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Festival das Culturas Indígenas reúne etnias no Museu do Pontal, no Rio

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O Festival das Culturas Indígenas começou neste sábado, 11 de abril, e segue até domingo, 12, no Museu do Pontal, na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio de Janeiro, com programação gratuita voltada à apresentação de saberes, vivências e manifestações de povos originários. De acordo com informações da Agência Brasil, o evento reúne representantes de diferentes etnias em atividades como rituais, danças, músicas ancestrais, oficinas e feira gastronômica.

Esta terceira edição tem a participação de representantes dos povos Wauja, Guajajara, Xakriabá, Kaiapó, Kamayurá, Puri, Pataxó, Wapixana, Guarani Mbyá e Guarani Tenonderã. A proposta é apresentar ao público experiências de vida e práticas culturais desses povos ao longo do fim de semana, com atividades sujeitas à lotação.

Quais atividades estão previstas para crianças e mulheres?

Parte da programação foi dedicada ao público infantil. Neste sábado, a partir das 10h, crianças da Aldeia Mata Verde Bonita, de Maricá, na região metropolitana do Rio, apresentam brincadeiras tradicionais. No domingo, as atividades para crianças continuam com sessões às 10h, 11h e 12h, com a ação Bebês no Museu do Pontal, conduzida pela contadora de histórias Mel Xakriabá, com cantos e instrumentos da nação Xakriabá.

Também neste sábado, às 11h30, mulheres poderão participar de uma oficina com técnicas de modelagem de panelas de barro apresentada por indígenas do povo Wauja, de Mato Grosso. Das 12h30 às 13h, a programação inclui demonstrações da Festa das mulheres – Yamurikumã, com danças, cânticos e pinturas com jenipapo e urucum. No texto original, o ritual é descrito como uma celebração da força das mulheres do Alto Xingu.

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No domingo, às 10h30, o público será incentivado a aprender a fazer petecas com Carmel Puri. A partir das 15h, a artesã Ana Lucia Guajajara, nascida na Aldeia Morro Branco, no Maranhão, coordena uma oficina de colares de sementes e explica os significados sagrados dessas peças.

Quais são os destaques artísticos e musicais do festival?

Entre os destaques da edição deste ano está a exposição individual Roraimarte III, de Gustavo Caboco, artista indígena do povo Wapixana. A mostra tem abertura marcada para este sábado, às 15h, com presença do artista, dos curadores e dos diretores do Museu do Pontal, Angela Mascelani e Lucas Van de Beuque.

A exposição aborda deslocamentos de indígenas por diferentes territórios e a produção de memória a partir de uma conexão entre o Monte Roraima, considerado sagrado para povos amazônicos, e o planeta Marte. A mostra reúne fotografias, pinturas e esculturas. Em entrevista à Agência Brasil, Caboco afirmou:

“É uma exposição que acaba conectando outros territórios”.

Ao comentar sua produção, o artista também disse:

“Tenho trabalhado muito para não apagar a memória Wapixana e de como a arte pode fortalecer relações dentro do campo indígena”.

Segundo a reportagem, Caboco relaciona essa conexão ao fato de a Nasa ter atribuído o nome Roraima a uma parte do território de Marte, em referência à semelhança do solo com o do Monte Roraima. O artista destacou ainda a importância da língua Wapixana, falada em territórios hoje divididos entre Brasil e Guiana.

Quem participa da curadoria e da programação musical?

A curadoria do festival é assinada pelos educadores indígenas Carmel Puri e Pacary Pataxó, que vivem no Rio de Janeiro. Carmel é formada em pedagogia, pesquisadora de grafismos de outras etnias, agricultora urbana e coordenadora do coletivo feminino Sementes da Terra. Pacary Pataxó nasceu na aldeia Mãe Barra Velha, no sul da Bahia, e se mudou para o Rio já adulto com a intenção de divulgar a cultura de seu povo.

Na programação musical, o festival terá:

  • Neste sábado, às 16h30, apresentação do Coral da Aldeia Mata Verde Bonita;

  • No domingo, às 16h, apresentação do Coral Mbyá Guarani da Aldeia Sapukai.

Também no sábado, às 15h30, o pescador e artesão Taware Kamayurá, da aldeia Kamayurá, no Parque Indígena do Xingu, participa contando histórias e trazendo informações sobre rituais ancestrais como o Kuarup. A programação do festival busca reunir manifestações culturais, práticas educativas e formas de transmissão de memória ligadas a diferentes povos indígenas presentes no evento.

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