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Gamma Cassiopeiae tem origem de raios X explicada após mais de 50 anos

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Uma pesquisa publicada em 24 de março de 2026 na revista Astronomy & Astrophysics apresentou uma solução para um enigma que intrigava astrônomos havia mais de cinco décadas: a origem dos raios X emitidos pela estrela Gamma Cassiopeiae, também chamada de γ-Cas. O estudo, baseado em dados do telescópio espacial XRISM, concluiu que a emissão está diretamente ligada ao movimento de uma estrela companheira invisível, identificada como uma anã branca que atrai material da estrela principal. De acordo com informações do Olhar Digital, a descoberta ajuda a explicar um fenômeno considerado incomum desde a década de 1970.

A pesquisa foi liderada pela astrônoma Yaël Nazé, da Universidade de Liège, na Bélgica. Segundo o texto original, diversos grupos tentaram explicar o fenômeno ao longo dos anos, mas a resposta conclusiva só foi alcançada agora com medições mais precisas obtidas pelo XRISM, uma missão com colaboração da NASA, da JAXA e participação da ESA.

O que torna a estrela Gamma Cassiopeiae tão importante para a astronomia?

A estrela γ-Cas faz parte da constelação de Cassiopeia, conhecida pelo formato de W, e pode ser observada a olho nu em noites sem nuvens. Por estar no hemisfério celeste norte, Cassiopeia não é uma constelação de observação ampla no Brasil, especialmente nas áreas mais ao sul do país, o que ajuda a contextualizar sua visibilidade para o público brasileiro. Seu brilho intenso já chamava a atenção havia muito tempo, mas o interesse científico se aprofundou após a identificação de características incomuns em sua luz.

De acordo com um comunicado citado no texto, o mistério começou em 1866, quando o astrônomo italiano Angelo Secchi percebeu algo incomum no espectro da estrela. Ao analisar sua luz, observou que o hidrogênio aparecia como linha brilhante, e não escura, como ocorre em estrelas como o Sol. Essa característica contribuiu para a criação da categoria das estrelas do tipo Be, astros quentes e massivos que possuem um disco de matéria ao redor.

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Com o avanço das observações, os cientistas também verificaram que esses discos podem se formar e desaparecer com o tempo. Esse processo altera o brilho da estrela e mantém γ-Cas como um alvo relevante tanto para pesquisadores quanto para astrônomos amadores.

Por que os raios X emitidos por γ-Cas eram considerados um mistério?

O problema se intensificou na década de 1970, quando γ-Cas foi identificada como uma fonte de raios X extremamente energéticos. Esse tipo de emissão não é comum em estrelas desse tipo, o que levou a novas tentativas de explicação. Estudos posteriores mostraram que os raios X eram produzidos por um plasma extremamente quente, com temperatura em torno de 150 milhões de graus, e que sua intensidade era cerca de 40 vezes maior do que o esperado.

Com observações feitas por telescópios como XMM-Newton, da ESA, Chandra, da NASA, e eROSITA, liderado pela Alemanha, outras estrelas com comportamento semelhante também foram encontradas. Esse conjunto passou a ser conhecido como estrelas do tipo gama-Cas.

Ao longo dos anos, duas hipóteses principais foram discutidas pelos cientistas:

  • interação entre campos magnéticos da estrela e o disco de matéria ao seu redor;
  • captura de material do disco por uma estrela companheira.

Como o telescópio XRISM ajudou a resolver o enigma?

A resposta apontada pelo estudo veio com o instrumento Resolve, um espectrômetro de alta resolução instalado no XRISM. Segundo o texto, ele permite medir com precisão a energia dos raios X emitidos, funcionando como um analisador de cores para esse tipo de radiação.

Durante uma campanha de observação, os pesquisadores perceberam que os sinais do plasma quente variavam conforme o movimento orbital da estrela companheira. A correlação indicou que a fonte dos raios X estava diretamente associada a esse objeto invisível.

Na interpretação apresentada pelos autores, a anã branca atrai e acumula material da estrela principal. Esse processo libera grande quantidade de energia, emitida na forma de raios X. Com isso, o estudo reforça a hipótese de que a companheira invisível é a origem do fenômeno observado em γ-Cas.

Quais são os efeitos da descoberta para estudos futuros?

Além de propor a solução para o caso de γ-Cas, a pesquisa abre novas frentes de investigação sobre a formação de sistemas binários desse tipo. O texto informa que estudos recentes indicam que esse tipo de par estelar pode ser mais raro do que se imaginava, especialmente entre estrelas de grande massa.

Para os cientistas, entender como essas estrelas interagem será importante para aperfeiçoar modelos de evolução estelar. Nesse contexto, γ-Cas passa a servir como referência para pesquisas futuras sobre estrelas Be, sistemas binários e fenômenos de alta energia no Universo. Para a comunidade astronômica de forma mais ampla, inclusive a brasileira, resultados desse tipo ajudam a refinar modelos usados em estudos de evolução estelar e de fontes cósmicas de alta energia.

Lançada em setembro de 2023, a missão XRISM reúne tecnologias voltadas ao estudo do Universo em raios X. Entre seus instrumentos estão o Resolve e a câmera Xtend, usada para obter imagens amplas do céu. Segundo o texto de origem, esse conjunto permite observar com mais detalhe fenômenos energéticos e contribui para esclarecer questões ainda abertas na astrofísica.

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