A essência desse conceito reside na simultaneidade do cuidado. Diferente de gerações anteriores, onde as etapas de criar filhos e cuidar dos pais ocorriam em momentos distintos da vida, hoje essas trajetórias se cruzam. Conforme detalhado por Figueiredo em entrevista à Rádio Cultura FM de Belém, o termo reflete uma compressão social de responsabilidades:

“Esse termo foi cunhado nos estudos das ciências sociais e das humanidades por volta de 1980. Ele representa a ação de cuidado entre gerações. Na ideia do sanduíche, temos algo que está sendo prensado, pressionado. E, no caso dessa geração, estamos falando de cuidado. São pessoas que cuidam da geração passada, geralmente pais, avós, pessoas idosas, e também da próxima geração, que geralmente são filhos e sobrinhos.”

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

Por que o envelhecimento populacional afeta as famílias?

O aumento da expectativa de vida é o principal motor estatístico para essa realidade. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que a esperança de vida ao nascer no território nacional atingiu a marca de 75 anos e meio. Com o avanço das tecnologias médicas e do acesso a tratamentos de saúde, os brasileiros vivem mais tempo, o que prolonga a necessidade de suporte físico e financeiro por parte dos filhos adultos, que muitas vezes ainda possuem dependentes menores de idade.

Além da longevidade, a estrutura das famílias brasileiras mudou drasticamente. No século 21, o número de filhos por casal diminuiu consideravelmente, o que significa que há menos irmãos para compartilhar o cuidado com os patriarcas e matriarcas. A responsabilidade, portanto, não é diluída, tornando-se um fardo individualizado e exaustivo para o adulto que compõe o centro desse sanduíche geracional.

Quais são os dados estatísticos sobre o envelhecimento no Brasil?

A evolução demográfica do país nas últimas quatro décadas revela uma mudança veloz no perfil dos cidadãos. O crescimento da parcela idosa na sociedade brasileira pode ser observado através dos seguintes pontos levantados por institutos de pesquisa e órgãos oficiais:

  • Em 1980, as pessoas com 65 anos ou mais representavam apenas cerca de 4% da população total do país.
  • No ano de 2022, esse percentual saltou para mais de 10%, demonstrando um envelhecimento acelerado da base social.
  • A expectativa de vida atual de 75 anos e meio tende a continuar em trajetória de crescimento nas próximas décadas.
  • A redução do tamanho das famílias aumenta drasticamente a pressão sobre os cuidadores individuais, sem rede de apoio.

Essa nova configuração social exige que o Estado e as empresas comecem a olhar para o cuidador não apenas como um suporte doméstico, mas como um trabalhador que necessita de políticas públicas específicas. Sem uma rede de apoio formal ou serviços de assistência acessíveis, a tendência é que a saúde mental e a estabilidade financeira dessa parcela da população sejam severamente comprometidas, perpetuando um ciclo de desgaste que afeta o bem-estar de todas as gerações envolvidas no núcleo familiar.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

WhatsApp us

Sair da versão mobile