A Fundação Cultural do Pará (FCP) entregou oficialmente, nesta segunda-feira (27), o Cine Alexandrino Moreira, localizado na Casa das Artes, em Belém. A iniciativa, que integra o Circuito FCP de Cinema, transformou o antigo auditório do espaço em uma sala cinematográfica equipada com tecnologia de ponta, incluindo sistema de projeção DCP e som Dolby Surround. O projeto foi viabilizado por meio de recursos da Lei Paulo Gustavo, em uma colaboração estratégica com a Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e o governo federal.
De acordo com informações da Agência Pará, o evento de inauguração contou com a exibição do curta-metragem paraense “Cabana”, dirigido por Adriana de Faria. Além da nova sala de cinema, o governo estadual celebrou a reabertura da Biblioteca Pública Vicente Salles, uma unidade de pesquisa especializada em artes que retorna ao atendimento com sua estrutura revitalizada para pesquisadores e o público em geral.
Como foi realizada a modernização do Cine Alexandrino Moreira?
As intervenções estruturais no edifício histórico, iniciadas em 2023, exigiram um planejamento complexo para suportar a nova configuração da sala. Devido à natureza da edificação antiga, foi necessário realizar um reforço estrutural no piso para a instalação de poltronas em formato de rampa, substituindo o antigo piso plano. A modernização técnica incluiu um sistema de exibição com resolução 2k, garantindo um padrão de qualidade internacional para as produções exibidas no local.
Melissa Barbery, coordenadora de linguagem visual e audiovisual da FCP, detalhou que a equipe técnica passou por treinamentos especializados para operar os novos sistemas. Ela destacou o papel social da sala no contexto urbano:
O cinema permite a formação do cidadão de forma global, desenvolvendo o pensamento e o sentir-se no mundo. Muitas pessoas que não têm condições de viajar, viajam através da tela. Queremos que este seja um espaço de experimentação artística, trazendo o cinema experimental, a videoperformance e o documentário expandido.
Qual a importância desta sala para o circuito audiovisual paraense?
A entrega do Cine Alexandrino Moreira faz parte de um plano de recomposição dos espaços públicos de exibição no estado. O presidente da FCP, Ygor Kahwage, enfatizou que a estratégia visa oferecer alternativas ao circuito comercial, promovendo o acesso democrático por meio de ingressos sociais e parcerias para a realização de festivais internacionais gratuitos.
O cronograma de expansão da rede audiovisual pública do Pará prevê as seguintes etapas:
- Consolidação do Cine Líbero Luxardo, reformado em 2023;
- Inauguração do Cine Alexandrino Moreira na Casa das Artes;
- Futura entrega do cine auditório Pedro Veriano, localizado na Casa da Linguagem;
- Fortalecimento do Circuito FCP de Cinema em diversas unidades.
Ygor Kahwage afirmou que o objetivo é garantir que a população de Belém tenha acesso a espaços modernos para usufruir da produção cultural da Amazônia. Segundo o gestor, a capital paraense é um centro que pulsa arte e necessita de infraestrutura que acompanhe esse dinamismo.
Quem foi o homenageado e qual o impacto para os artistas?
A nova sala homenageia Alexandrino Moreira, figura histórica no cenário cultural e empresarial do estado. Seu filho, o pesquisador e crítico Marco Antônio Moreira, ressaltou que o novo cinema oferece um refúgio para cineastas “inconformistas”, cujas obras desafiam os padrões do cinema comercial tradicional. Para a classe artística, o espaço representa uma vitrine essencial para a visibilidade de produções locais.
Como atriz preta paraense é um desafio muito grande e a importância de ter um cinema voltado justamente para nossas produções paraenses é muito grande. Nossos filmes são muito bons e precisam dessa visibilidade.
A atriz Rosy Lueji, protagonista da obra exibida na estreia, pontuou que o investimento em infraestrutura é fundamental para que o talento regional alcance novos públicos. O cinema atuará de forma integrada com a Biblioteca Pública Vicente Salles, que possui um acervo de mais de três mil itens especializados em cinema, teatro e manifestações populares como o carimbó e a marujada.