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Formigas africanas viram alvo de tráfico internacional por até R$ 1,2 mil

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Close-up de uma formiga exótica e brilhante sobre uma superfície de madeira, destacando detalhes de sua estrutura física.
Foto: Regina (Gina) Hart / inaturalist (by-sa)

Uma espécie de formiga nativa do Quênia, a Messor cephalotes, tornou-se alvo de um crescente comércio ilegal impulsionado pela demanda global por insetos exóticos como animais de estimação. As rainhas dessas formigas gigantes africanas coletoras são vendidas por até £170 (cerca de R$ 1,2 mil) no mercado negro, segundo investigações recentes. O tráfico foi descoberto após apreensões no Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta e em pousadas na região do Vale do Rift, onde redes locais coletam as rainhas durante o enxameamento — período de acasalamento que ocorre na estação chuvosa — e as entregam a intermediários estrangeiros. O caso também chama atenção no Brasil porque o comércio ilegal de animais silvestres e o risco de introdução de espécies exóticas invasoras são temas recorrentes na fiscalização ambiental e sanitária do país. De acordo com informações da Folha Ambiente.

O Serviço de Vida Selvagem do Quênia (KWS) já identificou casos envolvendo cidadãos da Bélgica, Vietnã e China, além de quenianos locais. Em uma operação no ano passado, 5.000 rainhas foram encontradas vivas em Naivasha, embaladas em tubos com algodão úmido para sobreviverem até dois meses. Um novo caso foi registrado em março de 2026, com a prisão de um cidadão chinês transportando 2.000 rainhas no mesmo aeroporto.

Por que as formigas Messor cephalotes são tão valorizadas?

As rainhas dessa espécie podem atingir 25 mm de comprimento, vivem décadas e são capazes de fundar colônias inteiras sozinhas — características que as tornam altamente desejáveis entre colecionadores internacionais. “Elas são uma das espécies de formigas mais enigmáticas — formam colônias grandes, apresentam comportamentos interessantes e são fáceis de manter. Não são agressivas”, afirmou Dino Martins, biólogo radicado no Quênia, em entrevista à BBC News Brasil.

A popularidade dessas formigas também está ligada ao fenômeno dos “formicários”, recintos transparentes que permitem observar o comportamento das colônias. Entusiastas acompanham desde a escavação de túneis até a proteção da rainha pelas operárias — todas fêmeas, podendo chegar a centenas de milhares por ninho.

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Quais os riscos ambientais desse comércio?

Pesquisadores alertam que o tráfico pode causar danos ecológicos significativos. Zhengyang Wang, professor assistente da Universidade de Sichuan, monitorou mais de 58 mil colônias vendidas online na China em seis meses e constatou que mais de um quarto das espécies comercializadas não eram nativas do país. “Se o volume de comércio de formigas invasoras continuar crescendo, é apenas uma questão de tempo até que algumas escapem de seus formicários e se estabeleçam na natureza”, declarou Wang.

Para o Brasil, o alerta é relevante porque a entrada e dispersão de espécies exóticas pode afetar ecossistemas, a agricultura e ações de controle ambiental, além de se somar ao histórico de tráfico de fauna que já desafia órgãos de fiscalização no país.

  • Coleta intensiva durante o enxameamento ameaça populações locais
  • Espécies não nativas podem se tornar invasoras se liberadas acidentalmente
  • O Quênia, tradicionalmente focado em combater tráfico de marfim e chifres, agora enfrenta nova frente de biopirataria

Um ex-intermediário local, que pediu anonimato, admitiu ter participado da rede antes de perceber a ilegalidade: “Só quando vi as prisões no noticiário percebi do que eu tinha feito parte — e saí imediatamente”. Os envolvidos no caso de 2025 foram condenados por biopirataria e optaram por pagar multa de US$ 7,7 mil (mais de R$ 40,4 mil) em vez de cumprir pena de 12 meses de prisão.

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