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Fome recua mais em lares de mulheres beneficiárias do Bolsa Família, aponta FGV

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Mulher sorrindo com sacolas de compras em feira livre.
Reprodução / agenciabrasil.ebc.com.br

A fome e a insegurança alimentar grave registraram uma redução mais significativa em domicílios brasileiros chefiados por mulheres que são beneficiárias do programa Bolsa Família, conforme revela um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV). Divulgado em 20 de março de 2025, no Rio de Janeiro, o levantamento compara dados dos últimos trimestres de 2023 e 2024 e atribui esse resultado à maior eficiência das mulheres na gestão dos recursos recebidos para o bem-estar familiar. As informações foram obtidas de acordo com a Agência Brasil.

O estudo, intitulado “Mulheres no centro da redução da insegurança alimentar no Brasil”, realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, detalha que, em 2023, 9,6% dos domicílios chefiados por mulheres e beneficiários do Bolsa Família enfrentavam a condição de insegurança alimentar grave. Este índice caiu para 7,2% em 2024, representando uma diminuição de 2,4 pontos percentuais (p.p.). Em contraste, nos lares chefiados por homens que recebem o benefício, a proporção de insegurança alimentar grave passou de 8,6% para 6,8%, uma queda de 1,8 p.p. Essa disparidade indica um impacto mais acentuado do programa quando administrado por mulheres.

O que significa “insegurança alimentar grave” e “segurança alimentar”?

A Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), instrumento usado no país para medir o acesso das famílias aos alimentos, define a insegurança alimentar grave como a situação em que há restrição ou ausência de alimentos para adultos e crianças em um domicílio, caracterizando a experiência da fome. Por outro lado, a segurança alimentar é alcançada quando há acesso contínuo e suficiente a alimentos, sem a necessidade de comprometer outras necessidades básicas da família. O levantamento da FGV apontou que, entre os domicílios com beneficiários do Bolsa Família que atingiram a segurança alimentar, 71% eram chefiados por mulheres.

A pesquisadora Janaína Rodrigues Feijó, do Ibre/FGV, explica que a maior capacidade das mulheres em gerenciar a renda do Bolsa Família é o principal fator para esses resultados. Segundo Feijó, as mulheres tendem a otimizar melhor os recursos financeiros dentro de casa, especialmente quando há crianças. Estudos acadêmicos corroboram essa observação, indicando que quando as mulheres controlam uma maior fatia dos recursos familiares, os gastos se inclinam para bens essenciais ao bem-estar infantil e familiar, como alimentação, saúde, educação e outros itens de consumo voltados para as crianças.

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Quantos lares saíram da fome com o Bolsa Família e qual o papel das mulheres?

No período de um ano analisado, cerca de 946,6 mil domicílios que recebem o Bolsa Família deixaram a condição de fome e alcançaram a segurança alimentar. Deste total, aproximadamente 670 mil eram chefiados por mulheres, o que ressalta a importância central da mulher na erradicação da insegurança alimentar. Essa proporção demonstra que a priorização de mulheres como responsáveis pelos lares no programa assistencial tem um efeito multiplicador no combate à fome.

O Bolsa Família, gerido pelo governo federal e recriado em 2023 após substituir o Auxílio Brasil, é o principal programa de transferência de renda do país. Para ser elegível ao programa, a família deve possuir uma renda mensal de até R$ 218 por pessoa. O benefício base é de R$ 600, mas pode ser complementado com adicionais para famílias com crianças e gestantes. Em março de 2025, o valor médio do benefício alcançou R$ 683,75, atendendo a 18,73 milhões de famílias cadastradas, com um investimento total de R$ 12,77 bilhões, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

Como o Bolsa Família contribui para o empoderamento feminino?

Dados de janeiro de 2025 revelam que 84,4% das famílias atendidas pelo Bolsa Família têm uma mulher como responsável principal. A pesquisadora Janaína Feijó sugere que programas de transferência de renda como este podem “fortalecer o empoderamento feminino e o poder de barganha dentro do lar”. A possibilidade de as mulheres controlarem os recursos do domicílio amplia sua participação em decisões cruciais sobre gastos, consumo e outros aspectos da vida doméstica, impulsionando sua autonomia e influência.

Um aspecto relevante destacado pelo estudo é que, dos lares de beneficiários do Bolsa Família que alcançaram a segurança alimentar e eram chefiados por mulheres (70,8% do total), 61,4% (equivalente a 581 mil) tinham como responsável uma mulher preta ou parda. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que esteve presente na divulgação do estudo, ressaltou a importância da renda chegar diretamente às mulheres em situação de vulnerabilidade. Ela enfatizou a inseparabilidade entre o combate à fome e a luta contra a desigualdade racial, afirmando:

“Não tem como pensar em combate à fome sem pensar em raça”

e relacionando a segurança alimentar ao desenvolvimento educacional:

“Ninguém estuda de barriga vazia”

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, classificou como “estratégica” a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de priorizar as mulheres como recebedoras dos cartões do benefício, destacando o

“efeito extraordinário que isso tem, tanto em relação à saúde, à educação, às condicionalidades e mesmo em relação à renda. Além de tirar da fome, que é, na verdade, um primeiro passo, a gente trabalha a superação da pobreza”

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