Os fundos de renda fixa voltaram a chamar atenção após alguns produtos ligados a títulos públicos de longo prazo registrarem ganho superior a um por cento na primeira metade de abril, em meio ao recuo das taxas de juros longas. O movimento ocorreu no contexto das oscilações do mercado provocadas pela guerra no Oriente Médio e pela expectativa de acordo entre Estados Unidos e Irã, que ajudou a reduzir os juros em parte do período. De acordo com informações do InfoMoney, os resultados variam conforme o prazo médio das carteiras e o tipo de ativo presente em cada fundo.
Segundo os dados citados na reportagem, até 13 de abril os fundos classificados como duração alta soberano lideravam a rentabilidade no ano, com 4,45%, e acumulavam 1,08% em abril. Na sequência apareciam os fundos de renda fixa indexados, com 4,26% no ano e 0,94% no mês, e os fundos atrelados ao CDI, com 3,86% no ano e 0,43% em abril. Já os piores desempenhos eram observados em dívida externa, com queda de 8,02% no ano e de 2,95% no mês, refletindo também a desvalorização do dólar frente ao real, conforme a matéria com base em números de Anbima e Banco Central.
Por que alguns fundos renderam mais com a queda dos juros?
A reportagem explica que os fundos de renda fixa respondem de forma diferente às mudanças de mercado conforme a composição da carteira. Nos produtos com maior exposição a títulos públicos de longo prazo, a queda das taxas longas favoreceu a valorização dos papéis. Isso ajudou especialmente os fundos soberanos de duração mais alta, que foram os que mais se destacaram no período.
O diretor de Crédito da Rio Bravo Investimentos, Evandro Buccini, afirmou ao veículo que os fundos com menos risco têm apresentado melhor desempenho neste ano, principalmente os pós-fixados ou prefixados indexados à inflação de prazo mais curto. Segundo ele, esses produtos escapam de parte da volatilidade concentrada nos títulos mais longos. A matéria reproduz a explicação de que quem estava posicionado em NTN-B de menor prazo ou em fundo de inflação curta foi beneficiado pela alta da expectativa de inflação associada ao aumento do preço do petróleo.
“Quem estava em NTN-B (papel do Tesouro corrigido pela inflação) de menor prazo ou fundo de inflação curta ganhou porque a expectativa de inflação subiu com o aumento do preço do petróleo”, explica. “Mas quem estava em fundos de inflação mais longa sofreu por conta volatilidade dos juros”, completa.
Quais segmentos da renda fixa enfrentaram mais pressão?
Nos fundos de crédito, a reportagem aponta um cenário mais sensível. De acordo com Buccini, os melhores resultados apareceram nos produtos com prazos menores, menor risco ou menor exposição a debêntures, com maior presença de FIDCs ou letras financeiras. Em contrapartida, os fundos de debêntures, sobretudo os de infraestrutura, sofreram mais com a alta dos juros e com os efeitos da marcação a mercado.
O texto também cita eventos de crédito que afetaram o setor. Segundo o especialista ouvido pela reportagem, a recuperação extrajudicial anunciada pela Raízen teve impacto sobre fundos expostos a debêntures de infraestrutura. Ainda de acordo com ele, isso aumentou a volatilidade e pressionou vendas no mercado, elevando spreads tanto em papéis corrigidos pelo CDI quanto em títulos indexados ao IPCA.
Além disso, a reportagem relata aumento significativo nos resgates de fundos de crédito. Buccini afirmou que esse movimento pode forçar gestores a vender ativos, ampliando a desvalorização dos títulos. Apesar disso, ele disse que os resgates ainda não eram considerados alarmantes e que parte dos efeitos só poderia ser medida nos dias seguintes, especialmente em fundos de infraestrutura com prazo de resgate ao redor de 30 dias.
Vale entrar agora em fundos de renda fixa?
O presidente da Asset Bank, Gustavo Assis, afirmou ao veículo que o investidor que já está aplicado deve avaliar se o fundo tem carteira saudável, prazo médio compatível e gestão ativa de risco. Segundo ele, oscilações de marcação a mercado não significam necessariamente perda estrutural para quem consegue manter a posição por mais tempo. Para quem pensa em entrar agora, o ponto central seria distinguir prêmio real de risco mal precificado.
Assis também afirmou que, em crédito, é importante observar fatores como qualidade do lastro, diversificação, subordinação, liquidez e capacidade de monitoramento do gestor. Na avaliação reproduzida pela reportagem, a renda fixa ainda oferece taxas competitivas e, se os juros longos recuarem adiante, alguns fundos podem capturar ganho adicional com a reprecificação dos papéis.
Já o presidente da MA7 Negócios, André Matos, disse que os fundos atrelados ao CDI e de curto prazo seguem entre os destaques, beneficiados pelo nível elevado da Selic. O crédito privado também teve bom desempenho, mas, segundo ele, os spreads já comprimiram bastante, o que exige mais seletividade do investidor.
- Fundos soberanos de duração alta lideraram os ganhos até 13 de abril.
- Fundos de crédito enfrentaram pressão maior por volatilidade e eventos de crédito.
- Produtos atrelados ao CDI e de curto prazo seguem favorecidos pelo patamar da Selic.
- A entrada em novos fundos exige análise da carteira, do risco e da gestão.
Com isso, o cenário descrito na reportagem sugere que a renda fixa continua heterogênea: alguns segmentos foram beneficiados pelo alívio nos juros, enquanto outros seguem pressionados por risco de crédito, resgates e oscilações de mercado.